— (Isabela) O corredor estava silencioso demais quando parei em frente à sala dele. Luzes apagadas. As janelas deixando entrar aquele fim de tarde dourado. Tudo parecia pedir para eu ir embora. Mas eu bati mesmo assim. Três batidas. O som ecoou pelo corredor. Meu coração também. — Entre — a voz dele veio abafada de dentro. Abri a porta devagar. Arthur estava sentado atrás da mesa, mangas dobradas até o antebraço, óculos apoiados na ponta do nariz. Uma caneta entre os dedos. Uma pilha de provas ao lado. Mas nada disso me prendeu tanto quanto o jeito que ele me olhou. Rápido. Contido. Como se estivesse se proibindo de olhar por mais tempo. — Senhorita Duarte — disse, ajeitando os papéis, como se precisasse ocupar as mãos. — Sente-se. Vamos revisar a matéria. — Aqui? — pergun

