Ué, esse não deveria ser um manual de como pegar o Crush? Claro Byun, deveria, mas você é um trouxa.
Enquanto Chanyeol beijava minhas bochechas e implorava eu fiquei pensando em como eu cheguei até ali.
Número 1: como todo bom trouxa eu me apaixonei secretamente pelo meu melhor amigo hétero.
Só isso já deveria ser razão suficiente. Mas claro, tem a número 2: Eu nunca disse que sou gay. E com certeza eu sou gay. Eu não sinto nenhuma atração por mulheres. Certo que o único homem que me atrai é o Chanyeol, mas ainda assim, sou gay.
Número 3: Eu sempre fiz tudo que ele quis.
Como todo i****a completamente apaixonado eu nunca neguei nada a Chanyeol, e isso foi um erro e tanto na minha vidinha pacata.
Número 4: Eu não resisto a nenhum pedido seu simplesmente porque não sou capaz de dizer não para sua cara fofa.
Número 5, mas não menos i****a: eu recebo beijos, abraços e sorrisos como recompensa.
E antigamente eu achava que isso valia mais do que muito dinheiro. Eu estava errado, muito, muito errado!
— Chanyeol, deixa de ser b***a, eu não tenho namorada, porque acha que vou ser capaz de ajudar a você a conquistar aquela… aquela escrota! Urgh!
— Você sempre me ajudou a ficar com as garotas que eu queria vai, Baekkie. Por favor… — disse beijando meu pescoço. — Channie vai ficar tão feliz se Baek fizer isso por ele.
— Baekkie vai ficar triste. Namora comigo, ela é chata. — falei com o mesmo tom infantil e Chanyeol gargalhou.
— Se fôssemos gays com certeza a gente teria se casado aos cinco anos de idade, mas não somos, e essas coisas são estranhas. — ele disse baixinho, com seus lábios tocando minha pele levemente.
Uma facada com certeza doeria menos. Com toda a certeza.
— Tudo bem Chanyeol, eu vou te ajudar a conquistar a Hyemin.
Crianças, não façam isso em casa, porque aqui vão cinco passos de Como (não) ajudar seu Crush a namorar a Falsiane.
#1 Finja que ela não é tão importante.
Chanyeol estava sentado ao meu lado, enquanto continuava falando sobre alguma coisa relacionada ao novo episódio de One Piece.
Ele mantinha um sorriso no rosto e gritava nas partes emocionantes, fazendo várias caras e bocas e encenando algumas partes.
Eu até sentira vergonha dos berros, das palmas e das risadas altas, mas eu convivi com isso por quase minha vida toda. Passar vergonha já era algo que eu estava acostumado.
— Baekhyun, você tinha que ver! Foi maravilhoso! Eu quase tive um infarto fulminante! — comentou animado. Chanyeol estava vermelho e falava tão rápido que chegava a faltar ar no meio das orações.
— Tá certo. Respira antes de falar, senão você morre agora mesmo. — ele sorriu e segurou a minha mão que estava em cima da mesa.
Aquele gesto não me afetou! Não me afetou mesmo! Mentira! Afetou sim.
Eu só queria que tivesse o mesmo significado para ele que teve para mim.
— Baek é tão preocupado com Channie! — começou.
— Não faz isso, Chanyeol! Em publico não!
— Baek e Channie faziam isso antes — retrucou.
— É! Mas tínhamos sete anos! Para com isso! — pedi e me livrei de seu toque, por mais que eu não quisesse.
— Baekkie fica tão lindinho irritado! — falou apenas para me provocar.
— Para com isso, Chanyeol! — pedi, rezando para não ter ficado vermelho com aquele comentário.
— Baekkie…
— Chanyeol! — Hyemin nos interrompeu, pondo-se ao lado de Chanyeol, que apenas levantou o olhar para a garota. — Por que você não foi almoçar comigo? — ela não estava fazendo bico, nem sendo manhosa. Ela parecia verdadeiramente irritada.
Aquilo me deixou tão feliz que eu quase soltei fogos dentro da escola.
— Eu estou conversando com o meu amigo, não está vendo?
Eu disse para não dar tanta importância, não para ser grosso, mas ele podia continuar desse jeito! Estava fazendo tudo certinho!
— Não fale assim comigo, Chanyeol! Você está me ignorando há dois dias, m*l responde minhas mensagens, e quando responde ainda é com respostas curtas. — queixou-se.
Ah, rapariga! Desde quando ele tem que responder tuas coisas com textão? Chanyeol mandava cada textão para mim que chega dar preguiça de ler!
— Hyemin, você tem alguma coisa para me falar? Eu estou falando sobre algo muito importante com o Baekhyun. Estamos falando sobre o último episódio de One Piece.
— E One Piece é mais importante que eu? — ela provavelmente queria a resposta “não”. Mas a verdade, aí não sou nem eu, é o Chanyeol mesmo, poucas coisas para ele são mais importantes que One Piece. E eu e a família dele estávamos no topo da lista.
Desculpa, Hyemin. Talvez em outra encarnação.
Como Chanyeol demorou para responder, ela saiu furiosa, batendo os pés com força no chão.
Talvez o plano de afasta-la de Chanyeol realmente desse certo. E aquilo me deixava mais que feliz!
— Baekkie, tem certeza que isso vai dar certo? — Chanyeol sussurrou tão perto do meu pescoço que senti um arrepio passar por minha coluna.
— Baekkie já fez algo errado pro Channie? — perguntei baixinho e ele negou com a cabeça. — Então pronto. Mas antes da próxima lição eu quero algo muito, muito, muito importante para a sobrevivência da raça o humana!
— Procriar? — perguntou confuso.
— É uma coisa pra fazer com você, então não. — disse rindo, foi inevitável. — Baekkie quer carinho, carinho que só o Chan faz. — coloquei minha cabeça em seu peito e levei sua mão até minha cabeça. — Continua contando do seu quase infarto aí.
Chanyeol riu e começou a acariciar minha cabeça.
Engano seu se pensa que ele parou de falar para que eu dormisse. Tsc.
#2 Leve-a para conhecer seus pais.
— Baekkie, eu nunca levei ninguém na minha casa fora você, você sabe que meus pais são pirados! — disse Chanyeol jogando-se na minha cama e suspirando.
Tínhamos acabado de chegar da escola e ele foi direto para minha casa para saber qual seria o segundo passo.
— Chanyeol, se ela quer namorar você, a primeira coisa que se faz é aceitar seus pais. Eu nunca liguei deles só comerem comida orgânica e andarem pelados pela casa. Ela também não pode ligar, é assim que nasce o amor. Se tudo falhar casa comigo. — fiz um bico e me agarrei em seu peito feito coala.
— Não. Você tem razão. Se ela gostar de mim vai ter que gostar da minha família também, não é?
— Claro. — falei com voz de tédio e lhe soltei. — Vou tomar um banho. Você deveria também, se quiser ainda tem roupas suas da última vez que dormiu aqui. Pode tomar banho comigo se quiser. — sorri ladino para Chanyeol que soltou uma gargalhada como se eu tivesse acabado de fazer a maior piada do mundo.
— Baekkie, como você consegue brincar assim sem ficar vermelho? Quando éramos pequenos tudo te deixava vermelho. — falou ainda entre risos.
— Pois é… Sabe Chan, ahn, eu tenho uns trabalhos atrasados, melhor você ir pra casa, tá?! A gente se vê outra hora.
Não deixei que ele desse resposta e segui para o banheiro. Eu não tinha p***a de trabalho nenhum, eu queria chorar.
Como ele pode ser tão burro?
Enchi a banheira e ali fiquei por incontáveis minuto, eu nem tinha mais o que fazer ali, mas tava divertido curtir a minha depressão ali.
— Baekhyun, você está vivo? — Chanyeol bateu na porta me chamando.
— Eu achei que tivesse mandado você embora. — falei baixinho.
— Eu tô com preguiça de andar até em casa. Agora sai desse banheiro e vem ficar comigo, vamos jogar vídeo game.
— Deixa só eu me afogar. Daqui uns minutos você vem buscar meu corpo. — Chanyeol não pareceu se dar satisfeito com a resposta, pois entrou no banheiro revirando os olhos.
Mas acho que a minha visão do rosto vermelho e inchado, com um bico nos lábios não era bem o que ele queria ver.
— O que deu em você? — perguntou sem entender a minha reação.
Assim, não é o sonho de ninguém ouvir o crush falando o quanto é apaixonado por outra pessoa. Minha reação é completamente compreensível. Para ele não, porque o Chanyeol é um i****a completo!
— Eu estou bem. — afirmei lavando meu rosto.
— É, eu estou vendo. — Chanyeol se aproximou e se sentou ao lado da banheira.
— Chanyeol, sai, eu estou pelado.
— Você não se importou com isso quando me chamou para tomar banho com você. — contestou.
— É porque eu não me importo. Mas você, obviamente, sim.
— É que nós somos homens. Isso era até legal quando éramos crianças, mas hoje em dia não. As pessoas podem comentar.
— E daí se comentarem, Chanyeol? A sua heterossexualidade é tão frágil ao ponto de ser derrubada com comentários que você tomou banho junto comigo? — aquela pergunta estava na minha cabeça há um bom tempo, mas aquele foi o único momento que eu encontrei coragem para fazê-la.
Tudo que dizia respeito a nós e coisas íntimas, o Chanyeol pensava primeiro no que os outros e no que eles pensariam. Aquilo me incomodava muito.
Era sempre “faríamos, se não fossemos heteros.”. Juro que não sabia que dividir um banheiro como melhor amigo era coisa de homossexuais. Podia ser simplesmente para economizar água! Ou ele não sabia que o mundo estava passando por uma possível escassez?
Seria hipócrita da minha parte dizer que eu não adoraria tomar banho com ele por muitos outros motivos além da escassez, mas eu o respeitava demais para tentar qualquer coisa.
— Não Baekhyun, não é isso. Eu me garanto como homem.
— Pois pra mim não parece. Eu estou cheio do saco sabe. Nós nos conhecemos desde sempre Chanyeol só faltava a gente cagar junto quando éramos pequenos. Mas então você chegou na p***a no ensino médio e achou que tinha que ser o machão daquilo lá. As pessoas que você encontra lá não vão fazer parte da sua vida. Não vão cuida de você se estiver doente, não vão limpar você quando vomita na própria roupa, não vão passar a noite toda acordado ouvindo você chorar. Eu sim. Eu sempre estive aqui e vou estar a vida toda, porque eu te amo Chanyeol. E isso é o tipo de coisa que não muda com a m***a de uma escola, namoradas ou faculdade, e o fato de você esquecer que nós temos muito mais juntos do que qualquer outro alguém me machuca. Porque se fosse para alguém comentar, teriam comentado quando andávamos de mãos dadas aos doze anos e ninguém nunca fez, sabe porque? Porque todo mundo sabe como é quando se ama alguém, a gente não desgruda nunca, e a gente sempre foi tipo almas gêmeas, a gente sempre quis permanecer um na vida do outro. Eu ainda quero permanecer na sua, mas você… — parei de falar quando senti meus olhos marejados e afundei na banheira não querendo mais ver o rosto de Chanyeol.
— Para de drama, você sabe que eu te amo. — disse me puxando para cima.
— É, pois não parece. Pra mim, você acha que se tocar em mim vão pensar que eu estou comendo você. Não tenho interesse nenhum na sua b***a magra, tá?
Não era uma total mentira, porque toda vez que me via com Chanyeol, eu me imaginava dando loucamente. Então…
— Desculpa por isso, eu me desculpe…
— Só desculpo depois que tirar a roupa e entrar nessa banheira.
Chanyeol revirou os olhos e assim o fez, tirou a roupa e entrou do outro lado da banheira.
— Água está fria, vamos sair. — reclamou.
Sorri e peguei a esponja, pegando o sabão e começando a lavar seu corpo.
— Agora que já entrou, melhor tomar um banho, né? Você está com cheiro de suor. — comecei a rir da sua cara mau humorada e mordi sua bochecha.
— Baekhyun… eu vim avisar que cheguei… — disse minha mãe me olhando estranho por estarmos os dois dentro da banheira enquanto eu lavava Chanyeol.
Ela é minha mãe e acho que lá no fundo, bem no fundo, ela tem noção de que o amo mais do que como amigo.
— Tudo bem, a gente já vai sair, vamos ver um filme na sala, tudo bem?
— Tudo, vou fazer o jantar… se comportem. — disse antes de fechar a porta.
{•••}
Teriam vários motivos para eu estar ali, muitos mesmo. Porém, o principal, não era nem cagar o encontro deles. Era ver a cara da Hyemin enquanto conhecia os pais do Chanyeol.
O Chanyeol não é normal, isso já é mais que obvio. Mas, pior que ele, só os malucos que os criaram.
— Onde estão os seus pais? — perguntou Hyemin ao entrar na casa. Eu estava sentado no sofá, apenas esperando eles chegarem.
Assim que Hyemin pousou seu olhar sobre mim seu sorriso morreu e ela olhou imediatamente para Chanyeol.
— O que ele está fazendo aqui? — perguntou irritada.
— Ele vai jantar com a gente. — explicou.
Hyemin abriu a boca para falar, mas os pais de Chanyeol a interromperam.
— Chanyeol, meu filho, você chegou! - falou a Sra. Park, correndo até o filho e o abraçando.
O olhar de terror da Hyemin ao ver as t***s da mulher balançando foi imperdível. Eu deveria ter gravado! Meu Deus!
Os pais do Chanyeol eram, no mínimo, estranhos.
Eles trabalhavam com arqueologia, ficando, principalmente, em povos antigos. A tese de ambos era sobre um povo ai, do qual não me recordo o nome, mas o que importa é que eles adquiriram muitos hábitos desse povo antigo. Entre eles estavam: andar pelados dentro de casa, andariam até pela rua se não fosse contra a lei. Comer comida cem por cento natural e agradecer ao deus do Sol e da Lua todos os dias.
Esses eram os mais comuns. O Chanyeol evitava falar de todo o resto, pois não eram praticados com muita frequência.
O Sr. Park apareceu na sala e cumprimentou a Hyemin, que tentou, não conseguiu, desviar o olhar dos órgãos genitais do homem.
— Ela é muito bonita, Chanyeol. - comentou sua mãe. A Sra. Park se virou para mim e sorriu. — Só falta você arrumar uma garota igual a Hyemin, Baekhyun.
— Prefiro ficar solteiro, Tia. Valeu. — respondi com um sorriso.
Eu olhei para a Hyemin que parecia apavorada. Se ela pudesse sairia correndo.
— Vamos jantar? Estou com fome. — comentou a Sra. Park.
— Claro. Onde fica a sala de jantar? — perguntou Hyemin olhando para a casa. — Eu trouxe um pouco de bife. — falou com um enorme sorriso erguendo a marmita que carregava.
Eu tive que cobrir a boca para não rir alto. Tive mesmo. Quase não me controlo.
O Sr. e a Sra. Park se entre olharam e Chanyeol trocou o peso de um pé para o outro, nervoso.
— Por que não me falou que era bife? — perguntou Chanyeol entre dentes.
— Era surpresa, amor. — falou orgulhosa de si mesma.
Eu estava rindo tanto por dentro, tanto! Eu já devia estar vermelho.
Chanyeol me olhou desesperado, procurando por ajuda. Afinal, essa era a minha função naquela noite, evitar qualquer momento constrangedor.
Mas eu não faria isso! Não mesmo! Estava me divertindo muito para isso.
Eu dei de ombros, como se não soubesse o que fazer. Chanyeol olhou novamente para os pais que pigarrearam, sabendo que tudo já estava constrangedor o suficiente. E a pobre da Hyemin ainda sorria, achando que havia feito algo de muito certo.
— Ah, Chanyeol… Se importa de colocar isso lá no seu carro? — perguntou o Sr. Park. constrangido.
— O quê? Por quê? — perguntou Hyemin.
— Nós não comemos carne, Hyemin. — explicou Chanyeol.
— Como não, você… — Chanyeol segurou a sua mão com força, fazendo com que ela parasse de falar.
— Eu nada. Vamos deixar isso lá fora. — abriu a porta e sairam.
— Isso foi tão desagradável. — comentou a Sra. Park ao soltar o ar pela boca.
— Tudo bem, Jimin. Ela provavelmente não sabia.
— Sabia sim. — me intrometi. — Eu vi o Chanyeol contando para ela. Mas a Hyemin nunca foi muito de respeitar os outros.
— Que pena. Para ficar com o Chanyeol vai ter que enfrentar a gente.
— Eu seria muito mais feliz se o Chanyeol namorasse uma pessoa como o Baekhyun. — comentou a HiNa, mãe de Chanyeol.
O meu ego nem aumentou! Nem um pouco! Imagina!
— Realmente, um rapaz tão respeitador. Ele não apenas nos respeita, como também se adequa a nossa realidade.
Sim! Eu adorava jantar pelado com os pais do Chanyeol! Era apenas às vezes, porém era uma experiência e tanto. E por conta disso eu nunca tive vergonha de ficar nu em frente ao meu amigo, fazíamos isso desde sempre.
Chanyeol e Hyemin voltaram depois de um tempo e a Hyemin pareceu ter noção da burrada que havia feito.
— Sr. e Sra. Park, me desculpem, eu não…
— Tudo bem. — cortou o Sr. Park. Curto e grosso como um cirurgião. — Vamos apenas comer.
Ele e a sua esposa foram até os fundos, seguidos por Chanyeol e Hyemin, eu fui o último a sair da sala, só para ter certeza que aqueles dois não conversariam.
O jantar foi mil vezes melhor do que a entrada.
A cara da Hyemin enquanto todos faziamos o agradecimento ao deus da Lua foi o melhor. Não só melhor do que quando ela viu que a comida seria servida no jardim e que a mesa de jantar na verdade era o chão.
Os pais do Chanyeol começaram a conversar e vez ou outra de direcionavam-se a mim, quando perguntavam qualquer coisa para ela ela ficava com uma cara de desespero e falava: “Ah, hun… Uhum.”
Pois é, melhor nora!
Eu estava me divertindo muito com aquilo. Pode parecer que eu sou um i*****l, insensível e egoísta por não pensar na felicidade do meu amigo e estar interferindo na relação deles, apenas por amar o Chanyeol.
Mas eu sabia que eles não seria felizes. Então, para evitar perda de tempo e, claro, me divertir um pouco, vamos ajudar a esse relacionamento chegar ao fim de uma vez.
[...]
Ao chegar o fim da noite, depois da Hyemin ter feito todo tipo de burrada e comentários idiotas, o Chanyeol a levou para casa.
Eu? Eu estava no carro. Claramente.
Eles nem ao menos conversaram. O Chanyeol dirigiu em silêncio enquanto a Hyemin olhava para a estrada. Como a casa dela não era distante, logo chegamos e ela saiu do carro e Chanyeol foi atrás dela. Eu não podia descer do carro, ficaria muito estranho, então apenas observei a cena de dentro do carro mesmo.
Ela falava sem olhar nos olhos dele, até que Chanyeol erguei seu rosto e deslizou a mão pelo seu braço até segurar a sua mão.
Eu não consegui ouvir nada e talvez fosse até bom, porque, claramente, eles não estavam discutindo.
Chanyeol sussurrou algo no seu ouvido e ela sorriu, para logo em seguida eles se beijarem.
Eu arregalei meus olhos e desviei o olhar. Eu não tinha que assistir quilo. Não mesmo! Eu sentia um aperto tão grande no peito que eu pensei que tivesse um buraco no peito. Os meus olhos marejaram e eu e recusei a olhar na direção do Chanyeol, mesmo depois que ele voltou para o carro.
— E então, Baek? Vamos passar a noite toda jogando vídeo game? — perguntou-me animado.
— Chanyeol, eu não me sinto muito bem. Me leva pra casa… — pedi tentando conter as lagrimas.
— Mas Baek…
— Só… — respirei fundo, sentindo a primeira lágrima abandonar meu olho. — Me lava para casa.
Chanyeol não contestou e apenas deu partida. Ao me deixar em casa ele falou que me ligaria no dia seguinte. Eu não respondi e apenas entrei. Eu simplesmente não queria falar com ele.
[...]
Eu estava deitado na cama, ainda coberto. Sentia todo o meu corpo mole e não queria sair da cama por nada. Era como se eu não tivesse dormido, na verdade, eu m*l dormi.
Passei quase a noite inteira chorando por conta do i****a do Chanyeol!
Doia-me chorar por ele, porque eu sabia que ele não fazia de propósito, mas isso não me impedia de xingar ele de todos os nomes possíveis e imagináveis.
Eu passei uma boa parte do meu domingo deitado na cama, refletindo sobre a noite anterior. Eu me sentia um lixo.
Por mais que a noite tenha sido um desastre e os pais do Chanyeol terem odiado a Hyemin, vez ou outra ele ainda cochichava algo no ouvido dela, fazendo a mesma rir.
Ele sorria tanto ao estar ao lado dela, seus olhos quase brilhavam.
Não sei o que me incomodava mais, o fato dele realmente estar gostando dela ou o fato de ser ela!
Porque poderia ser qualquer outra pessoa, iria me incomodar muito, eu o amava tanto e tê-lo ao meu lado como amigo era a única coisa que eu tinha. Não queria que ninguém me tirasse isso, e uma possível namorada faria isso. Mas o fato dessa possível namorada ser a Hyemin… Era quase insuportável!
Eu não sei bem de onde surgiu tanto ódio pela garota, mas começou da parte dela, posso garantir. Eu nem falava com ela e de repente ela me xinga, fala m*l de mim pelas costas e inventa mundos e fundos a meu respeito.
Ah, vai se f***r! Eu m*l sabia da existência da garota!
Como Chanyeol podia gostar dela? Pelo amor de Deus!
Mas o que importa mesmo não é o como e sim que ele gosta e que eu estou colocando os meus sentimentos por ele acima da sua felicidade. Isso não chega nem perto do que um bom amigo faria e eu quero ver o Chanyeol feliz… E se a Hyemin pode proporcionar isso a ele, por mais que eu ache impossível, vamos tentar. No final, o i****a aqui ainda estará ao lado dele para enxugar as lágrimas.
Eu não posso mais me intrometer na vida do Chanyeol. Não dessa maneira. Ele logo terá a vida dele e terá que tomar as decisões dele. Eu não estarei sempre ao seu lado para consertar tudo que ele faz, nem para evitar que as pessoas o machuquem. Então está na hora dele começar a andar sozinho.
[...]
Eu m*l cheguei na escola e Sungjin já me atacou com um abraço que mais pareceu que ela estava tentando espremer os meus órgãos para fora do meu corpo.
— Oi, Baekkie! Como foi o final de semana? — perguntou-me animada. Quem fica animado em uma segunda feira de manhã?
A Sungjin. Sempre!
— Foi uma bosta!
— Então está explicado essa sua cara de cu e… Baekhyun, você está com febre? — perguntou colocando a mão na minha testa.
— Não, por quê? — perguntei sem entender.
— Você chegou na escola e o sinal ainda não bateu, na verdade, faltam vinte minutos ainda. — falou ao olhar no relógio.
— Eu nem dormir. Eu fiquei esperando dar a hora de me arrumar. Até a minha mãe ficou surpresa ao me ver saindo na hora!
— Por que você não dormiu? Aconteceu alguma coisa?
— Aconteceu. — concordei e ela prestou ainda mais atenção em mim. — Eu desisti de tentar separar a Hyemin do Chanyeol.
— O quê?! Você surtou? Bateu a cabeça?! — perguntou falando lato.
— Fala baixo. Eu estou bem… Nem tanto, mas eu vou superar.
— Por que você vai deixar o Chanyeol ficar com essa vaca?
— Eu não vou. Eles vão acabar terminando mesmo. Isso não vai dar certo. Eu apenas parei e vou deixar o Chanyeol ser feliz ao lado dela, por mais que eu saiba que ele vai sofrer… Parece a coisa certa a se fazer.
— A coisa certa a se fazer é afastar o Chanyeol daquela coisa!
— Não, Sungjin. O Chanyeol está feliz e eu quero ver ele feliz, seja com quem for. Não poderia ser comigo de qualquer jeito. — eu soltei um suspiro cansado. Minha mente estava muito cansada, porém eu não consegui pregar o olho a noite inteira. — Eu vou para a sala.
Dei as costas a ela sabendo que ela estava p**a comigo. Mas era o certo a se fazer. Eu não podia fazer mais nada.