CAPITULO 6

1775 Palavras
Ana segurou a xícara entre as mãos, sentindo o calor suave se espalhar por seus dedos. O aroma familiar do café misturado à presença de Lucas tornava aquele momento ainda mais significativo. Por tanto tempo, os dois haviam caminhado em círculos, tentando entender o que realmente queriam, e agora parecia que, finalmente, tinham encontrado uma resposta. — E agora? — Ana perguntou, sua voz baixa, mas carregada de curiosidade. Lucas inclinou a cabeça ligeiramente, observando-a com um olhar pensativo. — Agora? — ele repetiu, um sorriso brincando nos cantos dos lábios. — Agora nós seguimos em frente. Ana riu suavemente, balançando a cabeça. — Sim, mas... como? Quer dizer, ainda temos desafios pela frente. Meu novo cargo no hospital, sua possível mudança. Como vamos fazer isso funcionar? Lucas respirou fundo, olhando para a mesa por um breve instante antes de voltar a encará-la. — Eu pensei muito nisso enquanto você estava fora — ele admitiu. — E percebi que talvez a solução não seja tentar encaixar as nossas vidas em um molde perfeito, mas sim aprender a nos adaptar um ao outro. Ana absorveu suas palavras, sentindo uma onda de alívio e esperança se espalhar por seu peito. — Isso faz sentido — ela murmurou. — Não precisamos ter todas as respostas agora. Só precisamos estar dispostos a encontrar um caminho juntos. Lucas assentiu, apertando levemente a mão dela. — Exatamente. Não importa onde estejamos ou o que aconteça, eu quero que a gente continue construindo isso. Devagar, com paciência, mas sempre seguindo em frente. O coração de Ana bateu mais forte diante daquela declaração. Havia algo em Lucas que sempre a cativara — sua determinação, seu olhar intenso, a maneira como ele sempre buscava ter controle sobre tudo ao seu redor. Mas, pela primeira vez, ele parecia disposto a abrir mão dessa necessidade de controle por algo maior: eles dois. — Eu gosto disso — Ana disse, sorrindo. — Gosto da ideia de que estamos aprendendo juntos. Lucas retribuiu o sorriso, inclinando-se um pouco mais para perto. — Então, que tal começarmos de verdade? Um jantar, sem preocupações, sem incertezas. Apenas nós dois. Ana piscou algumas vezes, surpresa. — Você está me chamando para um encontro? Lucas riu, o som grave e reconfortante preenchendo o espaço entre eles. — Sim. Acho que já era hora, não acha? Ana riu junto com ele, sentindo uma leveza que há tempos não experimentava. — Acho que sim. Lucas pegou o celular e começou a digitar algo rapidamente. — Vou fazer uma reserva em um restaurante que eu gosto. Nada muito sofisticado, mas com uma boa comida e um ambiente tranquilo. Ana ergueu uma sobrancelha. — Está planejando isso tão rápido assim? Ele deu de ombros, ainda sorrindo. — Não quero dar espaço para dúvidas. Quero que seja algo real, que marque o começo dessa nova fase. Ana assentiu, observando-o com carinho. A mudança em Lucas era perceptível, e ela sabia que não era apenas por causa dela. Ele estava se permitindo sentir, se permitindo arriscar — e isso era algo que fazia toda a diferença. — Então, está combinado — ela disse, pegando sua xícara de café e erguendo-a levemente, como se estivesse fazendo um brinde. — Ao nosso primeiro encontro oficial. Lucas fez o mesmo, tocando sua xícara na dela antes de levar o café aos lábios. — Ao nosso começo — ele respondeu, olhando-a com uma intensidade que fez o coração de Ana disparar. E, naquele momento, ela soube que, independentemente dos desafios que ainda enfrentariam, estavam prontos para seguir juntos. Ana sentiu um frio na barriga enquanto observava Lucas terminar de digitar no celular. A ideia de um encontro de verdade, depois de tantas incertezas e tentativas de se entenderem, parecia ao mesmo tempo empolgante e assustadora. Ela nunca tivera dúvidas sobre seus sentimentos, mas agora, com tudo acontecendo de forma tão concreta, a realidade se tornava palpável. — Pronto — Lucas disse, guardando o celular no bolso e voltando sua atenção para ela. — Reserva feita para amanhã à noite. Espero que você goste de comida italiana. Ana sorriu, relaxando um pouco mais. — Eu adoro. Você escolheu bem. Lucas passou a mão pelos cabelos, um gesto quase distraído, mas que ela já reconhecia como um sinal de leve ansiedade. — Bom, então está combinado. Mas tem uma condição — ele acrescentou, inclinando-se ligeiramente para frente. Ana ergueu uma sobrancelha, intrigada. — Condição? — Nada de conversas sobre trabalho ou sobre o futuro. Quero que seja uma noite leve, sem preocupações. Apenas nós dois aproveitando o momento. Ana mordeu o lábio, ponderando. Era tentador simplesmente deixar as preocupações de lado, ainda que por algumas horas. — Parece justo — ela concordou. — Acho que podemos nos permitir isso. Lucas sorriu satisfeito. — Ótimo. Então, amanhã, sem planejamentos, sem estratégias. Apenas uma noite agradável. Ana brincou com a borda de sua xícara, sentindo a excitação crescer. Há tempos não se permitia esperar por algo assim, e era revigorante saber que Lucas estava igualmente comprometido em fazer as coisas darem certo. — E o que mais você gosta além de comida italiana? — Lucas perguntou, cruzando os braços sobre a mesa, seu olhar atento a cada detalhe dela. — Hm… — Ana fez uma pausa para pensar. — Eu gosto de música ao vivo. Nada muito barulhento, algo mais intimista. E você? — Jazz. Mas também gosto de um bom blues — ele respondeu, apoiando o queixo sobre a mão. — Aliás, conheço um lugar com uma banda ao vivo, talvez possamos ir depois do jantar. Ana sentiu uma onda de animação percorrer seu corpo. — Agora você realmente está se superando no planejamento. Lucas riu. — Ei, eu disse que não ia planejar conversas complicadas. Isso não significa que eu não posso planejar um bom encontro. Ana riu junto com ele e balançou a cabeça. — Ok, você venceu. Amanhã à noite, estou à sua disposição. Lucas ergueu a xícara de café mais uma vez e brindou no ar. — À nossa noite perfeita, então. Ana tocou sua xícara na dele novamente, sentindo um calor confortável se espalhar por seu peito. Ela m*l podia esperar pelo dia seguinte. No dia seguinte, Ana se pegou ansiosa ao escolher o que vestir. Queria algo bonito, mas sem parecer que estava tentando demais. Depois de experimentar algumas opções, optou por um vestido azul simples, mas elegante, que combinava perfeitamente com o clima descontraído da noite. Quando chegou ao restaurante, encontrou Lucas já a esperando perto da entrada. Ele vestia uma camisa social azul-escura, com as mangas dobradas até os cotovelos, e tinha um sorriso que fez o coração de Ana disparar. — Você está linda — ele disse assim que a viu. Ana sorriu, sentindo o rosto aquecer. — E você não está nada m*l também. Ele estendeu a mão para ela, e Ana aceitou sem hesitar. Entraram no restaurante juntos, e a noite oficialmente começou. A noite transcorria em um ritmo leve e envolvente. O restaurante estava aconchegante, com uma iluminação suave que destacava a decoração clássica e intimista do ambiente. O aroma de massas frescas e molhos bem temperados preenchia o ar, criando uma atmosfera acolhedora. Sentados à mesa, Ana e Lucas brindaram com taças de vinho, aproveitando o momento sem pressa. — Você sabe que eu não sou exatamente um especialista em encontros — Lucas comentou com um sorriso de canto, mexendo distraidamente no pé da taça. — Mas preciso admitir que estou gostando mais do que esperava. Ana riu suavemente, apoiando o queixo sobre a mão. — Isso quer dizer que eu deveria me sentir lisonjeada? Ou você simplesmente não tinha expectativas? Lucas fingiu pensar por um momento antes de responder. — Digamos que eu tinha expectativas moderadas… Mas você está superando todas elas. Ela balançou a cabeça, divertida, antes de dar um gole no vinho. — Bom, eu diria que estou na mesma. Não sei exatamente o que esperava desta noite, mas está sendo melhor do que qualquer plano que eu pudesse ter feito. O garçom chegou com os pratos, servindo-os com cuidado. Ana observou Lucas enquanto ele pegava o talher e dava a primeira garfada em sua massa. Ele fechou os olhos por um instante, saboreando o sabor antes de assentir, satisfeito. — Perfeito — ele declarou, olhando para ela. — Acho que descobri outro ponto em comum entre nós: boa comida sempre melhora qualquer experiência. Ana sorriu, pegando um pedaço do próprio prato. — Concordo plenamente. O jantar seguiu de forma descontraída, com conversas que variavam entre histórias engraçadas da infância, viagens que sonhavam fazer e até pequenas confissões sobre medos e desafios da vida. Ana percebeu que, ao contrário de todas as preocupações que tiveram nos últimos tempos, aquela noite estava fluindo com uma naturalidade surpreendente. Depois de terminarem o jantar, Lucas olhou para Ana com um brilho nos olhos. — E então, pronta para a segunda parte da noite? Ana arqueou uma sobrancelha, divertida. — Você realmente levou a sério essa ideia de encontro perfeito, hein? — Eu só quero garantir que não vamos nos arrepender de aproveitar o momento — ele disse, levantando-se e estendendo a mão para ela. Ana aceitou sem hesitar. Eles deixaram o restaurante e caminharam lado a lado até um pequeno bar de jazz que Lucas havia mencionado antes. O local tinha uma estética rústica e charmosa, com luzes amareladas e um palco intimista onde um trio de músicos tocava uma melodia suave e envolvente. — Acho que acertei na escolha, não? — Lucas perguntou, inclinando-se levemente para ela enquanto observavam o ambiente. Ana olhou ao redor, absorvendo a atmosfera acolhedora, antes de voltar os olhos para ele. — Acertou em cheio. Eles se sentaram próximos ao palco, e Lucas pediu mais duas taças de vinho. Ana sentiu-se estranhamente tranquila ali, como se o mundo lá fora pudesse esperar. O som do saxofone preenchia o espaço entre eles, criando um silêncio confortável. Lucas virou-se para ela, sua expressão mais séria por um instante. — Sabe, Ana… Eu acho que nunca te agradeci de verdade. Ela piscou, confusa. — Agradecer? Pelo quê? — Por ter ficado. Por não ter desistido de mim, mesmo quando eu não dava motivos para continuar tentando. Ana ficou em silêncio por um momento antes de responder. — Eu nunca quis desistir, Lucas. Só precisava saber que você queria isso tanto quanto eu. Ele assentiu lentamente, pegando sua mão sobre a mesa. — E eu quero. Quero tentar, quero descobrir onde isso pode nos levar. O coração de Ana bateu um pouco mais rápido, mas não de incerteza. Era diferente. Era a sensação de que, finalmente, estavam no caminho certo.
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