CAPÍTULO 8 Nem todo charlatão é inofensivo… e nem toda mulher é o que parece. O café da esquina estava quase vazio, exceto pelo perfume forte de especiarias e o barulho suave da máquina de espresso. Anjelina Pereira Dias — ou simplesmente Anja, para os poucos que ousavam chamá-la assim — folheava lentamente um livro de capa gasta. Uma edição antiga de Crime e Castigo, só para manter o teatro convincente. Cabelo preso num coque desleixado. Óculos escuros apoiados na mesa. Unhas curtas. Rosto limpo. Um capuccino à meia-lua, esfriando lentamente. Parecia uma mulher comum. Mas não era. Advogada criminalista. Detetive particular. Infiltrada há anos em uma das unidades discretas da Divisão de Investigação Estratégica de São Paulo. Especializada em fraudes, seitas e novos métodos de manipu

