Monique Narrando Depois que o Diego me deixou aqui na casa da Amanda, fiquei um tempo parada na calçada, olhando o carro dele sumir na rua. Não sei explicar. Foi a primeira vez que a gente falou “te amo”. Assim, com a voz embargada, com a p***a da cidade inteira pegando fogo ao nosso redor. Uma confissão no meio da guerra. É loucura. Mas é verdade. E isso que assusta. Subi. O prédio era o mesmo de sempre, o corredor abafado, o cheiro de café misturado com mofo. Toquei a campainha. Amanda abriu a porta com aquela cara de b***a que só ela sabe fazer. Olho inchado, boca emburrada. Tava largada no sofá, de moletom, parecendo uma adolescente revoltada. — Já chegou? — ela resmungou. — Já, né? Tu abriu a porta, p***a… — rebati entrando. Joguei a mochila num canto e fui direto pra

