Capítulo 1

1493 Palavras
Parabéns! Você cumpriu a missão: Pari O Futuro Rei com sucesso! Agora podemos começar oficialmente sua missão de: Eu Vou Torna-lo Um Rei Você aceita? — Isso realmente não é uma ilusão? — Ergi minha mão para o alto, tocando a tela azul que flutuava em minha frente, e consegui sentir uma forma sólida, mas frágil, como se fosse um espelho. — Isso é real? — Questionei a uma das empregadas que olhava para mim de forma assustada. — M-minha r-rainha... — a voz da jovem tremia de medo e sua cabeça permanecia baixa. — Você consegue ver isso? — questionei novamente, tocando na tela azul em minha frente. Meio relutante, a jovem levantou a cabeça para me encarar por um breve instante antes de olhar para onde meu dedo tocava. Percebi pela sua reação que ela não via nada e que estava se esforçando para tentar ver alguma coisa que claramente não existia para ela. A moça abriu e fechou a boca várias vezes, querendo muito falar, mas parecendo pensar bastante, voltou a ficar de cabeça baixa. Certo, era óbvio que ela não via nada. Provavelmente estou ficando louca. Sim, sem dúvida estou louca. Louca o bastante para imaginar todo um cenário medieval em que sou uma rainha e acabo de dar à luz a um príncipe que era segurado por uma das servas bem na minha frente. A criança possuía cabelos loiros e era tão pequena e pálida que eu facilmente podia pensar que era de porcelana, mas só em vê-la se mexer, lutando para se soltar suas mãos do manto que o cobria por inteiro, já me deixava inquieta, pois esse pequeno era de verdade e tão pequeno e lindo que me deixava confusa — É um menino muito saudável, vossa majestade, mas a senhora teve muita sorte. — O médico que permanecia ao lado do servo que segurava a criança encarando o rostinho do pequeno com atenção. — Onde a senhora estava com a cabeça em induzir um parto prematuro desse jeito? Tanto a senhora quanto o bebê corriam risco de vida. O tom do médico era sério, mas ainda mantendo sua voz baixa, como se tomasse cuidado para suas palavras não afetarem a figura de autoridade em sua frente. Eu o encarei, ainda com minha visão turva pelo cansaço, analisando suas roupas e sua aparência Para minha surpresa, ele não era alguém velho, como na maioria das histórias medievais contavam, ele era jovem, com aparência de uns 26 anos ou menos, e ao me encarar não demonstrava medo, e sim paciência Provavelmente a mesma paciente que demonstra para com seus pacientes mais novos. Me senti ofendida, mas permaneci quieta esperando que continuasse. — Por favor, peço que tome mais cuidado tanto com a sua saúde quanto com a do príncipe. — falou ainda mais sério na parte do príncipe. Por reflexo, meus olhos foram até o pequeno, que finalmente conseguiu soltar seus bracinhos e estava livre da manta, e isso fez com que a serva o envolvesse ainda mais para perto, com medo de que caísse. — Posso segurá-lo? — pergunto, ajeitando-o melhor na cama e, por reflexo, estendo meus braços em direção criança. O médico e a serva trocam olhares ressabiados ao meu pedido. Conseguia ver muito bem o medo deles em me entregar a criança, então eles ficaram presos, olhando um ao outro, discutindo em silêncio, e quando estava prestes a abaixar os braços, o médico finalmente acenou que sim com a cabeça. Esse único gesto fez com que a empregada viesse até mim e, com cuidado, colocasse a criança em meus braços, me instruindo em silêncio o jeito certo de segurá-lo. Aos meus braços, ele parecia ainda mais pequeno. Seu calor era forte sobre mim e tive a certeza de que era real. Esse pequeno príncipe era meu filho. Eu pari um filho mesmo sem me relacionar com nenhum homem durante os 20 anos que me dediquei ao trabalho. Olhei novamente para a tela azul, que somente eu via, e perguntei em voz baixa. — O que aconteceria se eu recusasse? Caso recuse a missão, sua morte será imediata. Deseja recusar a missão? Ok, acho que eu já esperava por isso. Acho que era a coisa mais natural que poderia acontecer, já que, levando em conta que eu morri e, de alguma maneira, eu estou possuindo esse corpo, minha alma não teria outra escolha se não ser forçada para o além. Sinceramente, não estou pronta para isso. Quero viver muito ainda, mesmo que seja nessa fantasia que pode ou não ser real. — Talvez seja mais fácil que ser médica. — disse em voz alta, fazendo com que o médico na minha frente franzisse a testa. — Está me insultando? — Quê? Não, óbvio que não! — falei rapidamente, tentando esclarecer esse m*l-entendido. — Eu sei que ser médico não é nada fácil, afinal eu também sou, quer dizer, fui — quer dizer! Queria! Se eu pudesse, eu seria uma médica, sem dúvida! Falei, ajeitando o bebê para mais perto do meu seio, e, como se risse de mim, ele me deu três batidinhas. O médico me encarava com seus olhos escuros e neles conseguia ver uma mistura de confusão, pena e divertimento pela minha reação. Senti vontade de me esconder embaixo da terra, mas me contive. Foquei na tela azul pedindo para aceitar a missão. Precisava resolver essa questão primeiro e, para isso, precisava ficar sozinha. — Por favor, gostaria que todos vocês se retirassem. — pedi, encarando um por um. — Quero ficar sozinha. — Por favor? — o médico repetiu, tão confuso quanto os outros. — Não me faça repetir. — disse, conseguindo finalmente criar um tom de voz autoritário que uma rainha provavelmente tinha. As servas não esperaram um a um, todas se curvaram antes de sair. A outra que me entregou o pequeno se aproximava para pegá-lo de volta, mas eu recuei. — Ele fica. — disse autoritária e a serva franziu a testa, querendo dizer algo, mas ela apenas se curvou e saiu. O único que ficou foi o médico que levantava uma das sobrancelhas. — Por favor? — Saia. — falei, perdendo finalmente minha paciência. O médico finalmente me obedece e sai. Finalmente estava sozinha. A criança cochilava em meus braços, completamente alheia de que eu não era sua mãe de verdade. Respirei fundo. Certo, tudo ao seu tempo. — O que acontece se eu aceitar? — perguntei, aproveitando que o quarto está em silêncio. Caso aceite a jogadora ganhará pontos e quando alcançar a margem de 10 bilhões de pontos poderá realizar um desejo. — Um desejo? Tipo qualquer desejo? Exatamente! — Tipo, qualquer coisa? Incluindo voltar para casa? — perguntei, sentindo meu coração pular de alegria ao ver a tela azul brilhando em minha frente com a resposta que sim. Quase pulei na cama, mas me comportei ao sentir o pequeno agarrando a minha roupa. Me alertando para não me mexer mais que o necessário. — Opa, desculpe, pequeno. — o ajeitei em meus braços outra vez e o vi grunir baixo. — O que acontece se eu falhar? A jogadora e o futuro rei morreram instantaneamente. Nossa... Olhei para o bebê em meus braços, admirando o quão tranquilo ele estava, sem saber que toda a minha vida dependia dele. Não, a minha não, a dele. Tudo dependia desse menino em se tornar um rei. O bebê grunhiu novamente, soltando bolhas pela boca. Tão fofo! Olhei para a tela azul e respirei fundo antes de clicar na tecla em aceitar missão. Muito bem! Agora a missão poderá começar oficialmente! Seja bem-vinda, jogadora, à história Sangue Nobre! Sua missão será fazer o segundo filho do rei, o próximo Rei! Sangue Nobre? Essa não é aquela história que tem um plot muito bom no primeiro livro e uma continuação péssima? Onde o segundo príncipe trama contra o rei e seu irmão para ganhar a coroa? Olhei novamente a criança em meus braços e fiquei nos seus cabelos loiros, quase prateados, como dizia a história. Se ele era o segundo príncipe, então eu... Tirei as cobertas sobre mim e corri para o espelho mais próximo da cama. O bebê em meus braços grunhia, ameaçando chorar, mas se manteve quieto. Enfrentei o espelho e vi meu reflexo pela primeira vez. Estava ciente, por estar em um outro mundo, de que o corpo não seria o meu e já estava esperando ter pelo menos a aparência de uma mulher entre seus 20 ou 30 anos, mas esse corpo era de uma jovem que não devia ter chegado agora aos seus 19 ou dezenove anos, talvez menos. O corpo que possuía tinha cabelos longos e loiros. Olhos vermelhos brilhantes iguais a rubis. Sim, essa é sem dúvida a mãe. A infame rainha Rosaria que manipulava tudo e a todos para ter o que queria. Uma mimada e sem escrúpulos. Sim, essa sem dúvidas era eu. Uma rainha. É uma futura mulher morta.
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