Pegamos nossas bolsas que levaremos apenas o essencial e saímos do hotel e na entrada principal perto de balanço na sacada, estava Rachel com uma expressão estranha, olhei para Bonnie e ela balançou a cabeça e fomos verificar se ela estava bem. Quando aproximamos dela, pude vê que estava chorando e parecia de tristeza, sentamos cada uma do seu lado.
— Tudo bem Rachel? — Perguntei preocupada.
— Sim, não é nada... — Sussurra limpado as lágrimas.
— Você pode dizer se quiser — Bonnie fala.
— Meninas é que... gosto de um rapaz, mas ele não deve, senti o mesmo — Falou toda tristonha.
— Quem é esse maluco! Sei que nos conhecemos a pouco, mas acho difícil o sujeito não gostar de você... deve ser louco mesmo — Digo gentil e ela agradeceu.
Tentei ajuda-la, pois, já vi casos aonde as garotas faziam coisas loucas devido a idiotas que não gostavam delas e ainda faziam questão de jogar na cara das mesma. Isso me deixava irritada ao extremo, por vê garotas destruídas pela pessoa que amavam.
— Posso contar um segredo, meninas? — Pergunta incerta.
— Pode sim! Mesmo sendo novas aqui — Disse Bonnie e concordei.
— Talvez isso seja bom… assim pode confiar seus segredos a nós — Comento e Bonnie olhava com atenção.
— É o Adam! E o mesmo nunca demonstrou gostar de mim — Vejo o esforço que fez para revelar isso, pois, estava muito envergonhada.
Pelo que pude observar a senhora casada com seu pai era sua madrasta, mas ela deve senti falta da mãe para ter essa categoria de conversa — Lembro com saudade, quando tive essa conversa com a minha mãe e como irmã mais velha, precisei sentar para conversar com Sarah quando ela foi crescendo e começou a namorar.
— Não fique assim... — Bonnie ficou bastante preocupada.
Ela mesma já se sentiu insegura. No começo ela olhava o seu atual namorado Eric de longe, imaginando se ele gostava dela ou sentisse o ela sentia por ele e com a insegurança rondando seus pensamentos o medo de chegar nele foi maior que a coragem de se aproximar.
— Acredito que ele esteja gostando de outra garota — Comentou com amargura na voz o que deixou eu e Bonnie de confusas.
Não sabia o que dizer e pelo jeito nem a Bonnie e ficamos nos olhando indecisa.
— Ele confirmou isso? — Pergunta Bonnie.
— Não! Mais ele anda distraído e meio sorridente — Falou chorando silenciosamente.
Deve ser difícil ser tomada pela incerteza e ciúmes em imaginar que a pessoa que ela gosta possa desenvolver sentimentos por outra garota.
— Não esquenta com isso... se valorize! Não fique triste por causa dele.
— Obrigado Megan! A você também Bonnie e bom passeio, nos vemos na hora do almoço - Se levantou acenando.
— Até… mais tarde — Bonnie disse meio sem jeito, mas mesmo assim levantamos e fomos para longe do hotel.
— Sinto-me m*l por ela e se a pessoa que ele estiver gostando for de mim — Falou triste pela situação.
— Não fique assim... depois descubro — Digo pensativa e continuo — Também não gosto dessa situação, sabemos e já vimos o que uma mulher desiludida ou que não tem seus sentimentos correspondidos podem fazer — Murmuro e Bonnie voa em pensamentos junto comigo.
— Verdade! Vi isso tanto no colégio quanto no trabalho.
— Vamos andando... — Mudo o assunto para focarmos em ser apenas turistas ou jornalistas.
Começamos andado pelas ruas perto principais e já tinha pessoas saindo de suas casas indo trabalha levar as crianças para escola, mas ainda era estranho, pois, tinha poucas turistas e mesmo de dia ainda tinha um ar sombrio.
Cheguei a arrepiar, mais deixo de lado para vê as ruas com muitas casas antigas, Bonnie vinha atrás tirando fotos de tudo — Aproximamos de um vilarejo e vejo crianças brincando e próximo onde estávamos parecia ter um poço "talvez seja usado para pegar água" mulheres colocando as roupas no varal. Era tudo muito simples e modesto com um aspecto medieval.
Começamos a afastar ainda mais e sigo para onde tinha uma praça de pedra com jardim simples, mas muito colorido, com bancos para descansar, pessoas passando e crianças corriam — Na esquina tinha uma padaria e frutaria, mais não tinha lojas de roupas lanchonete nada disso, apenas tinha na praça principal aonde ficava os lugares de hospedagem.
Sentamos num dos bancos e fiquei olhando esse lugar não tão cheio… para mim era confuso, pois, de onde viemos era um dos lugares aonde sempre tinha pessoas por perto.
— Nossa! Que lugar estranho — Comenta Bonnie tirando foto.
— Mesmo simples ainda tem cor e tem tão poucas pessoas — Digo olhando em volta.
— Nem lojas no vilarejo têm direito, como que eles compram roupas por aqui? — Pergunta Bonnie.
— Talvez, precisem ir até à cidade onde estamos para comprar ou comprem na cidade mais próxima.
— Nos que andamos ate aqui já foi cansativo, imagina com sacolas de compras — Falou erguendo a testa e dou risada.
— Devem ter meios de transporte ou estejam acostumados — Respondo pedindo a câmera para vê as fotos.
— Mesmo assim… muito estranho — Falou num tom assustado.
"Bonnie sempre foi a mais medrosa entre nós duas"
— Tem certeza de que era aqui que queria vir? — Pergunta me olhando e reviro os olhos.
— Não começa! Vamos continuar — Falei e ela suspirou.
Levantamos e continuamos a andar pelas ruas do vilarejo próximo mais não era muito grande você dava dois passos e já estava na outra rua.
Quando afastamos desse lugar foi quando vi a prefeitura do vilarejo de Transilvânia, mais era velha e até parecia abandonada. Tinha três janelas na frente com vidro quebrado — A porta da frente era de madeira e estava quebrada, esse lugar não tinha estrutura nenhuma para se usar com segurança. Foi quando vi um senhor idoso passava pela rua e decidi ir até o mesmo que era baixo, com cabelo branco, roupas antigas, sapatos e usava óculos.
— Senhor! Saberia dizer o que aconteceu com a prefeitura? — Pergunto apontado.
— Ah! Foi no começo da revolução a população se virou contra o governo, pois, eles estavam roubando dinheiro publico e eles destruíram a prefeitura toda — Respondeu o idoso.
— Não sabia! E o que aconteceu com o prefeito? — Continuo perguntando bastante curiosa.
— Foi expulso do cargo e fugiu com medo da população; eu era criança quando aconteceu e foi meu pai que contou, pois, foi um dos manifestantes contra o governo.
— Vocês não têm outra prefeitura? — Dessa vez Bonnie perguntou também curiosa.
— Sim, na parte principal de Brasov na cede do conselho, mesmo assim alguns moradores preferem morar mais longe, vivendo do plantio para ter dinheiro para alimentar suas famílias.
— Aqui não tem muitas lojas, como vocês compram roupas?
— Para aqueles que não tem um meio de transporte, fica disponível um para poder leva-los até a cidade para poderem comprar o que necessitam e às vezes encomendam das cidades próximas ou do exterior.
— Obrigado por responder e desculpa pelo incômodo — Digo sorrindo.
— Sem problema... — disse indo embora
— Ele foi muito gentil.
— Sim, mais ainda acho esse lugar estranho... — Bonnie e seus preconceitos em tudo que envolve algo de terror ou “suspense”
— Que tal vermos as escolas do vilarejo e talvez achemos hospital — Digo animada.
— Isso se tiver! Pois, nem tem loja no vilarejo, vimos apenas uma padaria, frutaria, farmácia, mercado e uma prefeitura destruída.
Nós refrescamos e continuamos a andar e numa esquina atrás tinha muita gente, principalmente crianças — Entro nela sendo seguida por Bonnie e vejo um prédio que talvez seja a escola. Estava pintada toda de branco, com janelas não muito grande de madeira, criança de uniforme, porém, não deu para vê o nome da escola, mais na frente vemos a fachada da entrada principal e tinha mulheres recebendo as crianças que os pais deixavam, ouvimos o sinal e todos entraram na escola.
— Está vendo? Tem escola e não está acabada.
— Que sorte! Imagina como deveria ser difícil sair daqui para ir para a cidade estudar. Olha que estamos andando pela trilha e já estou esgotada — Ficou difícil não revirar os olhos do quanto ela gosta de reclamar.
— Além de que tudo está na cor branco, precisa melhorar isso — Continuo falando com desdenha, Bonnie adora cor.
— Vamos... talvez tenha outras coisas para vermos antes — Falei e ela resmungou.
Andamos mais algumas quadras e vimos um hospital não muito longe "nossa! Minhas pernas doeram de tanto andar", — Pensei, enquanto, sentavamos em um banco perto do hospital, vi ser do mesmo tamanho da escola e pintado de branco "eles gostam do branco por aqui" Continha janelas grandes com porta de vidro, pessoas entrando e saindo, mas não parecia tão cheio.
— MEGAN — Bonnie gritou me assustando.
— Que isso Bonnie! Não precisa gritar — Digo furiosa.
— Desculpa! Estava tão distraída que nem percebeu estar falando com você.
— Tudo bem, estava vendo os detalhes do hospital e concordo o povo daqui gosta mesmo do branco.
— Não é! — Damos risada, mas fico em silêncio pensativa.
— O que foi?
— Somente veio um pensamento em mente de que... talvez usem bastante para tentar não deixar esse lugar mais sombrio do que parece.
Bonnie olhou em volta e balançou a cabeça concordando.
— Chegam por hoje, minhas pernas doem... precisamos ir para o hotel, que horas são?
— São 10h20min.
— Nem percebi as horas passarem — Bonnie olhou espantada e ergueu a testa.
— Nem eu... vamos?
— Megan, lembra que o senhor que conversamos? — Pergunta e aceno um positivo na sua direção e continua — Ele disse que tem um meio de transporte disponível aqui. Poderíamos pegar essa carona para não precisarmos ir andando.
A olhei a mesma fez uma careta como se estivesse com dor e apertava o pé na sapatilha — Se tivesse vindo de sapato, não estaria agora reclamando de dor.
— Vamos procurar, deve ter uma parada onde fica...
Quando chegamos perto do mercado vi uma placa com um carro desenhado e entrei pedindo informação, assim que consigo sair vendo Bonnie sentada num banco em frente.
— Então?
— Tem os horários que ele passa e vai ter um agora as 11h00min.
— Você paga no mercado a passagem? — Perguntou abrindo a bolsa atrás da carteira.
— É gratuito...
— Como é! — Arregalou os olhos surpresa.
— Pelo que informou, esse ônibus é disponibilizado aos moradores e pago pela prefeitura.
— Ótimo! Ate lá esperarei sentada... — Dei uma risada de leve e sentei ao seu lado e ofereço água.
— Trouxe a minha... espera acabou! — Entrego um copo com água e tomo o resto.
Com o tempo as pessoas foram se aproximando para esperar como nós e vejo uma mulher com um bebê nos braços, rapidamente levantei dando meu lugar.
— Muito obrigado.
Olhei meu celular que como suspeitei não tem sinal e faltava pouco para dar o horário que o senhor falou que o transporte passava. Olhei vendo Bonnie toda boba na direção do bebê, ela não gostava de crianças — Graças a sua sobrinha, ela aprendeu a amá-las.
— Está chegando... — Ouvi um homem falando perto do ponto e pude enxergar estar certo.
Foi aproximando um ônibus quase parecido com o da escola, mas esse era cinza e na lateral vinha com o símbolo que deve ser prefeitura e o nome da cidade.
— Vamos Megan... — Sou puxada pelo braço e fomos entrando atrás da mulher com o bebê.
Bonnie me arrastou para o fundo e sentamos com ela no lado da janela.
— Até que esse ônibus não está tão ruim... — Comenta e sorri por ela está surpresa com esse detalhe.
Penso que ela criou na sua cabeça que Transilvânia seria cheio de lugares abandonados cobertos de poeira e teia de aranha — Como nas histórias de terror.
Quando todos entraram o ônibus seguiu seu percurso com Bonnie tirando fotos, abri minha bolsa para tirar a meu caderno de anotações e coloquei no papel o máximo do que descobrimos e vimos hoje.
✝✝
O ônibus parou no ponto da praça principal de Brasov, aonde era a única parada do vilarejo até a cidade.
Descemos e precisou andarmos um pouco até o hotel, onde estamos hospedadas, assim que entramos fomos direto para nosso quarto e foi quando Leonard veio quase esbarrando em mim.
— Oi Megan — Cumprimenta me encarando.
— Oi...Leonard — Responde sem demonstrar nada.
— Pode me chamar...Leo — Balanço a cabeça mostrando que entendi.
— Não vi vocês no café e perguntei para minha irmã e voltei agora na hora do almoço.
— Acabamos de chegar e já vou subido Megan… te espero — Disse com sorriso malicioso.
— Já vou também... — Digo num tom bravo por ela me deixar segurando o pepino sozinha.
— Megan... queria saber se você aceita sair comigo? — Pergunta me olhando sem desviar o olhar.
— Aah… Sair? — Gaguejo procurando em meu cérebro alguma desculpa.
— Você topa? — Perguntou esperando minha resposta
— Não vai dar Leo! Tenho muita coisa para resolver — Digo sem jeito, preciso melhor minhas respostas.
— Tudo bem — Tentou até sorrir, mas ficou parecendo uma careta.
— Vou subir… depois falamos — Digo constrangida por ter que chegar a esse ponto.
— O almoço já está servido — Beatriz apareceu vendo Leo no degrau da escada e eu mais em cima doida para subir.
— Já vou... — Respondeu se olhar para ela.
— Vou avisar Bonnie e já descemos.
Depois disso, praticamente subi as escadas como se estivesse correndo da polícia que no caso era Leonard — Um rapaz que parecia mais novo do que a minha pessoa e pelo jeito não deve ter mulheres o suficiente nessa cidade ou talvez tenha e acabem se sentindo traídos pelas turistas que estão de passagem.