Episódio 12

1397 Palavras
— Shhh. Luto contra a sua força bruta para mantê-lo parado. Mesmo inconsciente, o desgraçado mantém a sua postura dominante. — Calma, droga! — Não toque nela! A sua pele começa a suar, indicando o aumento da temperatura. O que não é bom, considerando que ele está em tratamento com antibióticos. — Me solta! — Fique parado, seu desgraçado! Dou um soco no seu braço, e ele geme em resposta, mas se acalma. Então, do nada, os seus braços agarram os meus quadris e os puxam para baixo, fazendo com que eu caia em cima dele, surpresa. — Menininha... Ele murmura, o meu rosto perplexo a poucos centímetros do dele. Tento me soltar, mas ele é forte demais. — Você é uma sem-vergonha... preciso que você se lembre. — Lembra? O quê...? A minha voz some de repente quando sinto um toque ardente em meus lábios. Meu Deus! Ele está me beijando! Os meus sentidos congelam instantaneamente, incapazes de processar o que está acontecendo. Mas isso não é tudo. Uma sensação estranha emerge das profundezas do meu abdômen e se espalha pela minha corrente sanguínea, causando arrepios ensurdecedores pela minha espinha. Nunca aconteceu comigo antes, mas acho que chamam de déjà vu. Eu... eu já provei esses lábios antes... Tenho certeza. Como isso é possível? Os seus lábios dançam contra os meus, e não consigo evitar corresponder. Ele é algo mais forte do que eu. O meu corpo não obedece aos comandos do meu cérebro e está mais do que frito, chamuscado e inútil. O Dia*bo está delirando, e eu também. Nós dois nos tornamos escravos da febre. Eu o agarro pelo pescoço enquanto me contorço em cima do seu abdômen, buscando alívio para a dor ardente. As suas mãos agarram a minha cintura a ponto de eu sentir como se ele fosse arrancar os meus intestinos, mas não o impeço. Estou louca! Já perdi todos os meus parafusos, porcas, parafusos e tudo mais. Estou deixando o meu sequestrador me beijar, e o pior é que a sensação de já ter vivido essa cena permanece nas profundezas do meu baixo-ventre. — Você ainda não atingiu a minha altura... pequena. Ele suspira contra os meus lábios, me paralisando instantaneamente. — Mas você está no caminho certo. Como num sonho, o Di*abo volta a ficar inconsciente, e eu saio da cama e ando para trás, sentindo como se tivesse visto um fantasma. "Espero que você consiga viver à altura de uma personagem como eu." Aquela voz... "Preciso ir, pequena." Sinto um zumbido agudo nos ouvidos que me atordoa enquanto espasmos dolorosos sacodem o meu estômago. Pelo menos me diga o seu nome. "Na próxima vez que nos encontrarmos, você saberá." — Não, não, não... Memórias me invadem a cabeça enquanto as minhas costas batem na parede e uma vontade repentina de vomitar me atinge. Já conversamos antes... Pelo amor de Deus, eu o beijei! Droga do Dia dos Namorados! Droga da minha mãe por me trazer ao mundo! Droga do Adriano Di Lauro por me convidar para aquela festa! Droga da minha sorte e da minha personalidade, droga! Forjei o meu próprio destino, porque tenho certeza de que, se não tivesse saído para o jardim naquele dia, estaria terminando o meu turno no hospital agora mesmo e retornando à tranquilidade do meu pequeno apartamento. Mas como é possível que eu não o tenha reconhecido? A resposta é simples: naquela noite eu estava bêbada como um gambá. Lágrimas começam a fluir incontrolavelmente enquanto o caos irrompe por todo o meu corpo. Quero morrer. Juro por Deus que a ideia de pegar a mesma arma que usei para atirar no meu sequestrador e atirar na minha têmpora é muito tentadora. O Di*abo solta um gemido profundo de dor, levantando-se de repente, e eu corro até ele enquanto enxugo a umidade das minhas bochechas. Eu o beijei... duas vezes! E... eu gostei. — Não toque nela. Ele suspira, balançando a cabeça de um lado para o outro enquanto eu o seguro pelos ombros. — Não toque nela! Toco a sua testa e automaticamente sinto o calor escaldante. Percebi que a sua temperatura corporal está significativamente mais alta do que o normal, tanto que me pergunto se ele realmente é algum servo de Sat*anás. No entanto, agora ele deve estar nas alturas. Verifico os seus sinais vitais e a medicação na intravenosa antes de ir buscar água fria para aplicar compressas. Se eu não controlar a febre, ele pode ter uma convulsão. Amanhã terei que relatar essa complicação ao cirurgião. Passo a noite acordada, lidando com os tremores, suores frios e sonhos delirantes. O que acho estranho é que ele fica repetindo sem parar para não tocar em alguém, sem nunca mencionar um nome. Não sei quando desmaio de exaustão, mas quando acordo, me encontro aconchegada e muito confortável nos braços do meu captor. Ele está acordado e sorri ousadamente para mim enquanto inclina o rosto para perto do meu. — Por que você não fugiu? Ele pergunta abruptamente. — Porque eu não sou idi*ota. Respondo antes de pular para fugir. — Meus amigos ainda têm um atirador de elite os observando. — Você teve a chance de me matar. Ele alega. — Seja atirando de novo ou simplesmente me deixando aqui, sangrando até a morte. Você teria se livrado de mim, Leah Falco, e ninguém teria impedido você de escapar. — Você está cercada por gorilas. Bufo, de braços cruzados, o meu olhar se voltando para a parede. — Nós dois sabemos que ninguém poderia ter te impedido. Ele declara, sentando-se na cabeceira da cama. — O que você está fazendo? Pergunto incrédula, e então corro na sua direção. — Você não pode se mexer! — E quem vai me impedir? Ele pergunta com um sorriso tão sinistro quanto desafiador. — O seu ferimento vai abrir, seu idi*ota. Bufo ao ver a mancha vermelha no curativo. Com o corpo tremendo enquanto delirava e o movimento repentino agora, é provável que ele tenha aberto os pontos. — Você não consegue ficar parado nem um segundo? — Não com você por perto. Ele retruca. — O que está te incomodando? — Você sabe que eu não queria atirar. Eu bufo, removendo as bandagens para trocar. — Eu não sou uma assassina como você. — Você perdeu a sua oportunidade de ouro. Ele segura as minhas mãos antes que eu o toque com a bandagem e agarra o meu queixo para me forçar a olhar para ele. — Por que você não fugiu, querida? Por que você me beijou ontem à noite? Sim... Ele acrescenta, notando as minhas pupilas dilatadas. — Eu me lembro muito bem. Não esqueço beijos tão... excitantes. Você poderia dizer o mesmo? Po*rra! Com uma febre tão alta, ele não conseguia esquecer aqueles poucos segundos? Me engula e me mande para as Ilhas Galápagos. — Você estava delirando por causa da febre. Tento dizer, mas ele segura os meus pulsos com toda a força. — Olhe nos meus olhos, Leah. Ele exige imperativamente, e não tenho escolha a não ser obedecer. — Onde está a desafiadora arrogante? Por que você está evitando o meu olhar? O que foi, pequena? — Me solte. Imploro, com a voz trêmula. — Ainda sou a sua prisioneira. Cumpra o seu acordo e me deixe em paz. — Nunca. Ele objeta, exibindo os seus dentes perfeitos e causando um arrepio repentino em resposta. — Você não vai se livrar de mim, nem em sonho, pequena. Nem se você tivesse me matado. Vou perguntar mais uma vez, e quero uma resposta, Leah Falco. Por que você está abaixando a cabeça e corando? — Eu corei? Droga! O calor que sinto nas minhas bochechas indica que sim. — Você tem medo de mim, pequena? Ele pergunta, com o rosto muito perto do meu. Os nossos narizes se roçam, a sua respiração toca os meus lábios e... estou completamente petrificada. — Ou será que você se lembrou do nosso encontro no Dia dos Namorados? É isso? Lembra do nosso beijo, pequena? — Não. Digo baixinho, quase inaudível. — Nesse caso, terei que refrescar a sua memória. A sua boca toca a minha novamente, e eu não tenho ideia de como estou respirando. Ai, céus! Eu tenho um problema, e é maior que o mapa do mundo. Eu gosto de beijos de Dean Frost! Estou perdida, completa e irremediavelmente perdida...
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