"Eu vivo dentro no meu próprio mundo de faz de conta
Crianças, gritam em seus berços, profanidades
Eu vejo o mundo por olhos cobertos em tinta e alvejante
Traindo aqueles que ouviram meus gritos e me viram chorar"
Cradles | Sub Urban
CONAN GREY:
Enviei o trabalho para Oceana, que visualizou a mensagem rapidamente. Demorou uns 3 minutos até ela responder.
oceana watson: o trabalho está ótimo. segunda entregamos.
eu: sim, eu também achei.
Eu não sabia o que falar mais, então digitei só isso. Ela visualizou a mensagem e ficou off-line. Eu senti que precisava puxar mais algum assunto para falar com ela, mas eu nem tinha o que falar.
Eu ia falar o que com ela? sobre o clima? seria patético.
Então, a única coisa que me veio na cabeça foi:
eu: ei, está afim de comer donut's?
Como ela estava off-line, eu larguei o celular do meu lado e fechei meus olhos.
Eu estava ansioso para ela me responder. Eu queria conversar com ela.
Que d***a estava acontecendo comigo?
oceana watson: quando?
eu: amanhã, antes de irmos para aula.
oceana watson: vai ser aqueles que você me deu aquele dia?
eu: sim
oceana watson: eu topo!
eu: ok! estarei na sua antes do horário da escola. te mando mensagem antes de ir.
oceana watson: ok, obrigada :)
eu: não precisa agradecer!
Por fim, ela enviou outra carinha sorrindo e disse que já iria dormir, pois estava cansada. Eu dei boa noite e disse para ela dormir bem, ela agradeceu e desejou o mesmo.
Saí do aplicativo e coloquei meu celular para carregar.
Eu não via a hora de amanhecer logo só para estar ao seu lado.
Ela era legal.
[...]
O despertador tocou uma vez e eu me levantei rapidamente aquela manhã. Era uma das primeiras vezes que isso acontecia, geralmente eu ficava enrolando mais uns minutos na cama.
Para mim, dormir nunca era demais. Bom para c*****o.
Minha mãe até estranhou quando eu desci para a cozinha. Ela perguntou várias vezes se eu estava me sentindo bem, se tinha acontecido alguma coisa, se eu queria alguma coisa. Era normal o seu estranhamento, de fato, eu não acordava tão cedo e fácil assim.
Isso acontecia de ano em ano.
Mas aquela manhã não era uma manhã normal, eu estava acordando mais cedo para ir pegar a Oceana e levá-la para comer donut's de café da manhã.
Minha mãe perguntou se eu iria tomar café em casa, disse que Emily tinha feito um bolo de cenoura com calda de chocolate muito boa, mas eu recusei, falei que tomaria café da manhã na rua. Ela assentiu e o assunto se encerrou.
Mandei mensagem para Oceana, perguntando se ela já estava pronta. Não demorou para ela responder.
oceana watson: oi, bom dia, já estou pronta.
eu: ok, estou saindo de casa e irei chegar em poucos minutos.
oceana watson: certo, por vim.
Guardei meu celular do bolso, avisei a minha mãe que já estava saindo e fui para a garagem, entrei no meu carro e saí de lá.
Liguei o som carro num volume um pouco mais alto e coloquei minhas músicas favoritas. Gosto para c*****o da minha playlist.
Dirigi até a casa de Oceana e não demorou muito para chegar até a sua casa. Eu estacionei em frente a sua casa e buzinei 1 vez.
Ela apareceu na janela e deu um leve sorriso, avisando que já iria descer.
Depois de alguns segundos, Oceana desceu e abriu a porta, saindo com a mochila nas mãos. Ela veio até o meu carro, eu abri a porta do lado do banco do motorista e ela entrou.
- Bom dia, Grey.
- Bom dia, Watson. Pronta para irmos? - Ela me respondeu com a cabeça, afirmando que eu já podia começar a dirigir. - Ok.
Dei partida e estava dirigindo com uma certa velocidade, mas nada que fosse preocupante e nada que fosse passar do limite. Se tem uma coisa que eu respeitava, era as regras para dirigir. Vez ou outra, eu já dirigi levemente alterado, porque eu não estava longe de casa e porque eu sabia que não seria perigo nenhum, mas eu sempre era muito respeitoso no trânsito.
Dirigir era como se fosse uma terapia para mim, era onde eu me sentia bem e onde eu sentia que eu poderia relaxar. Na estrada eu era uma pessoa muito melhor, eu diria.
Assim que chegamos na padaria, eu coloquei meu carro no estacionamento do estabelecimento e saí do carro. Esperei Oceana sair e assim que ela o fez, entramos na padaria.
Eu frequentava essa padaria desde do dia que tinha me mudado para a cidade, foi um dos lugares que eu mais gostei de ter conhecido. Além das comidas serem boas, o lugar também era bastante maneiro. Os donut's eram incríveis, eles sabiam fazer direitinho.
Oceana e eu sentamos numa mesa mais afastada das outras e foi até melhor assim, naquele horário da manhã o local estava um pouco lotado, muitas pessoas passavam aqui antes de irem para seus compromissos, que a maioria eram trabalha e escolas. Era uma padaria muito frequentava pelas pessoas da cidade.
Oceana sentou na minha frente e pegou o cardápio que estava na mesa, olhando as opções que tinha. Eu não precisava nem olhar, de tanto frequentar a padaria, eu já sabia cada coisa que tinha no cardápio e já sabia exatamente o que iria pedir.
Esperei ela terminar de escolher a sua refeição e quando ela percebeu isso, me pediu desculpas pela demora e que já sabia o que iria pedir. Eu falei para ela relaxar, estava tudo tranquilo.
Chamei a garçonete com a mão e ela veio nos atender rapidamente. Com o seu caderno nas mãos, ela anotou nossos pedidos atentamente.
- Eu vou querer bacon com ovos e um café preto com açúcar, por favor.
- Certo. E você, querida? - A garçonete falou com Oceana.
- Eu vou querer esses donut's de chocolate, um pão misto e um suco de maracajá, por favor.
- Claro. - Sorriu. - Vai ser só isso?
- Sim. - Dissemos os dois juntos.
A garçonete falou que traria o mais rápido possível e agradecemos. Ela saiu nos deixando a sós novamente.
- Boa escolha, o donut's daqui é perfeito.
- Por isso eu pedi, é um dos melhores que eu comi. É tão macio e saboroso!
- Afirmo com toda certeza desse mundo que aqui vende um dos melhores donut's. Sempre que estou fim de comer um doce, é para cá que eu venho. Sempre tem doces ótimos.
- Obrigada pela dica. - Eu soltei uma leve risada.
- Mas e aí, seus pais não se incomodaram em você vir comigo? - Eu perguntei.
- Bom, para a falar verdade, eu só tenho o meu pai de vivo e ele é muito tranquilo. Expliquei que você era da escola e que já tínhamos feito um trabalho juntos, então ele nem ligou.
- Eu sinto muito, de verdade. - Me referi a perda da sua mãe.
- Está tudo bem, você não tinha como saber. - Ela sorriu, o que me tranquilizou mais.
- Mas fico feliz que seu pai não se incomodou, sou um cara confiável e que vai cuidar muito bem de você no meu carro.
Ela me olhou sem falar nada por um momento. Em todo esse nosso momento, eu a encarei e ela fez o mesmo.
Seus olhos verdes eram lindos para c*****o e eu não me cansaria nunca de olhar para eles. Eram como esmeraldas, algo muito precioso. Ela tinha um olhar bonito e marcante.
Ela era completamente linda.
- Hum, que bom, então. - Falou.
- É.
Eu poderia passar horas só a admirando, se isso não fosse um pouco estranho. Mas eu faria isso e prestaria atenção nos mínimos detalhes do seu rosto. E se fosse possível, faria isso sempre, sem me importar se já tinha feito isso antes. Ela era uma obra arte que merecia ser admirada pelos meus olhos.
Por Deus, como ela era linda.
O fato de ter ficado olhando muito para ela, a deixou constrangida, fazendo com que abaixasse o seu olhar. Naquele momento eu só quis pedir desculpas por isso, só para ela me olhar por um tempo e eu poder ver perfeitamente o seu rosto.
Qual era a minha com esses pensamentos? isso estava ficando estranho.
- E como está a sua mãe? - Ela perguntou.
- Ela está bem e chata como sempre. - Brinquei. - Aliás, preciso dizer que ela gostou muito de você. Você foi foi muito simpática com ela.
- Eu também gostei muito dela. - Sorriu. - E sua mãe que foi muito simpática comigo. Se eu estava nervosa antes, meu nervosismo passou quando conversei com ela. Sua mãe é muito legal.
- Ela é mesmo, preciso admitir. Uma das pessoas mais amáveis que eu conheço na minha vida. Sempre foi muito simpática com meus amigos. Diferente do meu pai.
Eu nem sabia porque tinha citado o meu pai naquela conversa.
- Problemas com o seu pai?
- Vários, para ser sincero. Ele é um pé no saco.
- Sinto muito por isso.
- Eu também sinto. - Ela suspirou.
- Eu sinto saudades da minha mãe. Tenho certeza que se você conhecesse ela, você iria gostar dela tanto quanto eu gostei da sua mãe.
- Você lembra muito dela?
- Sim. Faz muito tempo que ela se foi, sabe? eu era uma criancinha, mas tenho muitas memórias com ela que guardo dentro de mim até hoje. Minha mãe era uma pessoa incrível, ela fez com que sua passagem aqui na terra fosse memorável demais. Não só por mim, tenho absoluta certeza que todos que a conheceram ainda se lembram dela.
De repente, Oceana estava se abrindo comigo. Ela se sentiu confortável para isso, e eu fiquei bem. Ela era uma pessoa calada e se ela falou sobre a sua mãe falecida, significava que ela estava se sentindo bem para isso acontecer.
- Nossa, eu estou falando muito aqui da minha mãe, me desculpa! sei que para você deve ser um assunto chato.
- Na verdade, não acho chato de jeito nenhum. Por mim, você pode ficar à v*****e para falar sobre ela.
Eu estava sendo sincero. Ela poderia falar sobre isso, e sobre qualquer outra coisa, eu prestaria atenção nas suas palavras.
Oceana abriu a sua boca para falar algo, mas antes que saísse qualquer som, a garçonete tinha chegado com os nossos pedidos. Ela colocou meu prato e o de Oceana e antes de ir embora, perguntou se queríamos mais alguma coisa, nossa resposta foi um não. Então, ela saiu e nos deixou sozinhos novamente.
- Enfim... acho melhor a gente começar a comer logo. - Oceana disse, e eu concordei.
Depois disso, a única coisa que dissemos foi sobre a comida estar muito boa. Oceana me fez comer um pedaço de seu donut's de chocolate e eu agradeci por aquilo. Estava com uma cara boa, p**a que pariu.
- Está realmente muito bom. - Eu comentei.
- Acho que eu vou querer aparecer aqui todos os dias. - Ela riu. - Sério, o donut's daqui é maravilhoso demais. Obrigada por me trazer aqui.
- Se quiser, podemos vir mais vezes.
Ela me encarou, sem saber o que dizer para mim.
E nem eu sabia o que eu estava querendo dizer exatamente. Mas eu sabia que aquilo estava sendo rápido demais e pela sua reação, ela não tinha gostado disso.
Que d***a, cara.
Que m***a estava acontecendo comigo?