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Entre o acordo e o coração

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Sinopse

📝 Resumo Geral Ele é um dos mafiosos mais temidos e poderosos do mundo: c***l, impiedoso, a*******e, frio e distante. Para ele, tudo tem um preço e a confiança é algo que quase não existe. Ela é o seu completo oposto: simpática, bondosa, um pouco ingênua e distraída, muito sensível e sempre vendo o melhor lado das pessoas, mesmo quando a realidade é dura. O relacionamento começou há um ano apenas como um acordo por contrato: ele precisava de uma namorada falsa para manter as aparências, afastar rivais e proteger a sua posição no submundo do crime. Ela aceitou a proposta porque precisava de dinheiro com urgência para resolver problemas pessoais. As regras eram claras: sem envolvimento emocional, apenas cumprir o combinado até à data final do acordo. Mas com o tempo, o que era apenas uma farsa começou a mudar. O mafioso acabou se apaixonando verdadeiramente por ela, mas por toda a sua vida ter sido feita de perigo, dureza e silêncio, ele não sabe demonstrar o que sente. Continua agindo com a mesma frieza e distância de sempre, o que faz com que ela acredite firmemente que ele nunca gostou dela e que está apenas esperando o contrato chegar ao fim para se livrar dela. Ela também acabou desenvolvendo sentimentos profundos e verdadeiros, mas guarda tudo para si, com medo de ser rejeitada e de perder o pouco de segurança que conseguiu. Apenas duas pessoas conhecem a verdade sobre o acordo: o seu melhor amigo e braço direito, um assassino profissional igualmente temido e leal, que já percebeu claramente que o chefe está apaixonado e tenta, sem sucesso, fazê‑lo entender e expressar os seus sentimentos; e uma mulher da organização, que sempre desejou o lugar ao lado dele e que não aceita a presença da jovem. Ela aproveita todas as oportunidades para lembrá‑la que é apenas uma substituta temporária, paga para estar ali e que nunca será a mulher de verdade. A situação fica ainda mais complicada e perigosa quando ela descobre que está grávida. Assustada, confusa e sem saber qual será a reação dele — se ficará feliz ou se a mandará embora — ela decide esconder a gravidez, criando um segredo que pode mudar o destino de todos e transformar o que parecia ser apenas um acordo frio numa batalha entre o dever, o medo e o amor que ambos não ousam confessar.

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O acordo que estava preste a acabar
Capítulo 1 — O Acordo que Estava Prestes a Acabar O relógio marcava oito horas da manhã quando Clara abriu lentamente os olhos. A enorme cama parecia fria, apesar dos lençóis macios. Virou a cabeça para o outro lado, encontrando apenas o espaço vazio. Leonardo já tinha saído. Como em quase todos os dias. Ela suspirou baixinho, levantando-se e caminhando até à enorme janela da mansão. Lá em baixo, dezenas de homens armados patrulhavam o jardim. Viver ao lado de um dos mafiosos mais perigosos do mundo significava nunca conhecer uma vida normal. Mesmo assim... Ela já se tinha habituado. Ou pelo menos era isso que tentava acreditar. Enquanto se preparava para descer, o seu olhar caiu sobre um envelope pousado na cómoda. Era o contrato. Faltavam apenas trinta dias para terminar. Ela sorriu de forma triste. — Mais um mês... Depois cada um segue a sua vida... Aquelas palavras apertaram-lhe o coração. Ela nunca deveria ter-se apaixonado. Nunca. Porque para Leonardo tudo aquilo sempre tinha sido apenas um negócio. ... No escritório da mansão... Leonardo analisava vários documentos enquanto alguns homens aguardavam ordens. — O carregamento chega hoje à noite. — Reforcem a segurança. — Ninguém entra sem autorização. A sua voz era firme, fria e autoritária. Todos obedeciam sem questionar. Marco entrou na sala. — Preciso falar contigo. Os restantes homens perceberam o tom e saíram imediatamente. Quando ficaram sozinhos, Marco cruzou os braços. — Vais continuar a fingir? Leonardo nem levantou os olhos. — Não sei do que estás a falar. — Sabes perfeitamente. Silêncio. — O contrato acaba daqui a um mês. Leonardo continuou a assinar os papéis. — E então? — E então vais deixá-la ir? Pela primeira vez, a caneta parou. Mas apenas por um segundo. — Foi esse o acordo. Marco soltou uma pequena gargalhada. — És mesmo burro. Leonardo lançou-lhe um olhar gelado. — Cuidado com a forma como falas comigo. — Mata-me se quiseres. Continuas apaixonado por ela. Silêncio novamente. Leonardo levantou-se. — Eu não me apaixono. — Pois... Só passas noites inteiras a verificar as câmaras para saber onde ela está. Mandas guarda-costas segui-la sem ela perceber. Cancelaste três operações porque ela estava doente. Leonardo permaneceu imóvel. Marco aproximou-se. — Tu amas a Clara. A mandíbula de Leonardo contraiu-se. Mas nenhuma palavra saiu da sua boca. ... Na cozinha... Clara preparava o pequeno-almoço para si. Algumas empregadas sorriam para ela. — Bom dia, senhora Clara. — Bom dia. Ela devolvia sempre o sorriso. Era impossível tratá-las m*l. Nesse momento, saltos altos ecoaram pelo corredor. Vitória apareceu. Elegante. Confiante. Com aquele sorriso cheio de veneno. — Ainda estás aqui? Clara olhou para ela. — Bom dia. Vitória riu. — Continuas educada... Impressionante. Clara baixou os olhos. Não queria problemas. Vitória aproximou-se lentamente. — Sabes... ouvi dizer que falta apenas um mês. Clara ficou em silêncio. — Deve ser triste saber que vais voltar a ser uma desconhecida quando o contrato acabar. As palavras atingiram-na como uma faca. Mesmo assim... Ela sorriu educadamente. — Espero que tudo corra bem para todos. Vitória revirou os olhos. — És mesmo ingénua. Ela inclinou-se ligeiramente. — Nunca foste a mulher dele. — Foste apenas uma funcionária bem paga. Clara apertou discretamente a chávena nas mãos. O sorriso começou a desaparecer. Vitória continuou. — Quando fores embora... finalmente o lugar ao lado dele ficará vazio. — E eu estarei pronta para ocupá-lo. Antes que Clara pudesse responder, passos firmes aproximaram-se. Leonardo entrou na cozinha. O ambiente congelou. Vitória mudou imediatamente de expressão. — Bom dia, Leonardo. Ele nem sequer olhou para ela. Os seus olhos passaram apenas por Clara durante um breve instante. — Vamos sair dentro de vinte minutos. — Há um evento. Clara assentiu. — Está bem. Leonardo virou-se e saiu da cozinha sem dizer mais nada. Vitória sorriu com superioridade. — Vês? — Nem sequer consegue falar contigo. Ela também saiu. Clara permaneceu imóvel. Olhou para a chávena de chá já fria. E, pela primeira vez em muito tempo... Uma lágrima caiu silenciosamente sobre a mesa. Enquanto isso, do lado de fora da cozinha, Leonardo permanecia parado no corredor. Tinha ouvido parte da conversa. As mãos fecharam-se em punhos. O olhar tornou-se perigosamente frio. Mas, incapaz de dizer o que realmente sentia... Limitou-se a continuar a caminhar, convencendo-se de que o silêncio era a melhor forma de protegê-la. Sem imaginar que esse mesmo silêncio poderia ser a razão de perdê-la para sempre.

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