O chamado veio seco, sem rodeios: Marcello bateu na porta do meu quarto no meio da tarde, o rosto mais tenso do que nunca, a voz tão baixa que doeu. Disse apenas "seu pai quer ver você, agora". O coração disparou no peito, uma batida surda de pânico e raiva. Por um instante, quis não obedecer, fingir que não ouvi, mas sabia, todo mundo sabia, que era impossível desobedecer uma ordem do Don. Arrumei o cabelo às pressas, prendi os ombros para trás como se isso pudesse me dar alguma dignidade. Desci as escadas sentindo cada degrau ecoar no peito. O corredor que levava ao escritório parecia mais longo do que nunca, porta, uma barreira intransponível. Do outro lado, o silêncio reinava, um silêncio mais ameaçador do que qualquer grito. Quando entrei, meu pai estava de pé atrás da mesa, as mã

