ISABEL Ele pegou o celular no bolso e mostrou a tela acesa, deslizando os dedos lentamente como se procurasse algo. Depois, olhou para mim, os olhos carregados de um aviso mudo. Homem: — Se eu mandar tua foto pros caras lá embaixo, será que alguém te reconhece? Ou vou descobrir que você vale mais do que tá fingindo? O pânico subiu pela minha garganta como um grito preso. Não podia deixar que ele fizesse isso. Mas também não podia demonstrar desespero. Ele deu mais um passo, tão perto que senti o cheiro de nicotina e couro queimado. Homem: — Então, anjo… tem certeza que não quer me contar a verdade? O silêncio se arrastava como uma sombra viva, preenchendo cada canto da sala. Eu não conseguia mover um músculo. Estava presa ali, entre o sofá áspero e o olhar dele, que parecia carregar

