ISABELA Eu virei o rosto para ele. — Você é… perigoso. Arthur ficou imóvel, como se minhas palavras tivessem encontrado um lugar onde doía encostar. Por um segundo, ele não era professor, nem homem disciplinado, nem o dono daquela sala. Era só… alguém lutando. Os olhos dele varreram meu rosto lentamente. Desceram até minha boca. Subiram de novo. E o ar entre nós pareceu encolher, denso, íntimo — como se a sala tivesse decidido assistir. — Você não faz ideia — ele respondeu. A voz saiu baixa demais. Rouca. Afiada. E a forma como arrepiou minha nuca foi quase uma confissão. Talvez eu não soubesse mesmo. Eu só sabia uma coisa: eu queria aquele perigo. Dei um passo. Ele não recuou. Dei outro. A respiração dele ficou mais pesada. Eu vi o peito subir, a mandíbula travar como se ele

