Vejo-me pequena, chorando pelo porta-bandeira da minha mãe, depois odiando-a por causa disso. A pinta de nascença nas minhas costas desenha-se diante dos meus olhos e a voz do médico ao dizer-me que é hereditária inunda os meus ouvidos. Ele me pergunta se algum familiar foi operado e eu fico em silêncio, com o corpo enrijecido em resposta, formando um punho com cada mão até doer as juntas. As perguntas da imprensa que não posso responder, as ameaças dos oportunistas ao me descobrirem, eu abandonando a passarela entre lágrimas, sentindo a minha alma se despedaçar. Tudo me ataca ao mesmo tempo, fazendo a minha cabeça explodir e desencadeando o choro que há tempos contenho. Então, as últimas semanas passam diante de mim como um rolo de câmera fotográfica antiga, mistura-se com o passado e m

