CAPÍTULO 4
OLÍVIA NARRANDO
Acordei cedo, hoje o dia seria ótimo, pressupus. Não tenho nada me incomodando e tenho tempo para chegar ao meu trabalho de forma tranquila. Me arrumei, passei um pouco de rímel e batom, fiz uma trança embutida em meu cabelo e olhei para mim mesma. Sou uma mulher bonita de cabelos castanhos e olhos castanhos, pele clara, tenho baixa estatura e um corpo normal. Não sou o padrão de beleza, mas todos sempre disseram que tenho uma beleza diferente das outras. Essa beleza já me colocou em mais enrascadas do que posso contar. O valentão no bar não foi o primeiro.
Ouvi batidas na porta e fui correndo atender. Quem poderia ser essa hora?
— Oi, amiga. — Nicole estava na porta, quando eu atendi. Eu a olhei com ódio.
— Amiga? Você tem coragem de me chamar de amiga depois de me deixar sozinha naquela droga de bar? Você me deixou nas mãos de um filho da p**a, sabia? Ele me embebedou e podia ter me estuprado, se não fosse... — Eu mesma me interrompi.
— Me perdoa! Eu sei que errei, mas fiquei tão interessada naquele rapaz! — Disse, com os olhos lacrimejando. Eu girei os meus olhos e neguei com a cabeça.
— Vai embora! Eu estou me arrumando pra trabalhar e quero ficar sozinha, sua cretina! — Gritei e bati a porta na cara de Nicole.
Cheguei em meu trabalho e infelizmente, o filho do meu chefe entrou de férias. Ele sempre falava do filho como um grande galã de novela que dá em cima de todas, e eu acredito, porque o irmão do sr. Hopkins é igual. Eu tenho dois anos a mais que o garoto, mas ele tem cara de adolescente. Sempre gostei de homens mais velhos, meu último namorado tinha quarenta, mesmo eu tendo apenas vinte e seis.
Entrei na cozinha para ver se o chefe queria alguma ajuda, mas ele ainda não havia chegado. Para a minha surpresa, Gabriel, o filho de sr. Hopkins, entrou atrás de mim.
— Oi, bonitinha. — Disse, com um sorriso nos lábios. Eu não gosto de como ele olha para mim.
— Olá, tudo bem? — Respondi, sorrindo de forma educada.
— Melhor agora. — Ele piscou um dos olhos para mim.
Tive vontade de vomitar, mas fingi que não. Sorri e saí de perto, para fazer meu trabalho.
Peguei o celular e lá abri a mensagem de Tyler Abel de novo, observando o conteúdo. Eu acabei não vendo as linhas que estavam embaixo, onde dizia: “Não volte tarde para casa mais.”
Eu apenas ignorei e continuei seguindo com meu dia de trabalho, vez ou outra pensando nele, e no que aconteceu.
Estava tudo bem, e os dias foram passando. Eu estava cada dia mais incomodada com Gabriel, que me olhava de forma estranha. Hoje, então, ele parecia ainda pior: Seus olhares pareciam me despir, e isso me constrangia.
Em meu horário de intervalo, eu me escondi atrás do restaurante, para não vê-lo. Estava incomodada e com um pouco de medo. Fechei meus olhos e lembrei do maldito hooligan que me embebedou uma semana atrás, e isso fez meu coração bater mais forte.
Devido ao meu estado, quando ouvi passos, me virei com muito medo. Gabriel estava se aproximando de mim.
— Que bom que está sozinha. Quero conversar com você. — Ele disse, se aproximando de mim. Me segurou pela cintura e eu o empurrei para longe.
— Não me toca. — Falei, o empurrando.
— Eu quero você. E vejo a forma como me olha, sei que você me quer também! — Ele afirmou.
— Não! Eu não quero você, pelo amor de Deus! — Falei, dando um passo para trás.
— Ah, você não quer? Então vamos fazer o seguinte: Ou você fica comigo, ou eu faço você ser demitida. O que acha? — Ele sorriu de forma maliciosa, e eu corri para dentro do restaurante, rezando para que houvesse algum cliente para eu atender.
Sim, havia um cliente. E quem ele era? Era Tyler. Ele entrou no restaurante com seus óculos escuros, perfeitamente arrumado, de mãos dadas com seu filho. Eu engoli seco e fui atende-los, enquanto se sentavam em uma mesa.
— Olá, posso deixar o cardápio com vocês? — Perguntei, com o coração muito acelerado e com as bochechas vermelhas.
— Obrigado. — Ele pegou o cardápio da minha mão, mas nem ao menos olhou em meu rosto, como da primeira vez que esteve aqui.
— Ei! Olívia! — O garotinho me olhou, de forma triste. — Por que você não foi na minha casa? Você tinha prometido... — Disse, de forma triste. Eu suspirei.
— Ah, meu amor, eu estou muito ocupada com o restaurante. As pessoas precisam ser servidas aqui, e eu faço muito bem o meu trabalho.
— Mas eu quero que você cuide de mim, não quero que trabalhe aqui! — O menininho disse.
— Seria perfeito se você pedisse demissão e trabalhasse de babá para o meu filho. A babá dele se demitiu essa semana. — Foi o primeiro momento em que Tyler olhou para mim.
— Não sou babá, mas agradeço a proposta. — Sorri ao falar.
Gabriel veio até a mesa de Tyler, e interrompeu a conversa.
— Pode deixar que eu os atendo. — Disse. Percebi Tyler observando Gabriel com ódio.
— Não quero ser atendido por você. Quero ser atendido por ela. — Tyler disse, apontando para mim. — Traga o que pedi da última vez. — Ele disse.
— Pode deixar. — Falei, anotando o pedido. — Mais alguma coisa?
— Olívia, vá para lá, eu vou atender o senhor dessa mesa. — Gabriel ordenou. Eu arregalei os olhos. Dessa vez, o olhar de Tyler foi fulminante.
Sr. Hopkins se aproximou, com um sorriso nos lábios.
— Senhor Tyler Abel! — Disse, contente. — Como vai? Então, parece que o senhor gostou do meu restaurante... Está aqui de novo! — Disse, feliz.
— Sim. E quero o atendimento da mesma forma que da outra vez. — Tyler disse, abrindo a carteira e tirando quatrocentos dólares. Entregou ao meu chefe, e eu o olhei. — Peça para esse rapaz não me incomodar mais. Ele não sai daqui de perto. — Ele disse, olhando para Gabriel.
— Gabriel. — Sr. Hopkins olhou para o filho, que saiu de perto rapidamente. — O senhor quer atendimento com a Olívia, certo? — Questionou.
— Isso mesmo.
— Olívia, atenda apenas ele, ok? — Eu olhei para meu chefe e concordei. Ao menos, ao lado de Tyler, eu não vou ser incomodada pelo Gabriel.
Quando os pedidos de Tyler chegaram, eu fui buscar e entreguei na mesa. Dessa vez, Benny escolheu apenas um prato, e isso me deixou um pouco mais animada. Eu me sentei ao lado do garotinho e comecei a cortar a carne para ele, sem me incomodar tanto. Acho que entendi que Benny é carente, e isso me deixou um pouco mais calma. O fato de eu não ter sido ensopada pelo carro de Tyler essa manhã também ajudou um pouco.
— Estou feliz que não está indo para casa tarde. — Tyler falou. Eu arregalei os olhos e o observei.
— Por um acaso você está me vigiando? — Questionei, revoltada.
— Estou. Você parece não saber se cuidar sozinha. — Ergui as sobrancelhas, coloquei mais uma colher na boca do garoto e depois olhei para Tyler.
— E você acha que é quem para cuidar de mim? — Falei e ele apenas sorriu de forma maliciosa, comendo um pedaço da paleta de cordeiro que pediu.
Fiquei brava. Esse cara está me perseguindo? É isso?
Depois que os dois terminaram de comer, eu os acompanhei até o lado de fora. Gabriel parecia estar com ódio de Tyler e de mim, e eu não sei até qual ponto isso era bom ou r**m, afinal, talvez ver Tyler comigo tenha feito Gabriel querer se afastar.
— Já entendi porque me rejeitou. A gata borralheira está dando para um ricaço. Parabéns, vai engravidar dele também e dar o golpe da barriga? — Gabriel disse, e eu arregalei os olhos.
— Você só pode estar de brincadeira. Isso foi ridículo. — Afirmei.
— Por que não se demite, então? Já que eu sou um nojento. — Ele sorriu de forma irônica e eu senti meu corpo queimar em ódio.
— Eu preciso desse emprego pra me sustentar, p***a! Me deixa em paz! — Gritei com Gabriel, nos fundos do restaurante.
Entrei de volta e terminei o dia. As pessoas parecem ter feito um complô para me irritar.
Quando estava quase chegando em casa, depois de um dia exaustivo de trabalho, eu ouvi meu telefone tocar e atendi. Era Nicole.
— O que você quer? — Questionei, brava.
— Eu tô... Eu tô completamente... Bêbada, naquele bar... O Pat me deixou! — Disse, e começou a chorar. Eu girei os olhos ao ouvir.
— Droga! Um amigo me disse que esse bar é perigoso. Eu estou indo te buscar. — Avisei.
Apesar de Nicole ter sido uma péssima amiga, eu não sou assim. Não vou deixar minha amiga sozinha.
Quando cheguei no bar, fui até minha amiga e me sentei com ela.
— Oi, amiga... Me perdoa. — Disse, mais uma vez. Eu suspirei.
— Depois a gente conversa sobre perdão. Me conta o que aconteceu, Nicole.
— Aquele cara que conheci aqui... O Pat. Ele terminou comigo. Foi a melhor semana da minha vida, e ele me deixou. — Ela disse, chorando feito uma desesperada. Eu a abracei com um braço, já que estávamos sentadas uma do lado da outra.
— Você foi tão i****a de se apaixonar assim. — Avisei. — Tô pra te falar que homem nenhum presta. — Falei, girando os olhos.
Acabei ficando com ela no bar até tarde. Quando era uma da manhã, liguei para um táxi, já que ela estava bem bêbada, e pedi que ele nos levasse para casa. Deixei ela na casa dela, em segurança e fui para a minha. Quando entrei em casa, peguei meu celular e vi uma mensagem de Tyler Abel: “Eu disse para você não voltar tarde para casa.”
Apenas isso. Como ele sabe? Como?