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1576 Palavras
OLÍVIA NARRANDO Apaguei de novo. Tudo estava confuso demais, eu não fazia ideia do que estava acontecendo direito. Mas então, quando acordei depois de um longo tempo, eu vi o que estava acontecendo e lembrei de onde estava. Agora, eu já me sentia bem melhor. Me levantei e vi na mesinha de centro minha bolsa, uma garrafa de água e alguns comprimidos para dor de cabeça e enjôo. Eu peguei um para dor de cabeça e tomei, então, vesti as sandálias e saí do quarto. Tyler me salvou e eu só conseguia sentir um misto de gratidão e... Outras coisas que pulavam por meu peito e eu não conseguia entender. Sou uma pessoa confusa, e Tyler chegou transformando meu peito em um liquidificador aberto, ligado, com passa de panqueca... Só que sem tampa. É, foi isso que ele fez comigo. Fui surpreendida pelo filho de Tyler, que veio correndo em minha direção. — Ei! É você! É a moça legal do restaurante! — Ele agarrou minhas pernas. — Você vai ser minha nova mamãe? Diz que sim! O papai nunca traz nenhuma mulher pra casa! Vai ser você, então? — Eu fiquei constrangida e completamente vermelha. Essa criança é muito carente, meu Deus! Pelo visto, ele não tem muito contato com a mãe, já que falou algo sobre eu ser sua "nova mãe". Ou talvez, Tyler seja tão cachorro que fique trazendo mulheres aqui, o menino se apega e ele as leva embora. Mas que droga, por que eu me importo com isso? Respirei fundo e me concentrei. Avistei Tyler, e ele estava organizando sua pasta de forma despreocupada. — Não vai falar nada para o seu filho? — Questionei. Eu abaixei e peguei o menino no colo, e ele me abraçou com muito carinho. Ele é um menino doce, apesar de um pouco mimado. Talvez o motivo dos mimos seja esse: O pai tenta comprar o amor do filho com dinheiro e coisas, fazendo todas as suas vontades. — Você é tão linda! Como é seu nome mesmo? — O garotinho perguntou, fazendo um carinho suave no meu rosto com as suas duas mãozinhas. — Olívia. — Falei, enquanto olhava para Tyler. — Você vai casar com meu pai? — Ele perguntou e eu engoli seco. Eu continuava olhando para Tyler, que ainda estava organizando sua pasta, como se não ouvisse nada. Mas, quando ele ouviu o menino falando aquilo, sorriu de forma maliciosa, mesmo que não nos olhasse. Isso me fez entender que ele fingia não ouvir de propósito. Que raiva! Ele não vai explicar pro próprio filho que eu não sou noiva dele ou coisa assim? Que cara sacana! — Não, meu amor, eu sou só uma amiga do papai, tive um problema ontem e ele me ajudou. É só isso. — Os olhos dele encheram de lágrimas e sua animação se transformou em tristeza. Eu não queria um escândalo, mas sabia que ele faria um. — Não! Por favor, mora comigo! — Ele agarrou meu pescoço com força. — Não é assim que a vida funciona, garoto. — Falei. — Mas eu prometo que quando você for no restaurante que eu trabalho, vou te servir com muito amor de novo, tá? — Mas... — Ele disse e começou a chorar. — Eu quero te ver de novo aqui na minha casa! — Benny, o motorista está te esperando para você ir para a escola. — Tyler o avisou. — Eu só vou sair se a Olívia prometer que vai estar aqui quando eu voltar! — Disse. — Promete, Olívia? — Ahn... — Eu olhei para Tyler, que me olhava de forma firme. — Prometo, é claro. — Menti. — Legal! Eu vou contar os minutos pra ver você, Olívia, eu gosto tanto de você! — Ganhei um beijo na bochecha e o coloquei no chão. Esse garoto tem carência de mãe, com certeza. Agora, eu e Tyler estávamos sozinhos. Eu me aproximei dele, e ele me olhou de cima abaixo. — Obrigada por me ajudar ontem. — Ele apenas acenou com a cabeça ao meu agradecimento. — Bom, eu vou para casa. — Não antes de me explicar o que você estava fazendo lá naquele bar. Não sabe que os hooligans vivem enchendo a cara naquele lugar? — Disse, parecendo um pouco bravo. —Você não devia aparecer lá de novo. Está marcada por eles agora, acredite. — Fui ao bar com uma amiga, mas ela meio que arrumou um cara e me deixou sozinha. — Eu cruzei meus próprios braços, olhando para baixo. — Eles chegaram ali e... Me obrigaram a beber. Eu só tomo cerveja e bem de vez em quando, e eles me obrigaram a beber vodka... E você viu o que aconteceu. Eu não costumo fazer esse tipo de coisa, tá? Tive um dia difícil... Mas não te devo explicações, de qualquer forma. — Falei e ele concordou com a cabeça. — Não quero que vá lá novamente. — Disse, e começou a se aproximar de mim de uma forma impositiva. Seu queixo estava erguido e ele me olhava como se eu fosse dele. Eu o olhava nos olhos, em todo momento. — Não vai mais naquele bar e não vai voltar tarde para cá, hoje. — Oi? Eu não vou voltar para cá. — Afirmei. — Eu estou indo embora. Dei as costas para ele e saí andando, em direção a porta. Ele veio andando atrás de mim, e segurou meu braço esquerdo com sua mão direita. Isso fez com que eu me virasse com tudo de frente para ele, e ele mudou minha rota, me empurrando contra a parede mais próxima. Eu tentei empurrá-lo com minha mão livre, mas ele a segurou e prendeu meus dois braços contra a parede. — Você prometeu ao meu filho que iria voltar, então, você irá voltar. — Ele disse. Eu estava presa entre o corpo dele e a parede. Ele olhava para meu rosto, e desviou o olhar para meus lábios por alguns instantes. Minha respiração chegou a falhar, e isso me fez ficar em silêncio. Eu tenho vontade de socar o Tyler, ao mesmo tempo que tenho vontade de beijá-lo. Isso é horrível. — Você não manda em mim. — Ele sorriu de forma safada, completamente safada. Que sorriso maldito. Tyler aproximou os lábios do meu ouvido, e sussurrou, como se me contasse um segredo. — Nem pense em desobedecer. Não quero que algo r**m aconteça com você, se é que me entende. — Ele disse, e isso me assustou um pouco. Eu só queria ir embora, então, concordei com a cabeça. — Ok, eu volto. — Falei, em voz alta. Tyler me soltou e se afastou de mim. — Vou mandar o outro motorista te levar para casa. — Disse. Eu concordei com a cabeça. Alguns minutos depois, o motorista chegou e eu fui embora com ele. Fechei meus olhos, enquanto era levada para casa, e alguns flashbacks vieram em minha cabeça. A Nicole me deixando sozinha, o valentão chegando, o medo que senti do valentão e o alívio ao ver Tyler. Cheguei em casa, e continuei lembrando de tudo que aconteceu. Eu fui tirando minhas roupas para tomar banho, e lembrando dos detalhes. Deus, como foi horrível! Eu achei mesmo que seria estuprada! Quando entrei embaixo do chuveiro, comecei a tomar banho e lembrar de algo diferente: Eu lembrei dos toques de Tyler no meu corpo. Comecei a lembrar de suas mãos descendo por minhas curvas, e da forma como apertou minhas coxas. Meu corpo arrepiou, e minha imaginação foi longe: Eu me imaginei beijando ele. Imaginei Tyler me tocando ali embaixo, enquanto eu mesma me tocava. Embaixo do chuveiro, eu me toquei pensando nele, e depois tive ódio de mim mesma. Aquele cara é um filho da p**a! Ele pode ter sido gentil em me salvar, mas ele se acha, e isso me irrita profundamente! Passei o dia refletindo sobre tudo que aconteceu, e então percebi algo: Como um cara rico como Tyler estava em um bar como aquele? Não faz o menor sentido. O que ele estava fazendo lá? Fui para o bar, durante a tarde, para fazer algumas perguntas ao dono. Eu cheguei lá e aproveitei que estava vazio. — Oi, você estava atendendo ontem a noite? — Questionei ao rapaz. — Estava. Perdeu alguma coisa? — Eu neguei com a cabeça. — Nada além da minha dignidade. Você viu que alguns valentões me embebedaram? — Ele ergueu a sobrancelha. — Ahhh, você é a moça que Tyler defendeu. Sim, eu vi. Sinto muito por aquilo, eu chamei o segurança, mas o senhor Tyler deu conta... — Eu engoli seco. — Por que ele estava aqui? — Ele deu os ombros. — Eu não sei. Nunca havia visto Tyler Abel por aqui. Fui embora, e isso me colocou uma pulga atrás da orelha. Por que ele estava ali? Será que ele está me perseguindo? Fui para casa, já que minha cabeça voltou a doer. Tive que tomar outro remédio. Maldita ressaca! À noite, eu fui para minha cama e quando peguei meu celular, vi o contato de Tyler Abel e uma mensagem: “Não se esqueça do que prometeu”. Até parece que vou sair de casa, com dor de cabeça, para cumprir uma promessa que fiz só para uma criança não chorar. Não, eu não vou. Sinto muito. Desliguei o telefone sem responder e fui dormir, porque amanhã trabalho logo cedo.
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