Acordei antes de abrir os olhos. Era o tipo de despertar onde o corpo já sabe quem está ali antes que a mente entenda. O calor no colchão ao meu lado, a respiração grave e compassada, e o cheiro dele. Aquele cheiro inconfundível de Salvatore: sabonete amadeirado, alguma coisa metálica e o fundo amargo do café que ele nunca toma com açúcar. E então veio o toque. Lento. Deliberado. Os lábios dele no meu pescoço, macios e firmes, desenhando beijos entre o meu ombro e a curva da clavícula como se estivesse escrevendo uma carta com a boca. — Bom dia, piccola — sussurrou, a voz ainda rouca de sono, arranhando bonito no meu ouvido. — Está na hora de comer. Abri os olhos com um sorriso sem querer. Estávamos de volta na mansão, no quarto grande, com a janela aberta e o som das folhas do jardi

