A volta para casa, ao contrário da ida para a lanchonete, foi em um silêncio absoluto. Enquanto Valentina observava pela janela, perdida em pensamentos, eu tentava me concentrar na estrada. Tentando, durante todo tempo, não pensar em quem nos seguiu. Não pensar em como estive perto do assassino, mas ele escapou.
Eu me sinto como um inútil. Ele foi mais ágil, fugiu dali rapidamente. E voltamos ao início, sem pistas ou algo que nos leve ao culpado.
Ao estacionar, Valentina desce do carro e me dá boa noite, antes de entrar em casa. Ela parece cada dia mais afetada por todo esse caos que está ao seu redor, cada dia mais quieta. E para ser sincero, entendo seu lado.
Além de saber que há uma pessoa atrás dela, soube que algumas pessoas na cidade estão mandando mensagens para ela, como se fosse a culpada por tais atrocidades, após uma postagem em um blog local. Ela está sofrendo com tudo isso e as pessoas ainda a culpam, como se fosse ela a pessoa por trás desses crimes. Houve inclusive ameaças, para que ela saia da cidade. Alguns dos nossos policiais já estão cuidando desse caso.
Mando uma mensagem para Jared, pedindo para que venha até aqui. Pergunta se está tudo bem, mas eu o respondo que explicarei quando chegar. Cumprimento os seguranças e vou para meu escritório, sentindo a dor de cabeça, tão comum nos últimos dias, voltar. É o resultado de noites de sono m*l dormidas, muito trabalho e estresse.
Tomo um remédio, dos que guardo na gaveta da minha mesa. Ligo o computador e organizo os papéis.
— Oi. — cumprimenta Jared, ao chegar.
— Chegou rápido.
— Estava em um bar aqui perto. — dá de ombros. — O que houve? Para me chamar à essa hora, deve ser grave.
— O assassino estava atrás de nós. — ele fica supreso.
— Me explica isso melhor. O que houve? Vocês estão bem? — fala rápido, me deixando um pouco confuso.
— Fomos em uma lanchonete aqui perto, Margot saiu mais cedo e precisávamos jantar. Ao sair, para dar uma volta, percebi que havia alguém atrás de nós.
— Onde foi isso? — questiona, com o celular em mãos.
— Próximo ao j**k's.
— Irei dar um jeito de acessar as câmeras de segurança da região. — assinto. — Conseguiu ver algo que nos ajude?
— Não. A pessoa estava bem escondida, estava escuro. Não vi nada. — suspiro, frustrado.
— Posso verificar se nosso suspeito, Josh, tem um álibi.
— Jared? — desvia os olhos do celular, focando em mim. — Investigue se Aidan, melhor amigo da Valentina, tem um álibi.
— Você não acha que...? — não completa a pergunta.
— Algo me diz que sim. Creio que ele é culpado.
— Não sei, Alex... — suspira. — Vou investigar. Amanhã terei as respostas.
— Qualquer coisa me ligue. Irei trabalhar aqui. — assente, se levantando.
— Certo. Dê um beijo na loirinha por mim. — ele ri e reviro os olhos.
— Some daqui.
×
Não dormir pela noite mais uma vez e me concentrar totalmente em um caso resulta, mais uma vez, em sono, irritação e dor de cabeça. E com o estresse do trabalho, horas concentrado nesse caso, a situação piora. Ao menos, em pouco tempo, irei para casa descansar.
Ao sair de casa, pela manhã, não troquei mais que duas palavras com Valentina. Além de estar estressado por uma noite inteira observando papéis, percebi que ela estava aparentemente cansada. Não quis prologar nossa conversa.
Nesse momento, o foco deve ser a perseguição noite passada, tentar descobrir algo que possa nos ajudar. Não há nenhuma pista, nenhum rastro ou evidência, nosso tempo está passando e sinto que esse assassino está cada vez mais próximo de Valentina.
— Olá, cara. — cumprimenta Jared, ao entrar na minha sala. Como sempre, de bom humor. — Como foi sua noite?
— h******l. — faz uma careta.
— Posso perceber, você está péssimo. — dá de ombros.
— Você veio até aqui para me criticar, é sério? — questiono, irritado.
— Quis entregar o que conseguimos. — estende para mim uma pasta amarelada. — Deu um certo trabalho, mas eu falei que iria conseguir. Eu sei que prometi para manhã, mas foi difícil conseguir as imagens.
— Bom trabalho. Obrigado.
— Você estava certo. — diz, fazendo uma careta. — Detesto admitir isso.
— O que houve? — questiono, observando o conteúdo da pasta. Fotos, imagens de câmeras de segurança, no mesmo horário em que fomos observados.
— Olhe atentamente. — aponta para a pessoa na primeira foto. Aidan, melhor amigo de Valentina. — Foi visto no quarteirão onde vocês foram seguidos, no mesmo momento em que você relatou que tudo aconteceu.
— Já era de se imaginar. — digo, baixo.
— Fizemos um relatório sobre ele. — aponta para uns papéis, na mesma pasta. — Nenhuma passagem pela polícia, nenhum problema com a justiça.
— Vou dar uma olhada. — aponto para outra foto. — E esse?
— Simon Carter, morador da região. Uma passagem pela polícia por roubo, sete anos atrás.
— As câmeras daquela rua, não mostraram nada? — n**a.
— Nada foi visto. Quem quer que tenha sido, sabe o que faz. Nenhuma prova, nenhum rastro. Absolutamente nada que nos leve ao culpado. — suspira.
— Isso me deixa preocupado. — confesso. — Ele está atrás dela. Está vigiando, cercando, buscando um meio de encontrá-la.
— Acha que é melhor aumentar a segurança?
— Talvez. — meu celular vibra, indicando uma ligação. É Paul, o chefe da segurança. Para me ligar, algo deve estar errado.
— Chefe? — sua voz ressoa no outro lado da linha.
— Oi, Paul. Algum problema?
— O senhor Scott, amigo da senhorita Hale, está aqui. — comuninca. — Acabei de vê-lo.
— Obrigado por avisar. Estou indo. — encerro a chamada, pegando minhas chaves.
— Para onde você vai, cara? Está tudo bem? — questiona Jared, preocupado.
— Estou indo para casa.