Pela segunda vez naquela semana, Luís acordou antes de todos. O silêncio da casa fazia seu peito afrouxar um pouco, como se o ar estivesse mais denso sem a presença da mãe ou de Dani. Movia-se com cautela, tentando não fazer barulho enquanto preparava o café da manhã. Mas, no fundo, sabia que mesmo se derrubasse algo, ninguém se importaria. Depois de comer às pressas, pegou sua mochila e saiu, sentindo o ar fresco da manhã roçar seu rosto ainda marcado por hematomas. Os machucados já não doíam tanto, mas ainda estavam ali, testemunhas silenciosas dos dias anteriores. Nos últimos dias, Luís fazia questão de sair de casa mais cedo. Evitava qualquer encontro com a mãe e Dani — mesmo que tentasse esconder, alguns machucados eram impossíveis de disfarçar. Se eles notassem seria um grande pr

