O Santuário das Almas

1201 Palavras
O caminho para o Santuário das Almas era traiçoeiro e difícil. Enquanto Roderick liderava o g***o pela floresta densa, o ar parecia ficar mais pesado, carregado de uma tensão invisível. Caio sentia que cada passo os levava mais fundo no coração de Aelmor, e a sensação de que estavam sendo observados nunca os abandonava. A noite começava a cair quando eles chegaram à base das Montanhas de Vídar. Eram montanhas altas e sombrias, com picos cobertos por nuvens densas, e seus flancos eram tão íngremes que pareciam intransponíveis. “Estamos perto”, Roderick anunciou, parando por um momento para avaliar o terreno. “O Santuário das Almas fica em uma caverna no alto da montanha, mas o caminho é perigoso.” Caio olhou para os amigos. O cansaço estava visível em todos eles, mas, ao mesmo tempo, havia uma determinação silenciosa em seus olhos. Ninguém recuaria agora. Letícia, sempre atenta, aproximou-se de Roderick. “Que tipo de perigo estamos enfrentando?” “Existem criaturas antigas que habitam essas montanhas”, Roderick respondeu, sua voz grave. “Elas foram despertadas pela energia de Nirath e atacam qualquer um que tente se aproximar do santuário. Precisamos ser rápidos e silenciosos.” Tomás olhou para a montanha com uma expressão cética. “Ótimo, então além de lutar contra sombras, agora temos monstros gigantes? O que mais pode dar errado?” Caio tentou conter um sorriso nervoso. Mesmo nos momentos mais tensos, Tomás conseguia aliviar o clima. Mas a verdade era que ele também sentia o peso crescente da situação. Cada vez mais, eles se aproximavam de algo grandioso – e perigoso. Começaram a subir pelas trilhas estreitas, com Roderick liderando o caminho e Letícia logo atrás, suas mãos sempre prontas para sacar a lâmina. O som de suas respirações era o único som que quebrava o silêncio mortal das montanhas. Caio tentou se concentrar, mas sua mente voltava sempre para o que ele havia feito na floresta. O poder que havia sentido, a luz que emanou de suas mãos – aquilo ainda era um mistério para ele. Como ele poderia usar essa habilidade novamente? E se precisassem dela? “Está tudo bem?” Isadora sussurrou, caminhando ao lado dele. Ele hesitou por um momento antes de responder. “Eu não sei, Isa. Tudo isso... é demais. O poder, as profecias. E se eu não conseguir fazer aquilo de novo? E se eu falhar quando vocês mais precisarem?” Ela olhou para ele com uma expressão suave, os olhos brilhando com confiança. “Você não vai falhar, Caio. Eu sei que não. O que aconteceu antes foi só o começo. Você vai aprender a controlar esse poder. Eu acredito em você.” Suas palavras trouxeram um calor reconfortante ao coração de Caio. Ele olhou para ela, vendo não apenas a amiga de tantos anos, mas alguém que realmente acreditava nele. E, naquele momento, ele prometeu a si mesmo que não deixaria seus amigos na mão. Ele encontraria uma maneira de controlar o que estava dentro dele. De repente, Roderick parou bruscamente, levantando a mão em um gesto silencioso. Todos congelaram, atentos. Caio podia ouvir algo se movendo nas sombras, um som suave, mas inconfundível, como patas arrastando-se sobre a pedra. “O que é isso?” Tomás murmurou, os olhos arregalados. “Lúvores,” Roderick sussurrou. “Criaturas que guardam o caminho para o santuário. Eles caçam à noite e atacam em grupo.” “E como derrotamos esses lúvores?” Letícia perguntou, já pronta para a luta. Roderick olhou para ela com seriedade. “Com muita sorte.” Antes que pudessem formular um plano, uma das criaturas saltou das sombras, rápida como o vento. Era uma b***a grande, semelhante a um lobo, mas com olhos de fogo e garras afiadas como lâminas. O lúvor avançou sobre eles com um rosnado selvagem. Letícia foi a primeira a reagir, bloqueando o ataque com sua lâmina, mas o impacto foi tão forte que ela quase perdeu o equilíbrio. Outro lúvor apareceu, correndo em direção a Tomás, que gritou e rolou para fora do caminho, agarrando uma pedra para se defender. Caio tentou se concentrar, sentindo a adrenalina correr por suas veias. Ele sabia que o poder estava ali, mas não conseguia controlá-lo. Desesperado, ele olhou para Isadora, que também estava em posição de defesa, e sentiu a pressão aumentar. Eles não podiam falhar agora. Foi então que ele se lembrou do que Isadora dissera: ela acreditava nele. Isso era tudo que ele precisava naquele momento. Caio fechou os olhos, respirando fundo, e tentou deixar o medo de lado. Ele se concentrou na sensação que teve antes, aquela energia quente que havia surgido do nada. Um dos lúvores avançou sobre ele, mas antes que pudesse atacá-lo, a mão de Caio brilhou novamente. Dessa vez, a luz dourada era ainda mais intensa, e com um gesto firme, ele lançou um jato de energia diretamente na criatura. O lúvor foi arremessado para longe, soltando um grito agonizante antes de desaparecer nas sombras. “Você conseguiu!” Isadora exclamou, os olhos brilhando de alívio. Mas ainda restavam mais lúvores. Letícia estava lutando com outro, sua lâmina brilhando sob a luz da lua, e Roderick estava em combate com dois ao mesmo tempo. Era uma batalha feroz, mas, juntos, estavam conseguindo manter as criaturas afastadas. Caio olhou para seus amigos e sentiu uma onda de determinação. Ele agora sabia que tinha o poder dentro de si. Não estava mais sozinho. Com um novo gesto, ele lançou outro jato de energia, acertando mais uma das criaturas que avançava sobre Tomás. Roderick, vendo que a maré da batalha estava virando a favor deles, gritou: “Vamos! Não podemos perder mais tempo! O Santuário está perto!” Com os lúvores temporariamente afastados, o g***o voltou a correr pela trilha, o som das criaturas ainda ecoando atrás deles. Caio ainda podia sentir o calor em suas mãos, mas agora havia uma sensação de controle. Ele começava a entender como usar aquele poder. Quando finalmente chegaram a uma a******a na rocha, o Santuário das Almas se revelou. Era uma caverna antiga, com paredes cobertas por símbolos luminosos que brilhavam com uma luz suave e pulsante. O ar dentro da caverna era denso, quase sagrado, e Caio sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Este é o lugar”, Roderick disse, com uma reverência em sua voz. “Aqui, vocês encontrarão respostas.” O g***o entrou cautelosamente, e à medida que avançavam pela caverna, a luz nas paredes parecia responder à presença deles, pulsando em um ritmo cada vez mais rápido. No centro da caverna havia um grande altar de pedra, e sobre ele, um cristal brilhava intensamente, emanando uma energia poderosa e antiga. “Este é o Coração de Aelmor”, Letícia sussurrou, aproximando-se do altar. “É daqui que vem a força dos guardiões.” Caio sentiu o poder do lugar vibrar dentro dele. Tudo o que havia acontecido até aquele momento – as batalhas, as descobertas, os segredos – os trouxera até ali. O destino de Aelmor estava em suas mãos, e, pela primeira vez, ele sabia que estava preparado para o que viesse a seguir. Agora, a verdadeira jornada começaria.
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