CAPÍTULO 6 Quando o prazer deixa de ser medo e volta a ser escolha O sol ainda batia fraco na fachada recém-pintada da clínica. O vidro da janela refletia uma luz quase tímida, como se respeitasse o peso do que seria curado ali. A primeira paciente do dia chegou acompanhada de um silêncio espesso. Vinte anos. Nome: Isadora de Menezes. Olhar baixo. Coluna retraída como quem carrega anos de palavras que ferem mais do que socos. Max a recebeu com uma expressão neutra, quase fria. Era a primeira sessão. Ele não precisava da confiança dela. Precisava da presença. O olhar dela passeava pela sala como quem procura uma rota de fuga. Os olhos batiam nas prateleiras, na parede de pedra, nas luminárias âmbar. A respiração parecia sempre presa na garganta, como se cada inspiração fosse uma

