CAPÍTULO 11 Quando o desejo nasce da dor alheia. O som da TV cortava o silêncio do quarto como uma lâmina. Eu não costumo assistir noticiários. Eles me entediam. Repetem tragédias, vendem histeria, alimentam pânicos que não curam nada. Mas naquela noite, algo fez meu dedo parar no canal. Uma mulher. Um corpo. O repórter falava com pressa, voz embargada pela emoção fake que jornalistas usam quando o horror é real demais. — Foi encontrada em um terreno baldio na zona sul de São Paulo. Está viva, mas inconsciente. Sinais de estupr0, afogamento, múltiplas fratur4s... A polícia suspeita que o agressor tenha tentado matá-la após o abus0. Eu encostei o copo de vinho na boca, mas não bebi. A imagem na tela mostrava a maca sendo empurrada por paramédicos. E ali, sob o lençol manchado de sangu

