Laços e Segredos

1246 Palavras
A floresta parecia mais sombria após a luta. O ar, antes carregado de uma energia mágica, agora estava pesado com a tensão do que acabara de acontecer. Caio ainda sentia o calor residual em sua mão, mas a sensação de surpresa e confusão não o abandonava. Seus amigos estavam mais próximos agora, como se o perigo que enfrentaram tivesse os unido de uma maneira diferente. “Precisamos encontrar um lugar seguro”, Letícia sugeriu, limpando a lâmina que tinha usado durante o confronto. “Os servos podem voltar, e da próxima vez, talvez não sejamos tão sortudos.” Caio concordou, ainda atordoado com a onda de poder que sentiu durante a batalha. O que foi aquilo? Ele olhou para as próprias mãos, esperando encontrar algum resquício de luz, mas tudo parecia normal novamente. Isadora aproximou-se de Caio, os olhos cheios de preocupação. “Você está bem?” “Eu... acho que sim”, ele respondeu, tentando soar confiante, mas a verdade é que nada fazia sentido. “Só não entendo como fiz aquilo.” Isadora abriu um sorriso gentil, como se tentasse acalmar a tempestade de pensamentos na mente dele. “Acho que você tem mais poder do que imagina, Caio. Foi incrível o que você fez.” Tomás, ainda um pouco abalado, balançou a cabeça. “Incrível? Foi mais assustador do que incrível. O que está acontecendo com a gente?” Letícia deu um passo à frente, o olhar intenso. “Estamos nos tornando o que sempre fomos destinados a ser. Guardiões. A energia de Aelmor está despertando dentro de nós, conectada à nossa linhagem, ao nosso destino. Quanto mais tempo passarmos aqui, mais poder vamos descobrir.” “E o que fazemos com esse poder?” Tomás cruzou os braços, claramente desconfortável com tudo aquilo. “Lutamos contra sombras por aí? Nem sabemos como sair daqui.” Caio olhou para Letícia, esperando uma resposta que pudesse lhes dar alguma segurança, mas ela apenas suspirou. “Ainda não sabemos tudo. Precisamos de mais informações, e rápido.” Isadora, sempre a mais sensata, sugeriu: “Talvez a mulher que encontramos antes possa nos guiar. Ela disse que Aelmor nos chamava, certo? Talvez existam outros que possam nos ajudar.” “Isso faz sentido”, Caio respondeu, sentindo a tensão começar a se dissipar. “Se fomos trazidos aqui por um motivo, com certeza há mais pessoas que sabem o que está acontecendo.” Letícia assentiu, olhando ao redor como se tentasse sentir algo no ar. “Precisamos encontrar o centro deste reino. Há um lugar, o Santuário das Almas, onde as respostas podem estar. Lá, talvez, encontremos mais sobre nossa missão... e como derrotar Nirath.” Tomás soltou um longo suspiro, claramente vencido pela situação. “Certo, e onde fica esse tal santuário?” “Na direção leste, além das Montanhas de Vídar”, Letícia respondeu com uma certeza que fez Caio questionar o quanto ela realmente sabia sobre Aelmor. “Será uma jornada longa, mas precisamos começar agora.” O g***o começou a caminhar, a floresta densa e escura à sua volta se fechando como um labirinto vivo. A estrada à frente parecia perigosa e incerta, mas, ao mesmo tempo, havia uma sensação de propósito nas palavras de Letícia. Caio não podia negar que, desde que entraram em Aelmor, algo dentro dele se sentia mais vivo, como se ele finalmente estivesse onde deveria estar. Enquanto caminhavam, Isadora se aproximou mais de Caio, mantendo um ritmo constante ao lado dele. “Você acha que conseguiremos fazer isso?” Ele olhou para ela, percebendo a ansiedade por trás da pergunta. Isadora sempre foi a mais confiante entre eles, mas ali, naquele mundo estranho, até ela parecia vulnerável. “Eu não sei, Isa. Mas se estivermos juntos, acho que temos uma chance.” Ela sorriu levemente. “Eu confio em você, Caio. E sei que vamos encontrar um jeito.” O coração de Caio acelerou um pouco com aquelas palavras, e ele sentiu um calor diferente, algo mais profundo do que a magia que havia despertado dentro dele. Havia uma conexão entre ele e Isadora que ia além da amizade, algo que ele sempre sentira, mas nunca teve coragem de admitir – nem para si mesmo. Tomás, mais à frente, virou-se para o g***o com uma expressão preocupada. “Ei, vocês ouviram isso?” Caio e Isadora pararam de caminhar e se concentraram nos sons ao redor. Um barulho sutil, como o farfalhar de folhas ao vento, estava ficando mais próximo. Mas não era só o vento. Eram passos. “Alguém está nos seguindo”, Letícia sussurrou, já sacando sua lâmina de novo. “Fiquem atentos.” Caio preparou-se, ainda inseguro sobre como canalizar o poder que usara antes. Ele respirou fundo, tentando se concentrar como na última vez, mas nada aconteceu. Não havia luz em suas mãos. O medo começou a subir de novo, e ele percebeu que, por mais que sentisse aquele poder dentro de si, ainda não sabia como controlá-lo. De repente, da escuridão das árvores, surgiu uma figura. Não era um servo de Nirath, mas um homem, alto e robusto, com cabelos desgrenhados e olhos profundamente azuis. Ele usava uma armadura leve e trazia uma espada embainhada nas costas. Apesar de sua aparência imponente, havia algo no olhar dele que não parecia ameaçador. “Vocês são os guardiões?” Sua voz era grave, mas havia uma urgência na pergunta. Caio deu um passo à frente, ainda cauteloso. “Quem é você?” O homem colocou as mãos em sinal de rendição. “Me chamo Roderick. Sou um dos últimos guerreiros livres de Aelmor. Estava procurando por vocês. O reino sussurra sobre o retorno dos guardiões, e parece que as profecias estavam certas.” Tomás deu uma risada sarcástica. “Ah, ótimo. Mais profecias.” Roderick lançou um olhar sério para ele. “Vocês não entendem a gravidade da situação. Nirath está se fortalecendo a cada momento, e seus servos estão caçando qualquer um que ainda tente resistir. Vocês são a única esperança de Aelmor.” Caio sentiu um peso cair sobre seus ombros. Cada vez mais, a responsabilidade do que estavam enfrentando se tornava real. Mas antes que ele pudesse responder, Letícia perguntou diretamente: “E como você nos encontrou?” Roderick hesitou por um momento, olhando para Letícia com curiosidade. “Eu segui os sinais. A energia de Aelmor guia aqueles que ainda podem lutar contra a escuridão. E vocês, jovens guardiões, têm essa energia brilhando mais forte do que qualquer outra coisa neste reino.” Caio olhou para seus amigos. Eles estavam todos confusos, assustados, mas havia uma determinação crescente. A jornada estava apenas começando, e agora, com Roderick ao seu lado, tinham um novo aliado – mas também novas perguntas. “O Santuário das Almas”, Letícia começou, sua voz firme. “Sabe onde fica?” Roderick assentiu. “Eu os levarei até lá. Mas o caminho não será fácil. Nirath já sabe que vocês estão aqui, e ele fará de tudo para impedi-los de despertar o poder que carregam.” Caio respirou fundo, sentindo o peso da responsabilidade em seus ombros. Ele olhou para seus amigos – Tomás, sempre com uma piada, Isadora, com seus olhos cheios de esperança, e Letícia, determinada e cheia de mistérios. Com eles ao seu lado, ele sabia que enfrentaria qualquer desafio. “Então, vamos ao Santuário”, Caio disse, decidido. “A luta está apenas começando.”
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