— Eu estou bem mãe, a gente está em um posto de gasolina agora. Não se preocupe, eu estou bem. — Eu repetia no telefone do orelhão diversas vezes mas minha mãe só sabia surtar. A voz dela estava arrastada, não sabia se chorava ou se comemorava.
— Quando vai voltar para casa? Me diga onde está, onde está comendo? Com quem está morando? — Ela fez mais outras séries de perguntas.
— Em breve lhe darei mais notícias. — Falei desligando o telefone logo em seguida. Coloquei o telefone no gancho e então saí andando até o carro.
Abri a porta do carro, entrei e fiquei alí com os outros esperando a Ava voltar do banheiro.
— Ela não teve um infarto, Kira? — Ash questionou batucando o volante.
— Não, ela ficou bem. — Respondi sem paciência. Pelo menos eu acho que ela está bem.
Depois que Ava voltou, Ash dirigiu até a comunidade do Chase. O caminho completamente o oposto do que costumávamos pegar.
Ash parou o carro em frente a comunidade, tudo exatamente quase a mesma coisa.
Chase desceu do carro, falou com os dois homens parados alí na frente. Então voltou para o carro novamente.
— Pode subir. — Chase falou para Ash.
Na medida que sabíamos, mais dava para ver algumas diferenças dessa comunidade para a do Ash. Normal não é? São povos e pessoas diferentes, culturas diferentes.
Chase instrucionou Ash até uma casa. Era uma casa grande, bem espaçosa e parecia bem cuidada.
Descemos do carro, e então ficamos alí em frente a ela.
— Fiquem a vontade. — Chase falou e então destrancou a porta.
Entramos na casa. Dylan e Noah se jogaram no sofá, Ash ficou inquieto.
— Precisamos discutir sobre o resgate. — Ash quebrou o silêncio.
— Como podemos encontrar ela? A gente invade a comunidade do Brando, quebra a cara dele e faz ele falar algumas coisa? — Dylan questionou.
— Não é uma má idéia. — Noah respondeu.
— Não, não é assim que vocês vão conseguir alguma coisa, idiotas. — Chase se intrometeu. — Alguém inofensivo aos olhos dele precisa ir lá falar com ele, em sinal de paz. Desarmado e sem más intenções.
— E então pergunta "a Kimberly está?" — Ava ironizou. — Ir lá é o mesmo que nada, fora que seria algum tipo de aviso.
— Não é para ir lá achando que vão dizer alguma coisa, é para ir lá recolher alguma prova. Vê se tem alguma coisa errada, se o Brando não estiver envolvido não tem porquê agir diferente. — Chase retrucou.
— Você tem um ponto. Mas o que faremos se encontrarmos alguma coisa errada? — Questionei.
— A gente investiga e arranca alguma coisa dele. — Chase respondeu.
— Ok, mas quem vai? — Dylan questionou.
Esse foi o momento que todo mundo se olhou, ninguém falou nada e todo mundo ficou se encarando em um completo silêncio.
— Eu posso ir. — Me voluntariei.
— É perigoso você ir sozinha. Eu vou com você. — Chase falou.
— Não era para ir uma pessoa inofensiva? Para o Brando a Kira é inofensiva, mas vendo você, ele não vai achar a mesma coisa. — Ash alfinetou Chase.
— Tem razão, e ainda o líder de uma comunidade vizinha. Com certeza não. — Chase baixou a guarda.
— Eu vou com a Kira, duas mulheres chegando lá, para o Brando vai ser o mesmo que dois cordeirinhos. Homens nunca se intimidam com mulheres. — Ava se voluntariou.
— Eu vou ficar aqui com o coração na mão, enquanto isso. — Noah falou e abraçou a Ava.
Entendi que ele quis dizer que vai ficar preocupado com ela. O Ash que não está muito preocupado, só fica olhando indiferente para o Chase toda hora, parece que esqueceu nossas condições.
— Vão se arrumar, vistam um vestido, passem aquele negócio que deixa as bochechas vermelhas... Como é mesmo o nome? — Dylan falou.
— Blush. — Revirei os olhos. Não entendo como características femininas pode nos deixar parecendo ainda mais indefesas.
— Vocês não vão sem segurança, se as coisas apertarem vai um exército de vapores lá se for preciso. Escondam uma escuta em vocês, algum lugar que não vão conseguir retirar. — Chase falou.
— Ótimo. Em algum botão da roupa é perfeito. — Falei.
Ava e eu fomos trocar de roupas. Sim, nós colocamos vestidos. Chase escondeu uma escuta entre um lacinho no meio do meu vestido, e na Ava acho que foi em um botão, não prestei atenção.
— Vocês vão usar o meu carro, tem GPS também. Se alguma coisa sair do planejado, falem alguma palavra como... — Chase falou. Aparentemente ele está super preocupado.
— Tarântula. Dificilmente vamos usar essa palavra para falar com o Brando. — Expliquei quando todo mundo me olhou indiferente.
Pegamos o carro, e enquanto descemos, olho para a porta da casa e estão todos alí nos vendo descer. Todos os homens ficando em casa e as mulheres indo para o abate. Estamos chegando Kimberly.
— Você vai ter que me segurar para não voar no pescoço dele. — Ava falou.
Fomos o caminho inteiro falando m*l do Brando e nas mil coisas que queríamos fazer com ele.
Quando finalmente chegamos, eu não sabia se suspirava aliviada ou se tinha uma crise de ansiedade.
Um dos homens veio até o carro, quando viu que eram duas mulheres realmente não se sentiu ameaçado. O Ash tinha razão.
— O que vieram fazer aqui?
— Viemos falar com o Brando, não é nada demais. Só um assunto pessoal. Pode dá uma olhada no carro se quiser, está só eu e a minha amiga. — Ava respondeu meio que afinando a voz. Eu quis rir.
O homem pediu a chave para abrir o porta-malas, e quando viu que não tinha ninguém lá, deixou que a gente subisse.
Ava subiu com o carro, eu olhava para cima e via homens armados em cima de algumas casas. Coloquei a cabeça para dentro do carro novamente.
A gente desceu do carro e seguiu em direção à uma casa, achei estranho entrar sem nem bater mais ignorei o que a Ava fez.
Tinham alguns homens alí dentro, embalando pacotes e... É, só embalando pacotes e fumando cigarro.
— Onde o chefe está? — Ava questionou.
Os homens voltaram a atenção para ela, e nos analisaram de cima a baixo.
— Vocês são as piranhas do Brando? — Um deles questionou. Riram, mas eu sei que falaram sério.
— Somos. — Ava respondeu na força do ódio.
Nos levaram de moto até uma casa bem "luxuosa". Descemos da moto e fomos até a porta da casa. Os homens que nos levaram abriram a porta e depois de entrar demorar um pouco e voltar, nos mandaram entrar.
Atenção aos detalhes Kira!
Passamos por uma grande sala, olhei para o sofá de costas para mim e vi apenas as pontas de um cabelo claro meio loiro. Estava assistindo desfile de moda. Uma mulher. Meu coração gelou, mas não podia ser a Kim.
— Onde o Brando está? — Questionei usando isso como desculpas para que ela virasse para nós.
Uma mulher, muito parecida comigo virou e nos olhou por cima das costas do sofá. Meio loira, pela delicada, rosto de anjo... Emily.
— Ele está lá em cima. — Ela me analisou. — Quem são vocês?
Eu continuava imóvel, paralisada, sem saber como reagir.
— Ninguém de importante. Vem Kira! — Ava me puxou.
Posso estar ficando maluca, mas tive a impressão da tal Emily sussurrar meu nome para si mesma como se me reconhecesse.
Subimos as escadas, e nem precisamos procurar bem. Um homem n***o, e muito parecido com o Liam estava no corredor.
— Ah, oi! Me avisaram sobre a ilustre visita de vocês, meninas. Como vão? — Brando caminhou em nossa direção.
— Oi, estamos ótimas. Adoraria perguntar como o senhor está, mas preciso perguntar sobre a Kim. Precisamos vê-la, não queremos nada, só vê-la. Duas mulheres indefesas preocupadas com a amiga, só queremos saber se ela está bem. E viva. — Ava falou forçando bem a voz, olhando para Brando realmente como uma mulher indefesa. Espero que no futuro possamos rir.
— A Kim está com o Liam, não? — Brando questionou meio debochado.
— Sim, ela está. E o Liam está aqui. — Me meti na conversa.
— Não, ele não está, mocinhas. Podem confiar em mim, ele não está! — Brando sorriu. No mesmo instante, sons de fogos de artifício ecoaram.
A Kimberly me ensinou que quando soltam de fogos de artifícios em uma comunidade, quer dizer que ela está em perigo. O perigo no momento deve ser eu e a Ava.
Dei alguns passos para trás, Ava me olhou e caminhou para trás junto comigo.
Corrimos pelas escadas quase tropeçando, passamos pela sala não vendo mais a Emily.
— Se eu não falar nada daqui a 5 minutos, vem com tudo. — Falei para a escuta no lacinho do meu vestido. Não citei nomes, melhor assim.
Tinham dois homens na rua, nos encaravam com o olhar malicioso. Esse é o momento que iremos praticar o que aprendemos. Já tínhamos em mente que isso ia acontecer, mas pelo menos já conseguimos algo. O Liam não está aqui.
Ficamos imóveis na porta, esperando a reação deles. Como não teve, caminhamos devagar até eles.
Tiraram um revólver da cintura, um deles disparou mas errou e o outro a Ava chutou a arma antes que ele conseguisse tirar da cintura direito.
Segurei a mão com o revólver do homem, e apontei para cima. Dois disparos para o céu ecoaram pela comunidade.
O impulsionei para baixo e dei várias joelhadas no estômago dele. Depois da Ava acabar com o outro, ela veio e puxou o revólver da mão dele.
Dei um soco nele, fazendo ele tombar para trás e cair. Dei um último chute no rosto dele fazendo ele desmaiar.
Ouvimos outro tiro, meu braço ardeu, tipo... Ardeu muito. Olhei para trás e vi Brando com um revólver na mão apontado em nossa direção, antes que eu pudesse pensar a Ava atirou no Brando fazendo ele cair no chão e não se mexeu mais.
Corrimos até ele, com dois dedos a Ava tocou no pescoço dele e balançou a cabeça.
Não deu nem tempo para que eu pensasse, ela me entregou o revólver de um deles depois de verificar as balas.
— Daqui até lá embaixo... A gente precisa chegar até lá embaixo, Kira. — Ava gritou correndo em direção a uma das motos dos vapores caídos.
Subimos em uma das motos e Ava acelerou muito. Para a nossa surpresa, o nosso carro estava parado alí próximo no meio da estrada dificultando a passagem, não precisou nem que ao mesmo a gente descesse muito.
Olhei em volta e não tinha ninguém. Estranhei.
A Ava parou a moto e então alguém saiu dalí de dentro. Fiquei em choque quando vi Robby ao lado do carro que viemos.
— Kira! Aqui! O carro de vocês, vão embora! — Ele gritou.
— A gente pode confiar nele, Kira? Ele conhece você. — Ava questionou.
— Não. A gente não pode. — Respondi.
Robby levantou as mãos para o alto, continuou lá ao lado do carro. Ele estava tenso.
— Não tenho muito tempo... Isso vai servir como um pedido de desculpas, Kira. Não tenho muito o que falar, só por favor... Confia em mim! — Robby falou desesperado. Ele estava atuando demais para alguém que estaria mentindo.
— Fala o que você quer! — Ava gritou. — Devem estar nos distraindo. — Sussurrou para mim.
— A Kim não está aqui! Peguem isso... — Robby colocou a mão no bolso e Ava tocou na arma presa em sua própria cintura. Robby colocou as mãos para o alto novamente e tirou um celular do bolso. Deixou em cima do carro. — Sei que não confiam em mim, mas peço perdão, Kira.
Robby saiu andando para longe do carro, ficou lá do outro lado da rua.
Ava e eu descemos da moto, e caminhamos com nossos revólveres apontados para ele. Olhei para dentro do carro e realmente não tinha ninguém dentro.
— Eu trouxe o carro para vocês. Vão embora! Antes que cheguem todos aqui! — Robby gritou.
Ava abriu a porta do banco do motorista e entrou depois de pegar o celular, antes que eu entrasse também, eu precisava perguntar muitas coisas. Mas não tínhamos muito tempo.
— Por que está fazendo isso? — Questionei desconfiada.
— Porque eles já iam me matar mesmo, e porque eu amo você. Me perdoa... Por tudo? — Robby pediu. — E porque eu quero fazer pelo menos alguma coisa boa na minha vida. Por favor, promete falar para a Abby minha irmã que eu a amo.
Fiquei encabulada com essa mudança repentina, na verdade não era bem uma mudança já que ele sempre agiu assim. Mas estava tudo tão estranho.
— Se estiver falando a verdade eu perdôo. Pode deixar, eu prometo. — Falei e então entrei no carro.
Ava pisou fundo no acelerador, deu a curva e desceu em alta velocidade.
Como senti uma sensação tão estranha, olhei para trás vendo Robby no meio da estrada nos vendo indo embora. Ouvi um disparo e ele caiu no chão.
Virei para frente novamente com o coração na mão. Minha respiração acelerou muito... Algumas lágrimas escorreram pela minha bochecha.
— Está tudo bem!? — Ava gritou. — Quem era ele? — Ela continuava acelerando e olhando para frente.
Robby está morto agora?... Eu não conseguia raciocinar direito.
Senti um soco forte no rosto, me despertando dos meus pensamentos. Olhei paga Ava que mexia a boca como se estivesse falando com raiva e eu não entendia nada.
— O que? — Minha voz saiu tão brisada que parecia que eu estava drogada.
— Acorda! Fica atenta! — Ava ordenou.
Voltei minha atenção para as janelas. Estávamos na metade do morro, faltava bastante para descer.
Ouvimos tiros, muitos tiros. Alguns acertavam o carro, mas não perfurava. Devia ser blindado.
— Merda! — Foi tudo o que eu consegui dizer. — Estamos bem, mas venham rápido. — Gritei para a escuta.
Olhei para frente e alguns homens armados estavam nas laterais da estrada, atiravam mas não adiantava nada.
Colocaram coisas para furar o pneu no meio da rua, mas a Ava fez uma manobra arriscada que bateu a lateral do carro em uma casa e fez com que eu batesse na porta do carro com força fazendo meu braço doer muito.
— O celular! — Ava jogou o celular que o Robby deu, no meu colo. — Vê o que tem nele, rápido!
Peguei o celular em minhas mãos, vendo minha mão cheia de sangue, estranhei porque não peguei nenhum tiro. Quando olho para o meu braço, vejo ele todo ensopado de sangue.
— Eu peguei um tiro!? — Gritei desesperada.
— Isso era o que eu estava falando igual uma louca! — Ava gritou furiosa. — Foi o Brando! Ele estava com um revólver, por isso atirei nele! Merda, eu matei ele!
Chegamos no final do morro, os dois homens que antes estavam alí agora se meteram na frente do carro atirando nos vidros igual loucos como se adiantasse de alguma coisa. Ava atropelou os dois.
Achando que já havíamos ganhado, Ava comemorou. Porém, na entrada haviam dois carros no meio de propósito. Ava bateu o carro neles. Lembro que com o impulso a gente bateu no painel do carro e tudo ficou escuro.
Tudo ficou em silêncio por uns instantes.
— Kira! Vamos sair daqui! — Ava me sacudiu e falou quase em um sussurro.
Olhei para o lado e vi aquela bolsinha no lugar do volante. A Ava está quase intacta e eu toda fodida.
Ava fez a volta no carro e abriu a minha porta me tirando lá de dentro com a minha mão em torno do pescoço dela.
Ela quase me arrastou até outro carro, me colocou no banco de trás e entrou.
— Kira! Você está bem? — Chase e Ash gritaram ao mesmo tempo.
Eu fiz um barulho na garganta que nem eu mesma entendi, a minha intenção era dizer "Humhum".
— Responde! Kira! Kira! — Ava deu algumas batidinhas no meu rosto.
— Eu estou bem! — Gritei sem paciência.
— Ela está sonolenta, não deixe ela dormir! — Chase gritou para Ava.
— Onde o Dylan e o Noah estão? — Ava questionou.
— Estão vindo no caminho já, vieram em outro carro. Devem estar com os vapores agora. — Ash respondeu.
Ouvi o barulho do carro ecoando em alta velocidade. De repente, vários tiros. Quebrou o vidro de trás.
— Merda! Abaixem! — Chase gritou.
— Tem carros nos seguindo. — Ash gritou.
Que péssima idéia de vim aqui, que merda. O celular! Eu não estou com a merda do celular, que p***a!
— Ava! O celular! — Falei alto. Não consegui gritar.
— Eu peguei, está comigo. Está com a tela quebrada mas está funcionando. — Ava falou me deixando mais tranquila.
— Que celular? — Ash questionou.
— Longa história! — Ava respondeu.
Ainda abaixada olhei para frente, vi pelo parabrisa vários carros parados lá na frente. Começaram a atirar nos carros que vinham atrás.
E então, os sons de tiros ficaram para trás. E Chase dirigiu até a comunidade dele novamente.
— Espero que Noah esteja bem. — Ava pensou alto.