Subimos até a casa de antes.
Chase parou o carro, e então desci indo até o banco de trás sem nem fechar a outra porta.
Abri a porta de trás, e ajudei Ava sair com a Kira. Chase veio correndo também, e jogou uma chave para mim.
— Abre a porta! — Ele disse.
Então peguei as chaves e corri para abrir a porta. Quando dei espaço para passarem, Chase passou com a Kira nos braços e Ava correndo atrás.
Corri até a mesa e joguei tudo o que tinha em cima dela. Chase colocou a Kira em cima dela, e então Ava veio com uma caixa de Kit de socorros.
— Você está bem, Kira? — Questionei desesperado.
— Está só quase desmaiada, mas ela está bem. — Chase ironizou.
— Não falei com você!
Fui até o outro lado da mesa, olhei o braço ensanguentado da Kira.
— Foi de raspão. — Falei e suspiramos aliviados.
Chase se intrometeu e fez um curativo no braço da Kira. Ficou lá com ela, deu remédio, colocou até aquelas lanterninhas de médico nos olhos dela. A Kira até já se sentou, não está mais deitada na mesa.
Caminhei em direção ao sofá e sentei lá, fiquei refletindo sozinho.
— O Brando está morto. — Ava falou sentando ao meu lado no sofá.
— O que!?
— Ele quem atirou na Kira, acabei matando ele. — Ava explicou.
— Não tem problema, não vai fazer falta. — Dei de ombros depois que demorei responder. Aquele maldito está morto agora, puxa!
— Credo! — Ava riu e me deu um tapinha no braço.
— Elijah deve estar se revirando no túmulo agora. — Pensei alto.
— É.
Ava enfiou a mão no bolso do short que ela estava vestida por baixo do vestido e tirou um celular com a tela quebrada.
— Era esse o celular que o Robby nos deu. — Ava falou ligando ele e começando a mexer nele.
Me endireitei ao seu lado vendo o que ela ia encontrar alí.
Ava entrou na galeria, tinha umas fotos do Robby alí. E também tinha algumas de uma mão n***a com um relógio de ouro apontando para algum lugar, o topo de uma montanha, não sei.
— Olha os aplicativos de conversa. — Sugeri.
Ava entrou, e o primeiro contato da lista era do Liam. Nos encaramos e ela clicou na conversa. A foto estava lá, realmente era a mão do Liam na foto.
"De longe nem dá para vê, perfeito" Liam
"Me manda uma foto" Robby
"*Foto*" Liam
"Tem razão" Robby
— O que não dá para ver de longe? — Questionei encarando a Ava.
— Será que... — Ava ia falar algo mas foi interrompida por um barulho de buzina de carro.
Levantamos rápido, Chase também encarou a porta atento.
— Deve ser o Noah e o Dylan. — Ava falou baixinho.
— Mas por que eles buzinariam? — Questionei.
Ava pegou um revólver em cima da mesa e caminhou até a lateral da janela, afastou a cortina com cuidado e deu uma espiada no lado de fora.
Ela caminhou normalmente até a porta e a abriu. Ficou lá olhando para fora.
— É o Dylan e o Noah? — Questionei e ela não respondeu.
Olhei para Chase e para Kira ao lado dele, então caminhei até a porta.
— O que houve? Quem é? — Perguntei para Ava, mas ela só ficou em silêncio.
Virei meu olhar para a rua, vi um carro branco alí parado. Dele então saiu aos poucos uma mulher.
Meu coração quis sair do peito, o mundo sumiu em minha volta. Não sei o que eu senti, se a sensação de um alívio enorme ou se a maior felicidade que eu já senti em anos.
— Asher! — Emily gritou caminhando rápido e mancando em minha direção.
Quando percebi, eu já estava correndo em sua direção junto com ela. Minhas pernas foram automaticamente sozinhas.
O rosto dela tinha um corte no supercílio, ela me abraçou forte e não me deu tempo de vê o seu machucado. A abracei forte, sentindo seu abraço apertado e seu cheiro doce depois de anos.
Encostei minha testa na dela. Encarei seus olhos claros com as pupilas dilatadas me encarando de volta.
Emily segurou meu rosto nas mãos e me beijou. A apertei contra mim, toquei em seu rosto, senti sua pele novamente depois de tantos anos.
É uma emoção tão forte e gostosa, estou tão feliz de estar aqui com minha pessoa especial novamente, eu tenho sonhado todos os dias com esse reencontro, sempre que estou longe dela, a saudade bate muito forte, a ponto até de sentir a falta do toque dela, quando estamos juntos parece que estamos em um mundo perfeito, onde nada pode nos separar, somos tão perfeitos um para o outro, e eu nunca quero que esse momento acabe.
— Você está bem? — Questionei.
— Estou mil vezes melhor agora. — Ela sorriu próximo dos meus lábios e eu não pude deixar de retribuir.
Peguei Emily nos braços e a carreguei até dentro de casa, a coloquei no sofá. Me abaixei sentando no chão ao seu lado.
Emily começou a gemer de dor, seus olhos estavam marejados e ela se contorcia.
— Está tudo bem com ela? — Ava veio em nossa direção e questionou. — E aliás, quem é ela? — Sussurrou para mim.
— Meu tornozelo. Está doendo muito. — Emily reclamou em um grito.
Corri até o freezer, peguei um saco de compressas de gelo e envolvi em seu tornozelo.
— Está melhor? — Questionei e ela assentiu.
— O que diabos houve com você? — Ava questionou irritada.
— Para quê gritar assim com ela? — Repreendi Ava. Ela cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha para mim.
Emily estava com o supercílio cortado, e um hematoma na lateral do rosto surgindo. O rosto dela estava inchando.
— Vocês estão bem? Eu estava no meio da confusão, como vocês estão? — Emily questionou para Ava e para a Kira.
As duas se olharam e em seguida para Emily.
— Só a Kira que se machucou, mas estamos bem. Obrigada por perguntar. — Ava respondeu com um pouco de indiferença.
Arqueei a sobrancelha para ela tentando repreender ela. Por que ela estava tratando Emily assim?
— Você estava lá? Por que? — Ava questionou. A encarei novamente.
— Porque é a comunidade do meu pai. — Emily respondeu. — Vocês o viram? Ele está bem?
Ava e eu nos encaramos, fiquei sem reação. Não soube como falar isso para Emily, apesar de tudo era o pai dela. Ela o amava de qualquer forma.
— Emily... É que... — Segurei firme sua mão. — Ele... — Procurei as palavras mas elas não vinham. — Emily... Ele não... Não sei como falar isso para você, é que o Brando... Ele... — Eu não conseguia falar quando ela me olhava com aqueles olhinhos dela.
— Morreu. — Ava falou simples. Virei o pescoço para ela e a olhei com tanto ódio.
— Precisava contar assim? — Praticamente gritei.
Emily começou a chorar alto, chorava ao ponto de soluçar. A abracei forte em meus braços, ela escondeu o rosto no meu pescoço e me abraçou apertado.
— Meu pai... Ele está morto? — Emily repetiu várias vezes entre soluços.
— Eu sinto muito... — Sussurrei para ela todas as vezes em que ela repetia, a balançando em meus braços.