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- Sinto muito, querida. Sinto muito por não estar aqui com você. — Minha mãe me abraçou forte. —
Perder alguém da família sempre é difícil. Meu pai era um homem incrível, mas não se preocupava com a sua saúde. Ele enfartou ontem pela manhã, não tive como ajudá-lo, não tinha mais jeito. Quando acordei ele ainda estava na cama. E aquela foi a pior cena que pude ver. Agora estávamos entre familiares e amigos. Não em um momento bom, em um momento de tristeza e despedida.
- Anna, chegou isso para você. Para você não, para o seu pai, na verdade. Foi do Henry. — Mia me entregou um buquê de rosas vermelhas e um cartão. —
" Sinto muito por tudo o que aconteceu. Perder alguém tão importante e amado é h******l. Caso precise de mim eu estarei aqui. Sempre aqui.
PS: desculpe pelas rosas vermelhas, eu sei que você as odeia, mas o momento exigiu. "
- Com amor, Henry
Foi aí que eu desabei. Não tinha notícias de Henry a dois anos, desde que havíamos nos despedido na minha casa após tia Johanna ter sido presa. Olhei pra Mia que balançou a cabeça positivamente. Era o sinal que eu precisava. A abracei com todas as forças que tinha. Chorei muito. Logo após o enterro, voltei para casa. Passei algumas semanas olhando a carta de Henry. No final, havia um número de telefone, hesitei em ligar. O passado não precisa ser revivido. Coloquei a carta na gaveta da mesa de canto do meu quarto.
- Anna? — Uma voz familiar ecoou através da porta. —
- Entra, mãe. — Minha mãe estava com uma bandeja em mãos. Seu sorriso resplandecente não existia. Ela estava tão m*l quanto eu. —
- Eu trouxe café da manhã. Você precisa se alimentar, em breve, você vai voltar ao trabalho. — Ela sorriu fraco. —
- Eu sinto tanta falta dele...
- Eu também, filha. Eu também. — Ela me abraçou. O abraço da minha mãe era tão reconfortante que conseguia repor todas as minhas energias. —
- Eu não sei quando vou voltar a atuar, mãe. Na verdade, eu nem sei se quero voltar. — Ela me olhou com cautela. —
- É um momento r**m, Anna. Não uma vida r**m. Essa dor vai passar, você não precisa desistir dos seus sonhos porque não se sente bem agora. Tenho certeza que o seu pai está orgulhoso de você e ele não iria querer te ver desistir de tudo. Eu te amo filha, eu estou aqui com você.
- Obrigada, mãe. — Sorri fraco. —
- TRAGO NOTÍCIAS! — Mia praticamente arrombou a porta do meu quarto. Ela estava morando comigo agora. —
- O que foi? — A olhei curiosa. —
- Que tal uma viagem de férias? Um mês, só para esquecer a vida um pouco. — Ela sorriu. Mia escondia alguma coisa nas costas. Estava com as mãos nela. —
- Eu sempre tive vontade de ir ao Havaí. — Falei pra Mia, que sorriu me mostrando duas passagens. —
- Hoje é seu dia de sorte. Vamos passar um mês no Havaí! — Ela bateu palminhas. —
A abracei.
- Obrigada. Eu precisava disso depois de tudo o que aconteceu no último ano. Quando embarcamos?
- Hoje à noite. Então prepara suas malas, porque vamos para o Havaí, neném! — Ela deu pulinhos de felicidade. Me levantei da cama e fui em direção ao closet. —
- Roupas leves, por favor. — Mia veio atrás de mim. —
- Pode deixar, senhora. — Prestei continência para a mesma. Após meia hora eu já estava com tudo pronto. Fomos a uma farmácia comprar algumas coisas para a viagem. —
- Com licença, Anna Fitzgerald? — Uma garota de dezesseis anos me parou no meio da farmácia. —
- Sim, sou eu. — Sorri. A menina estava com os olhos brilhando. —
- Caramba, eu sou muito sua fã. Amei seu papel na nova série da Netflix... sem contar você como Catherinne... você é incrível. Tira uma foto comigo, por favor? — Ela estava super empolgada. Peguei seu celular e tirei uma foto com a mesma. — Muito obrigada. Você é tão linda quanto pela televisão.
- Obrigada. — Sorri em agradecimento e a menina se foi. Mia veio até mim com uma cestinha cheia de protetores solares, brilho labial, shampoo e hidratação. — Caramba... isso tudo?
- Eu não vou deixar você ressecar esse aplique, Anna.
Mia agora era minha agente principal. Ela cuidava de tudo. Assumiu o papel que antes era de tia Johanna. Ela não deixava meu cabelo ter um defeito sequer. Eu ia a um dermatologista quatro vezes ao mês. Sem contar as inúmeras idas ao spa.
- Claro que não vai. — Revirei os olhos. — Tudo aí?
- Sim senhora. — Fomos até o caixa. Paguei e levamos as sacolas para o carro. No caminho para casa pegamos um trânsito bem parado. Chegamos em casa por volta das três da tarde. Apenas nos arrumamos e esperamos o tempo passar para a hora de pegarmos o voo. —
- Mãe, tem certeza que não quer ir? — Falei enquanto me despedia da minha mãe na porta. Beijei sua testa. —
- Sim, não se preocupe comigo. Vou ficar bem. Aproveite o Havaí. — Ela sorriu. —
- Eu te amo.
- Eu também. Cuidado! — Ela acenava da porta enquanto eu e Mia entrávamos no táxi. —
- Está pronta para a melhor férias da sua vida? — Mia colocou uns óculos de sol gigantesco. —
- Com certeza.
- Honolulu, aí vamos nós! — Nos abraçamos no banco de trás do táxi. — Vai ser incrível.
Não demorou muito para que chegássemos no aeroporto. Fizemos check-in e em poucos minutos estávamos no avião. Mia havia comprado passagens para a primeira classe.
- Você está bem m*l-acostumada, não acha? — Coloquei minha bolsa no porta-bagagem. —
- Um pouco. Mas quero mais. Você já pode fretar jatinhos se quiser. — Ela deu uma piscadela. —
- Eu não vou fazer isso. Se for para morrer, quero morrer com um monte de gente, não sozinha dentro de um avião minúsculo. — Mia deu uma gargalhada alta. —
- Faz sentido.
Sentamos nas nossas cadeiras e o avião decolou. Passamos quase dez horas para chegar em Honolulu. Chegamos pela manhã bem cedinho. Havia um carro nos esperando. Ele nos levaria até o hotel. E que hotel. Era luxuosíssimo. Provavelmente só celebridades podiam se hospedar lá. Espera aí, eu sou uma celebridade. Fizemos check-in no hotel, por cortesia ficamos na suíte presidencial. Ela era enorme. Tinha uma varanda com uma hidromassagem maior do que a piscina da minha antiga casa em Miami.
- Caramba... que lugar lindo. — Mia estava de boca aberta. Mas era o mínimo. Da varanda era possível ver o mar azul e algumas pessoas surfando na praia. Eu m*l podia esperar para colocar meu biquíni e ir correndo até lá. —
- Você vai agora? — Indaguei. —
- Vou esperar esquentar um pouquinho. Se você quiser, pode ir na frente. — Mia se jogou na cama King Size. — Que delícia, é muito confortável.
- São oito da manhã. Vou esperar dar pelo menos dez. Assim vamos juntas, ok? — Assim que me virei pra Mia, ela já estava dormindo. Dei uma risadinha e me juntei a ela. Acordamos com o serviço de quarto oferecendo algumas frutas para o lanche. —
- Obrigada. — Mia estava arrastando o carrinho com várias frutas e sucos. — Você quer alguma coisa?
Apontei para uma manga, ela jogou para mim. Assim que enchemos nossas barriguinhas, trocamos de roupa e descemos para a praia. Enquanto tomava sol, ouvi um sussurro.
" é ela... não tem como confundir... sem dúvidas é ela. Você não está vendo?"
Me virei para o casal de adolescentes que estavam numa mesa ao lado da minha e sorri.
- Vocês querem uma foto? — Eles pareciam surpresos. —
- Ah... sim, claro... com certeza. — A garota foi a primeira a levantar. Ela veio em minha direção com o celular. — Eu sou muito sua fã, de verdade eu até sei que você odeia a cor vermelha. — Sorri. —
- Obrigada pelo carinho, eu aprecio muito isso. — Em seguida o garoto veio e pediu uma foto também. Antes que eu pudesse notar, algumas pessoas já estavam me encarando. Fiquei um pouco desconfortável e fiz sinal pra Mia, que estava na água plantando bananeira com alguns asiáticos, que provavelmente eram estrangeiros. Ela veio até mim. — Vamos para outra praia, acho que aqui já deu para mim.
- Claro, vamos sim. — Pegamos nossas coisas e fomos andando pelo calçadão. — Anna... — Mia estreitou os olhos. — Aquele é quem eu estou pensando?
Assim que olhei na direção que ela estava apontando discretamente, notei uma silhueta familiar.
- Eu não acredito... — Coloquei a mão no rosto. Mas já era tarde demais. A loira platinada que estava ao lado de Henry veio correndo em minha direção. —
- Ai meu Deus! Não acredito! Você também está aqui? — Ela falava como se me conhecesse a anos. —
- Errr... sim? — Sorri meio desconfortável. Henry veio ao nosso encontro. Ele estava com duas casquinhas de sorvete de morango. —
- Anna! — Ele me abraçou. —
- Ai... meu... Deus... — Mia falou baixinho. —
- Que incrível! Dois colegas de trabalho no mesmo lugar, de férias, juntos! Isso é incrível não é, amor? — Ela continuou falando como se fosse incrível encontrar a ex-namorada do seu atual namorado. — Caramba, eu sempre quis conhecer você. Você é muito bonita. Olha esse tom de pele, esse cabelo... uau! — Ela sorria animada. —
- Então Anna... está de férias? — Henry me questionou. —
- Estou sim. Um mês aqui em Honolulu. Junto com a Mia. — Abracei Mia de lado. —
- Ah... vocês estão juntas? — A loira perguntou. —
- Sim, estamos.
- Caramba! Eu adoro os LGBTQ... — Mia rapidamente a interrompeu. —
- Ah... não nesse sentido. Somos amigas, viemos passar férias juntas, só isso.
- Ah... entendi. E cadê o seu namorado, Anna?
Gelei. Pensei por um segundo.
- Ele está no hotel. — Mia, que estava tomando um pouco de água se engasgou, ela me olhou confusa. —
- Você está namorando? Legal! — Henry entregou a casquinha de sorvete para a namorada. —
- É.… faz um tempo. — Sorri sem mostrar os dentes. Na verdade, eu nunca consegui algo mais que alguns encontros casuais. —
- Felicidades.
- Obrigada.
- Onde vocês estão hospedados? Meu pai tem uma casa aqui em Honolulu. Gigantesca, vocês podem ficar lá se não se importarem. — Ela estava MUITO empolgada com aquela situação. —
- É...
- Vamos adorar! — Mia me interrompeu. Me fazendo olhá-la com uma cara f**a. —
- Que bom! Esse é o meu telefone, vocês podem ir para lá amanhã bem cedinho. Que tal? — Ela sorriu e me entregou um papel com seu telefone, foi aí que descobri seu nome. Anne. Ótima escolha, Henry. — Agora nós vamos indo. Foi um prazer encontrar vocês. E os esperamos amanhã.
Sem que pudéssemos nos despedir, Anne arrastou Henry pelo calçadão. Me deixando parada em choque junto com Mia.
- Que história é essa de namorado? Você está maluca? — Ela falava baixo. —
- Bom, agora vou ter que arrumar um. — Falei enquanto andávamos em direção ao hotel. —
- E o que exatamente você pretende fazer? Arrumar um namorado em menos de doze horas? Eu acho que isso é quase impossível. — Mia foi em direção ao banheiro da suíte. —
- Bom... eu não posso. Mas você pode. — Sorri para a mesma, que arqueou uma das sobrancelhas. —
- Eu não vou ser seu tinder havaiano. — Ela tirou a parte de cima do biquíni. Dei uma gargalhada. —
- Você pode contratar alguém para fazer isso. — Fiz cara de pidona. — Por favor.
- Você quer que eu pague alguém para fingir que namora com você?
- Sim. — Sentei na pia gigantesca do banheiro enquanto Mia entrava no box. —
- Anna, que situação, hein? eu não vou fazer isso.
- Foi você que aceitou o convite de irmos ficar na casa deles! — Pulei da pia. —
- Arruma uma desculpa, diz que seu namorado teve que voltar, sei lá.
- Por favor, por mim.
- TÁ! AGORA VAI EMBORA QUE EU QUERO FICAR EM PAZ. — Ela gritou. Dei uma leve risada e saí do banheiro. —
Depois que nós duas estávamos secas e com roupas limpas, Mia puxou seu notebook de uma das malas e começou a digitar.
- O que você vai fazer? — Perguntei. —
- Contratar um ator, óbvio. — O tom de voz dela me fez parecer uma i****a. —
- Okay... — Dei de ombros e fui até a varanda. —
Mia apareceu meia hora depois com fotos de três caras. Um deles me chamou muito atenção.
- É ele. — Apontei para um deles. — Eu quero ele.
- Caramba, Calma. Ele não é seu, é só emprestado. — Mia fechou o notebook. — Vou entrar em contato e se ele aceitar, amanhã ele é todo seu. Pelo que eu sei ele é daqui de Honolulu. Então...
- Sem despesas. — Levantei os braços. —
- Isso. — Ela piscou. — O que você quer jantar hoje?
- Eu adoraria comer camarão. — Minha boca se encheu de água quando pensei. — Na verdade, eu preciso comer camarão.
- Ótimo. — Mia riu. — Vou pedir camarão.
- O que eles colocam no camarão a ponto de ficar melhor que o que a gente faz em casa? — Falei enquanto colocava um enorme camarão com molho na boca. Mia deu de ombros. —
- Eu não sei. — O celular dela tocou. —
- Alô?
- Err... oi? Meu nome é Noah. Você deixou um recado na minha caixa postal.
Mia deu um pulo da mesa e fez um sinal histérico pra mim.
- Sim, sou eu. Eu preciso falar com você. Eu adoraria que fosse pessoalmente, se você puder, claro. — Ela se afastou, após alguns minutos voltou para buscar sua bolsa. —
- O que aconteceu? — Indaguei.
- O cara que você escolheu está vindo para o hotel falar comigo. Vou encontrar com ele no restaurante. Você vem? — Ela já estava com a bolsa pendurada no braço. —
- Não. Tem molho no canto da sua boca, boa sorte. — Ela limpou e saiu correndo pela porta. —
O sol das 08:00hr da manhã me obrigava a olhar com os olhos semicerrados. Mas logo minha visão foi abençoada com a presença de Noah.
- Prazer, Noah. — Ele me abraçou e se ofereceu a levar minha mala até o carro. —
- Ele é tão bonito quanto nas fotos. — Cutuquei Mia. Que deu uma risada. —
- Quem sabe vocês não podem passar de um casal falso, para um casal de verdade.
- É. — Dei de ombros. —
- Estão prontas? Podemos ir? — Noah veio até nós, sorrindo. —
- Claro. — Seguimos para o carro. —
Eu estava nervosa. Não pretendia encontrar Henry nas minhas férias e após dois anos. Tudo bem que as gravações do filme começam esse ano. Mas eu não queria me encontrar com ele dessa forma. Eu não sei o que me incomodava mais: encontrá-lo sem nenhum aviso prévio, ou ter que fingir que não me importava com aquilo. E de verdade, fingir não me importar talvez fosse o pior.
- Tudo bem? — Ele sorriu. E que sorriso. —
- Sim. Estou. — Sorri de volta. —
- Não se preocupe, vamos conseguir. — Ele deu uma piscadela. —
Chegamos na enorme mansão que Anne insistia em chamar de casinha. Ela era a beira-mar, havia uma praia particular no quintal. O céu azul do Havaí era facilmente confundido com a cor da água. Assim que o carro parou, a enorme escadaria que dava acesso a casa ficou visível.
- Nossa. — Mia estava de boca aberta. — Você quer competir com ela?
- Eu não quero competir com ninguém. — Falei enquanto tirava os enormes óculos escuros do meu rosto. —
- ANNA! MIA! — Anne apareceu magicamente descendo as escadas. Ela estava com um enorme vestido branco, seu cabelo dessa vez estava pintado de rosa choque. Espero que ela não tenha visto a revirada de olhos que eu dei. —
- Oi, Anne. — Sorri. —
- Que bom que vieram. — Ela olhou pra Noah. — Então você deve ser o namorado da Anna, não é?
- Sim, eu sou. — Ele me abraçou de lado. Senti meu rosto corar. —
- Vocês são uma gracinha. Sejam bem-vindos! Vou pedir aos mordomos que levem suas bagagens para os quartos.
- Quantos empregados você tem aqui? — Mia entrou na conversa. —
- Cinco. Essa casa é muito grande. — Ela sorriu. —
- Oh... — Noah olhou para mim. —
- Vamos? — Ela falou de forma convidativa. —
A casa era tão grande por dentro, quanto por fora. Noah estava o tempo inteiro ao meu lado. Em alguns momentos nossas mãos se esbarravam. Eu sabia que era atuação, mas a aparência dele era bastante intimidadora a ponto de me fazer ficar envergonhada. Chegamos na cozinha e Henry estava conversando com uma cozinheira. Ele levantou da mesa e veio até nós.
- Que bom te rever, Anna. — Ele sorriu e me abraçou. — E você também, Mia.
- Nós nunca nos conhecemos, na verdade. — Mia deu um sorriso sem mostrar os dentes, como eu a conhecia bem, eu sabia que ela havia falado aquilo de propósito. Henry ficou sem jeito. —
- Ah... é claro. — Ele olhou pra Noah. — Você eu não conheço.
- Noah, meu namorado. — Sorri e finalmente consegui segurar a mão dele. —
- Prazer. — Noah estendeu a mão, Henry o encarou por alguns segundos e logo depois o cumprimentou. —
- Seja bem-vindo, Noah.
- Obrigado. — Ele sorriu. — Anna, podemos conversar?
- Claro. — Nos afastamos de todos. — O que foi?
- Eu não sabia que seu ex-namorado era o Henry Cavill.
- Você tem algum problema com isso?
- Eu sou muito fã do Superman. — Revirei os olhos. —
- Se tudo der certo, eu consigo um autógrafo ou algo do tipo para você. — Ele sorriu como uma criança. —
- Obrigado. Você é a melhor namorada fake do mundo. — Ele beijou minha testa. —
Assim que nos viramos, vi que Henry estava nos observando. Ele obviamente não estava ouvindo o que estávamos conversando, mas senti um certo desconforto quando ele viu Noah me beijar, mesmo que tenha sido na testa.
- Vamos voltar? — Falei enquanto escondia as mãos no bolso e desviava meus olhos de Henry. —
- Claro.
- Que tal uma piscina e alguns drinks? — Anne falava animada. —
- Eu iria adorar. — Mia estava animada com a ideia. — Não consigo dormir bem, os barulhos que vem do quarto de Anna e Noah a noite não são muito agradáveis.
QUE DIABOS ELA ESTAVA FALANDO? Meu rosto corou, assim como o de Noah. Todos riram, exceto Henry que forçou uma risadinha.
- George! Leve meus convidados até seus quartos, por favor. — Anne acenou para um dos mordomos engravatados. —
- Me acompanhem por favor. — Ele nos guiou pelas escadas até um corredor enorme com alguns quartos. —
- O Havaí é quente... como você consegue ficar com essas luvas e esse terno? — Mia questionou o mordomo. —
- É o meu trabalho, senhorita. — Ele abriu uma porta. — Este é o seu quarto.
- Obrigada. — Mia entrou no quarto sem sequer olhar para trás. —
No final do corredor estava nosso quarto. Ele abriu e era uma suíte tão grande quanto a presidencial que estávamos no hotel.
- Cama de casal? — Olhei para o mordomo. Ele só me ignorou e fechou a porta deixando o aposento. —
- Cama de casal. — Noah sorriu. — Se você preferir eu posso dormir ali. — Ele apontou para uma namoradeira no canto do quarto. Sorri. —
- Vai ser um verão c***l para nós dois. — Sentei na cama. —
- Podem ficar à vontade. Se descerem pelas escadas podem ir à praia particular. — Olhei para as escadas no quintal que ligavam até a praia mais linda que já vi em toda minha vida. —
Enquanto todos se jogavam nas bebidas e aproveitavam o máximo a piscina, eu bebi refrigerante junto com Noah e fui sozinha em direção à praia. O azul do céu e a água do mar eram idênticos, facilmente confundíveis. Me sentei em uma das cadeiras de praia e fechei os olhos por alguns minutos. E fiquei ali, apenas ouvindo o barulho das ondas e as vezes, de alguns pássaros que sobrevoavam o lugar. O cheiro do mar me fez voltar a época em que eu era criança e ia à praia com o meu pai. Tomávamos sorvete, brincávamos na areia... é uma pena que não podemos repetir certos momentos.
- Eu estava te procurando esse tempo todo, Anna. — Mia me interrompeu. Quase pulei da cadeira de susto. —
- Pelo amor de Deus, de onde você veio? — Coloquei a mão no peito. —
- A gente vai jantar em um lugar muito chique. — Ela se agachou na minha frente. — E o melhor de tudo: quem vai pagar é o Henry.
Revirei os olhos.
- Ótimo. Aproveitem. — Encostei minhas costas novamente na cadeira. —
- Essa é a questão. Você também vai. — Ela levantou. — Vamos, vai ser divertido.
- Mia, eu...
- Então? Estão prontas? — Anne apareceu com dois martinis. —
- Vamos subir e tomar um banho. — Mia pegou uma taça e bebeu um pouco enquanto olhava para mim. Fechei os olhos e respirei fundo. Levantei e subimos até os quartos. Entrei no meu e peguei um vestido. Fui em direção ao quarto de Mia. — O que você vai vestir? É um lugar chique e caro.
- Eu já estou acostumada com ocasiões como essa. Ou você acha que meu caso de verão com o Jake Gyllenhaal foi só s**o casual? — Mia deu de ombros. —
- Nunca vou superar o fato de você ter tacado o f**a-se pro Jake, ele era incrível. — Ela fez carinha de cachorrinho triste. —
- Aham... — Me virei para ela. Eu havia colocado um vestido de cetim. Ele tinha amarrações ao lado, era de cor rosé. Mia me olhou encantada. —
- Você está incrível. — Mia usava um vestido preto sem mangas e um Christian Louboutin bege. —
- Não tanto quanto você. Vamos? — Sorri. —
Descemos até a sala, Henry me encarou por alguns segundos. Mas logo em seguida virou o rosto. Noah estava muito bonito. Ele usava um suéter branco.
- Você está linda. — Ele beijou minha mão. Henry pigarreou. —
- Vamos?
Entramos em uma enorme limusine. Um dos mordomos de Anne estava dirigindo. Dentro havia alguns drinks, Mia estava misturando alguns deles durante o percurso, assim como Henry. Os dois estavam apostando para ver quem virava primeiro. Anne estava o tempo inteiro mexendo no celular. Ela só se virou uma vez pra Henry para tirar uma foto, logo depois se virou e voltou a mexer no mesmo. Olhei pra Mia, mas ela estava tão empolgada com o drinking game que nem sequer havia percebido. Noah estava sentado encarando o celular, mandando mensagem para alguém. Depois de alguns longos minutos chegamos ao restaurante. Henry havia reservado uma mesa para nós. Antes de qualquer coisa, o garçom chegou com um bolo enorme. Era aniversário da Mia?
- Parabéns! — Henry sorriu e lhe deu um selinho. —
- Obrigada, amor! Você é incrível! — Ela pegou o celular e começou a gravar. — Gente! Eu estou com os meus amigos — Ela rapidamente virou a câmera na direção de Mia, Noah e eu. — E meu namorado comemorando meu aniversário! E o meu docinho — Ela filmou Henry, que parecia meio sem jeito. Ele realmente nunca gostou de se expor dessa forma. — Fez essa surpresa linda para mim. Ele não é incrível?
Anne parou de gravar e começamos a bater parabéns. Ela estava radiante, batia palminhas de felicidade o tempo inteiro.
- Esse é o melhor ano da minha vida! Sem dúvidas! Eu estou namorando o cara mais incrível do mundo. Conheci três pessoas legais, sério, eu nem sei o que dizer.
Sorri. Anne parecia sincera no discurso dela. E naquele momento eu percebi que criei uma rivalidade que só existia na minha cabeça. Anne é doce e gentil, também gosta muito de Henry. Não havia necessidade que eu criasse uma rivalidade entre nós duas.
- Feliz aniversário, Anne. Espero que você e Henry sejam muito felizes. — Sorri para a mesma, que esticou o braço na mesa para me cumprimentar. Henry arqueou uma sobrancelha para mim. Ele e Mia se entreolharam. —
- Obrigada, Anna. Isso significa muito para mim.
Ela sorriu. Retribuí. Pedimos lagosta. Assim que terminamos o jantar, Mia propôs um brinde.
- Eu e Henry temos uma coisa para contar. — Ela limpou a boca com o guardanapo e sorriu. —
- Temos? — Ele riu. —
- Estamos noivos! — Anne levantou a mão, mostrando um anel com um diamante gigantesco. Era literalmente o maior diamante que eu já vi preso em um anel. —
- Oh... meus parabéns? — Mia encolheu os ombros e olhou para mim. Ela fez um gesto com a boca que claramente dizia: "agora não" —
- Caramba! Parabéns! Espero em breve que eu e a Anna também possamos dar a mesma notícia para os nossos amigos. — Noah passou um dos braços ao meu redor. Ele sussurrou no meu ouvido. — De nada. — Sorri fraco para ele. —
- Quem sabe um dia, Noah. — Todos riram, exceto Mia que riu de maneira forçada. —
- Obrigado. — Henry agradeceu. —
- Vocês já foram a um luau? — Anne mudou totalmente de assunto. —
- Uma vez. —Falei. —
- Está acontecendo um agora. Se quiserem ir...
- NÓS VAMOS! — Mia gritou, literalmente. Todos no restaurante olharam para nossa mesa. —
- Só vou chamar o motorista, em alguns minutos estaremos lá. — Anne pegou o celular. Pedimos a conta que eu insisti em dividir com Henry (em vão) e depois de alguns minutos a enorme limusine nos esperava. —
Honolulu é tão lindo de noite quanto de dia. A cidade é bem iluminada. As pessoas bronzeadas e simpáticas tomavam conta das ruas. O caminho inteiro olhei pela janela. Em cada praia que passávamos havia algum grupo com uma fogueira. Conversando, brincando ou dançando. Era o tipo de lugar que eu me acostumaria a morar. Assim que chegamos no Luau, tirei meus sapatos e fui andando junto com Noah até a fogueira mais próxima. Nos afastamos um pouco do grupo.
- Você está bem? — Ele colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. —
- Sim. — Sorri fraco. —
- Eu sinto muito, se eu ao menos soubesse que eles iriam anunciar que estão noivos, não teria aceitado ir. — Ele continuou me encarando. Não estava muito escuro, a luz da lua ajudava a iluminar um pouco. —
- Tudo bem. Não se preocupe. Você só está fazendo o seu papel. — Falei. Ele arqueou uma sobrancelha e se aproximou de mim. — Você é muito bonita, Anna. Não posso dizer que te conheço bem, mas sinto que você é uma boa pessoa.
- Errr... Obrigada, Noah. — Abaixei a cabeça. — Acho que já está na hora de voltarmos.
- Claro. — Ele sorriu. — Vamos nessa.
- Estávamos procurando por vocês! — Henry levantou um côco. Provavelmente era algum drink alcoólico. — Vamos brindar! Garçom, mais dois drinks por favor. — Ele se virou para o mesmo, que assentiu com a cabeça. Logo os dois drinks estavam no balcão do bar. —
- Um brinde a que? — Tomei um pouco do meu drink. Estava bastante forte. Fiz uma leve careta. —
- Um brinde ao amor que finalmente encontramos! — Ele falou enquanto olhava para mim. —
- Um brinde. — Sorri. —