Daniel continuava parado na porta do quarto de Luís. O ar parecia pesado, sufocante, como se cada partícula carregasse o peso da tragédia que se desenrolava diante dele. Seus pulmões recusavam-se a trabalhar direito, e cada respiração ardia em sua garganta, como se o próprio oxigênio estivesse contaminado pelo horror. A cena era um pesadelo do qual ele não conseguia desviar os olhos. O sangue parecia vibrar em sua visão, um vermelho grotesco que manchava o colchão e se espalhava lentamente, engolindo o tecido com uma voracidade silenciosa. O corpo de Eduardo jazia ali, os membros largados de maneira antinatural, a pele quase tão pálida quanto os lençóis manchados. O contraste entre a vida e a morte nunca lhe parecera tão gritante. No canto oposto do quarto, Luís estava encolhido contra a

