Envergonhada. Surpresa. Assustada.
Essas palavras podem definir como estou nesse momento. Alex, parado atrás de nós, espera uma resposta minha. Me encara com um semblante sério, enquanto sinto-me envergonhada por ser vista falando dele. Minhas bochechas estão vermelhas, tenho certeza, e desejo sumir.
— Eu... — não consigo responder. Nenhuma frase é formada em meus pensamentos. Minha voz falha e eu me sinto envergonhada por ele escutar isso.
Eu deveria pedir desculpas?
— Estou meio ocupada. — diz Margot, saindo de mansinho. Lanço para ela um olhar suplicante, pedindo para que fique. — Vou deixá-los conversar. — sai em direção à cozinha.
— Então, Valentina. — chama minha atenção, após a saída da governanta. — Você não respondeu minha pergunta. É assim que você me vê? — repete.
Respiro fundo, tentando me acalmar, para conseguir responder. Ele ergue uma sobrancelha, esperando por uma resposta.
— Bom, sim. É assim que você se mostra, ao menos para mim. — dou de ombros.
Alex reflete um pouco sobre minha resposta. Caminha até a mesa, sua proximidade me deixando tímida, nervosa e envergonhada. Puxa a cadeira ao meu lado e senta-se, me observando durante todo esse tempo.
— Prossiga, Valentina. — suspiro.
— Você é estranho comigo, as vezes simpático, as vezes como se eu fosse sua maior inimiga.
— Eu tenho meus momentos ruins, Hale. — dá de ombros.
— Eu sei e te entendo, mas sinto que você me odeia, principalmente por eu estar na sua casa.
— Tenho que confessar, de início não gostei muito de saber que teria que morar com você. Não é nada pessoal, apenas gosto de ficar sozinho.
— Percebi. — murmuro, baixinho, mas não tão baixo para que não ouça.
Me arrependo quando percebo que ele escutou. Sinto minhas bochechas queimando e desvio os olhos de Alex, que dá um sorriso.
— Mas esse é meu jeito, Valentina. As vezes tenho meus momentos ruins e acabo descontando nas pessoas ao meu redor, mas não tenho nada contra você.
— Tudo bem, Alex. — sorrio.
— Vamos começar novamente? — me estende a mão e eu pego, em um cumprimento, mesmo estranhando sua simpatia repentina. — Sou Alex Heights, prazer em conhecê-la.
— O prazer é meu Alex, sou Valentina Hale. — sorri. — Posso fazer uma pergunta?
— Claro.
— Por que você não está na delegacia? — ergue a mão e mostra-me uma pasta amarelada, tão familiar para mim. E o nome, Caso Hale, gravado na parte inferior, me dava a certeza. Era sobre mim.
— Esqueci em casa, passei aqui para buscar.
— Como está o caso?
— Temos alguns suspeitos.
— Pode me falar mais? Ou há algum sigilo? — questiono. — Eu só... Quero saber o que está acontecendo.
— Entendo, Hale. — sorri fraco. — Prometo contar tudo mais tarde, certo?
— Tudo bem.
— Acho melhor eu ir. — confere o relógio no pulso e se ergue. — Até mais, Valentina.
— Até mais, Alex.
×
Me estico na cadeira da escrivaninha da biblioteca, finalmente havia terminado a revisão de um livro que eu estava fazendo. Após o café e a conversa com Alex — apesar de ter sido poucas palavras, aquilo foi a maior conversa que já tivemos —, Margot me mostrou a casa, além de me ajudar a guardar minhas coisas no closet.
Me contou um pouco sobre sua vida. Viúva, mãe de dois homens — com 26 e 29 anos —, que vivem em Nova York. Começou a trabalhar com os pais do Alex há mais de 20 anos, quando eles haviam se casado. Seu marido, um militar americano, morreu em combate há 23 anos. Coube à ela trabalhar dobrado para sustentar a si mesma e seus filhos.
Fiquei admirada com sua trajetória e, acima de tudo, por sua força, determinação e trabalho, para dar tudo de melhor aos filhos. Soube que eles virão visitá-la, sempre vêm, pois são apegados à mãe.
Após arrumarmos o closet, vim com Hades até a biblioteca, para poder trabalhar. Agora, 19:00, finalmente consegui terminar esse trabalho, ganhando de recompensa fome, dor de cabeça e um gatinho preguiçoso dormindo sob minhas pernas. Tiro Hades delicadamente do meu colo e coloco em um sofá confortável que havia ali perto, ele apenas se acomoda melhor e volta a dormir.
Arrumo as minhas coisas e as deixo ali na escrivaninha mesmo, afinal irei usá-las novamente amanhã. Vou até meu quarto e pego um comprimido, engulo ele e vou até o banheiro, tomando um banho relaxante e demorado.
Enrolo meu corpo na toalha e volto ao quarto, mas me assusto quando Alex entra no quarto, fazendo com que eu aperte mais a toalha ao redor do meu corpo.
— Eu... Desculpa, posso voltar depois. — fala, visivelmente constrangido.
— Não, tudo bem. — sinto meu rosto queimar, pela vergonha. — Aconteceu algo? — pergunto, preocupada.
— Na verdade, vim te convidar para jantar comigo. Margot pediu para sair mais cedo hoje... — diz, um pouco envergonhado.
— Claro, só vou me trocar.
— Ok, te espero lá em baixo. Desculpa. — sai do quarto, fechando a porta em seguida.
Vou até o closet e pego um vestido preto e uma bota da mesma cor. Me arrumo rapidamente, pois estou com fome e não quero atrasar nosso jantar. Pego meu celular e desço até a sala, vendo Alex sentado de costas para mim.
O terno, perfeitamente alinhado porém com os dois primeiros botões da blusa aberto, deixando algumas de suas tatuagens a mostra o deixam mais sexy do que já é. Seu cabelo está perfeitamente penteado e seu perfume adentra minhas narinas.
Como esse homem ficou pronto assim tão rápido? — penso.
— Alex? — chamo, já nos últimos degraus da escada, atraindo sua atenção.
Ele se aproxima, me permitindo observar cada detalhe do seu rosto com perfeição. Os cabelos negros, de um castanho tão escuro que poderia ser facilmente confudido com preto. O maxilar marcado, a barba por fazer, as sobrancelhas desenhadas. Suas íris esverdeadas, brilhando. A tatuagem discreta, no seu pescoço. O sorriso belo, evidenciando as covinhas.
Paro no lugar onde eu estou quando seu corpo másculo se aproxima, seu braço envolve minha cintura e seu rosto se aproxima do meu, nossas bocas a centímetros de distância.
Meu corpo se arrepia com sua proximidade, a única coisa que consigo fazer é encarar seu rosto lindo, que tem os olhos voltados à minha boca. Ele direciona os olhos aos meus e sorri para mim.
Esse homem é uma tentação! Senhor Deus!
— Vamos, Valentina?