Capítulo 15

897 Palavras
- Não achei que fiquei tanto tempo fora – digo. Ela dá um meio sorriso incrédula. - Acha cinco dias pouco tempo? Então fazia cinco dias que Katerina não voltará para casa, penso. - Estava resolvendo alguns assuntos. - Sempre essa desculpa – Ela caminha em direção da cama, afastando as cobertas para se deitar – Pelo menos da próxima vez, avise que está viva. Entro no banheiro composto por duas pias, um lado claramente sendo de Adele pela organização e do outro... Tiro o vestido que vestia, sentindo os músculos dos meus ombros relaxarem no contato com a água quente. Me sentia diante de um quebra-cabeças de mil peças, cuja as peças não faziam nenhum sentido. Uma camisola transparente vinho me esperava ao lado do boxe, ao terminar meu banho. Deixo o banheiro em direção á cama, imaginando ao deitar, como era a vida de Katerina e como havia chegado até ali. Na manhã seguinte quando acordo, Adela não está mais na cama. Sento na cama diante da oportunidade de procurar mais uma peça daquele quebra-cabeça, começando por vasculhar o móvel do lado da cama. Nele havia apenas alguns documentos, incluindo passaporte e um álbum de fotografias com fotos de Aide e Adele. No final do álbum, havia uma fotografia da Katerina como lembrava ao lado de um rapaz n***o, cujo sorriso lembrava o de Aide. Tiro a foto do álbum, olhando o verso, onde em caneta estava escrito: Alejandro Miguel López Martínez, 2014. Coloco a fotografia no lugar e o álbum de volta no álbum, pesquisando o nome na internet. Alejandro havia se tornado deputado a pouco mais de um ano, juntamente com seu pai, Juan Carlos, que havia ganhado as eleições prometendo acabar com os Cartéis e a consequente a criminalidade. Não que precisassem do dinheiro ou realmente se importassem com a criminalidade que só crescia nos últimos meses. Juan Carlos havia conseguido sair da pobreza após se casar , ganhando com o casamento alguns milhares de pesos mexicano. Mas com certeza por trás da candidatura, até mesmo de Alejandro que parecia não ser adepto a profissão, escondiam algo e isto me fez apostar minhas fichas que ambos tinham haver com a morte de Katerina . - Vai sair? – Adela pergunta, quando caminho em direção da porta. Olho para Aide, que me olhava sentada na sala de jantar diante de seu café da manhã. - Não vou sumir, prometo – murmuro, deixando o apartamento. Era complicado andar de salto e com um vestido tão justo, principalmente quando se estava com pressa. Entro no primeiro táxi que para, lhe dando o endereço da Câmara dos Deputados. Não sabia exatamente o que estava fazendo, agia por impulso e com uma ideia fixa em minha mente que, se tivessem mesmo participação no assassinato de Katerina, ficariam surpresos em vê -la sã e salva, não é? Desço do veículo após a corrida, um segurança ao lado de fora do prédio sorri de canto, inclinando a cabeça para frente, cumprimentando-me. - Ainda não chegaram, se é que me entende – diz olhando ao redor – Pode esperar lá dentro, se quiser. Já é de casa. Sorrio em agradecimento, passando por ele. Alguns minutos se passam, até que uma limusine para diante do prédio, seguida por um carro comum de onde descem seguranças. Observo Alejandro descer do veículo, diferente da fotografia de cinco anos atrás. Deduzi que malhava, por causa dos músculos definidos do braços em baixo do terno preto, ainda mantinha o cabelo no estilo quase raspado e possuía o mesmo brilho no olhar. Juan Carlos era o oposto do filho, estava acima do peso e o cabelo era completamente grisalho. Como nas fotos da internet, a expressão era intimidadora, mas tinha pra mim que conseguia ser a melhor pessoa se quisesse. Ambos diminuem os passos ao me ver, inicialmente a expressão de Juan Carlos se tornou de surpresa, seguida por incredulidade. Alejandro apenas estreitou os olhos pretos, tornando os lábios em uma linha reta séria, como se a última pessoa que quisesse ver naquele momento, fosse Katerina. - O que está fazendo aqui, Katherine? – diz Alejandro, se aproximando, segurando com força meu pulso. Sustento seu olhar, analisando sua expressão. - Isto são modos com uma dama, Alejandro? – diz Juan Carlos, fazendo com que Alejandro desse um passo para trás – Como vai, señorita Firce? O que a traz aqui? Katherine? Firce?, penso. Dou um dos sorrisos de Katerina, cruzando os braços em frente ao corpo. - Estou muito bem, obrigada – digo desviando o olhar para Alejandro – Estava passando por aqui e decidi fazer uma visita para Alejandro. - Meu único assunto com você, é sobre Aide – diz ele sério - E falando nisso, onde ela está? - Na escola. - Se me dá licença, tenho que trabalhar - diz Juan Carlos com um sorriso forçado, passando por nós em passos largos. - Se é dinheiro que quer... - Não vim atrás de dinheiro - digo automaticamente. Ele franze o cenho. - Então por quê veio? - Como eu disse, estava passando por aqui por perto. Caminho em direção da saída. - Espero que não tenha esquecido que este final de semana é meu – diz em bom som – Amanhã estarei no parque, não se atrase. Paro, enchendo os pulmões de ar, deduzindo que se referia á Aide, voltando a caminhar.
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