— Ok, me fala mais sobre você. — peço, enquanto pego mais uma batatinha.
— O que você quer saber, Valentina? — pega a cerveja, dando um gole e se acomodando melhor no assento, olhando para mim.
— Idade?
— 28.
— Família?
— Tenho apenas uma irmã, 3 anos mais nova que eu, ela é médica voluntária no Congo. Meus pais moram em San Francisco, se mudaram quando minha irmã entrou na faculdade.
— Você sempre gostou de morar aqui?
— Pra ser sincero, sim. — dá de ombros. — Fiz faculdade em Nova York e morei lá por uns meses após a conclusão, mas acabei voltando.
— Nunca quis trabalhar lá?
— Era meu sonho. — suspira. — Mas tive uma oportunidade de trabalho em Healdsburg, me adaptei ao lugar e hoje me sinto feliz aqui. É calmo, tranquilo e tenho a Margot comigo.
— Alex?
— Oi.
— Quem era a garota do porta retrato? — pergunto, apreensiva. Quando questionei Margot, pela tarde, ela preferiu não responder.
"Esse é um assunto delicado, não vamos falar sobre isso. É algo dele, não posso dizer." — disse ela, fugindo da pergunta.
Alex desvia o olhar do meu rosto, visivelmente incomodado.
— Me desculpa, eu...
— Ela é minha ex namorada. — me interrompe e começa a explicar. — Nos conhecemos no ensino médio, éramos da mesma turma e saíamos as vezes, acabamos nos apaixonando e eu a pedi em namoro.
— Vocês terminaram?
— Na verdade, ela morreu em um acidente. — dá um gole na cerveja.
O Alex sorridente e feliz que conversava comigo mais cedo deu lugar ao Alex frio, arrogante. Me arrependo no mesmo momento de ter perguntado.
Parabéns pela curiosidade, Valentina.
— Desculpa. — sussurro.
— Tudo bem.
— Pode me falar sobre o caso? — peço, na tentativa de fazê-lo esquecer sobre o assunto delicado da pergunta anterior.
— Claro. O que desejas saber?
— Como estão as investigações?
— Um pouco complicadas. — suspira. Parece abatido, creio que esse assassino está sendo um caso complicado demais para todos. — Estamos sem pistas, ou até mesmo evidências. Sem suspeitos. Começamos a procurar pelas pessoas que já tiveram algum desentendimento com você. Seu ex namorado, Josh, é um exemplo.
— Ele é inocente, não é? — assente.
— Os resultados saíram no fim da tarde. Pelo que sabemos sobre você, não é uma pessoa com muitos desentendimentos, não temos muitos suspeitos.
— É realmente difícil. — suspiro.
— Mas nós vamos pegá-lo, tenho certeza. Os policiais que estão fazendo sua segurança estão observando cada movimentação suspeita ao seu redor, além dos homens designados para as rondas na floresta.
— Espero que dê tudo certo.
— E vai.
×
Saímos da lanchonete após comermos, indo em direção ao carro estacionado em frente ao estabelecimento. Desatenta, tropeço na calçada, fazendo eu me desequilibrar, mas sou amparada por Alex.
Suas mãos seguram firme minha cintura e seu rosto está próximo ao meu, nossas respirações se misturando, meu corpo arrepiado com sua proximidade.
— Vamos dar uma volta? A noite hoje está linda. — sorri, observando o céu. Eu apenas assinto.
Estranho, poucos minutos atrás ele estava com raiva ou magoado por o assunto da sua namorada, enquanto agora está simpático e sorridente. As vezes acho que ele é bipolar.
Alex solta meu corpo e estende seu braço para mim, enlaço meu braço no seu e começamos a caminhar pelas ruas tranquilas de Healdsburg. Alguns minutos em silêncio, aproveitando a companhia um do outro, até que resolvo quebrar o silêncio.
— Desculpa por falar sobre sua namorada mais cedo, eu não sabia. — sinto meu rosto corar quando ele olha nos meus olhos.
— Está tudo bem, Valentina. Não se preocupe. — sorri para mim, revelando suas covinhas.
Como esse homem pode ser tão lindo? — penso.
— Falamos muito sobre mim hoje, fale sobre você agora.
— Alex, tenho certeza que você tem um relatório com informações até sobre quantas vezes fui no banheiro em um dia. — rimos.
— Nem são tantas informações assim, é só o básico. — ergo uma sobrancelha, ele ri. — Eu sei um pouco, apenas. Nada tão pessoal. Aliás, você vai muito ao banheiro.
— Alex! — protesto, indignada.
— Brincadeira. — rimos. — Fale mais sobre você, seus gostos, sonhos... — dá de ombros.
— Bom, maioria da minha vida você sabe, então não preciso mencionar. Sou apaixonada por livros desde pequena, quando morava no orfanato, maioria do meu tempo passava na biblioteca.
— Uma antissocial?
— Digamos que sim. Eu apenas preferia livros, pessoas são muito complicadas.
— Concordo. Então por isso escolheu literatura inglesa para cursar? — assinto.
— Minha autora favorita é Jane Austen, gosto de filmes de terror e sempre quis adotar um cachorro. Meu sonho é viajar o mundo, principalmente ir à Grécia.
— Acho que no fundo, todos sentimos vontade de viajar o mundo, conhecer novos lugares, pessoas, culturas... — Alex para de repente, olhando ao nosso redor. — Valentina, tem alguém nos seguindo.
— E agora? — aperto mais seu braço, nervosa.
Não pode ser esse maldito sequestrador, não pode.
O ar parece fugir dos meus pulmões, enquanto meu coração acelera. Precisamos ir embora.
— Fica calma. Estamos perto do estacionamento, podemos voltar para lá. — escuto passos próximos a nós e ele pega a arma no coldre, escondido por baixo do blazer. Solto meu braço do seu e ele pega na minha mão, segurando firmemente. — Vamos.
Saímos correndo, tentando chegar ao carro o mais rápido possível. Olho ao redor o tempo inteiro, tentando ver quem é, mas não vejo nada. Quando chegamos ao carro, Alex o destrava e eu entro.
— Hale, fica aqui. Não sai. — fala, encostando minha porta e saindo antes que eu possa falar algo.
Sinto uma angústia em pensar que ele irá atrás dessa pessoa, sozinho, podendo se machucar. Fico mais tranquila ao ver um de seus seguranças — os quais nem percebi a presença, pois são muito discretos — indo até ele, para ajudá-lo na busca. O outro fica próximo ao carro onde estou, para que ninguém se aproxime.
Os minutos de espera por eles me deixam nervosa, enquanto eu cogito a ideia de ir atrás de Alex. Não consigo controlar a ansiedade que me domina, me fazendo balançar a perna, nervosa.
Eles voltam alguns minutos depois. Os seguranças entram em um SUV preto, estacionado ao lado. Alex entra no veículo onde estou, com a arma já guardada no coldre. Ele me olha, verificando se estou bem e faço o mesmo com ele, que suspira, frustrado.
— Você está bem? — pergunto.
— Sim. Achei que finalmente o pegaríamos. — respira fundo. — Você está bem? — assinto. — Vamos sair daqui então.