capítulo 36

1697 Palavras

CORVO (narrando, no alto do morro) Dizem que o tempo cura. Mentira. O tempo só ensina a esconder melhor. Aqui em cima, olhando pro mundo que sempre me virou as costas, tudo volta. E hoje… eu deixei voltar. CORVO (voz pesada, confessional) Eu tinha oito anos quando acordei com o grito da minha mãe. Corri descalço até a sala. Ela tava caída, com o rosto sangrando. Meu pai… O mesmo homem que me ensinava a amarrar o cadarço… tava por cima dela, berrando. Bêbado. Descontrolado. Monstro. Aquilo foi a primeira vez que vi alguém apanhar até desmaiar. Não foi a última. CORVO (narrando) Eu tentei defender ela. Peguei um pedaço de p*u, bati nas costas dele com toda força que um moleque podia ter. Ele me olhou… E naquele olhar, eu vi o ódio. Mas não era por mim. Era por ele mesm

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