ARTHUR — Você acha mesmo que isso vai parar aqui? — Isabela disse, a voz baixa, carregada. Antes que eu pudesse responder— — Professor? O som veio da porta. O mundo parou. Soltei a cintura de Isabela no mesmo instante, como se tivesse sido queimado, e dei dois passos para trás. Rápidos. Instintivos. Tarde demais. Ela também se moveu. Endireitou o corpo, puxou o ar com força, tentando reorganizar a própria respiração. O rosto ainda quente, o olhar vivo demais para alguém que “só conversava”. Eu me virei e me posicionei à frente da mesa, como se aquele gesto pudesse apagar o que tinha acabado de acontecer segundos antes. A porta se abriu por completo. Lucas entrou. E parou. O olhar dele percorreu a sala devagar demais. Primeiro nela. Depois em mim. O silêncio que se formou era

