Capitulo 36

2476 Palavras
Sina: Any, você está bem? – a loira disse se levantando. Any: Estou, por que Sina? Sina: Você está tão caladinha hoje. – disse observando a amiga parando na frente ao enorme espelho e arrumando os cachos. Any: Não é nada, é que eu estou com um pouquinho de sono, ontem eu terminei nossa música um pouquinho tarde. – abriu um sorriso simples. – Só isso, não se preocupe. Sina: Tem certeza? – Any assentiu. – Tem certeza que não quer que a gente vá com você? Any: Tenho Sina. – sorriu. – Você não precisa se preocupar com isso, mamãe e tia Úrsula gostam de me acompanhar e fazem um drama quando não podem ir, então já viram não é? – disse terminando por fim. – Me desejem sorte. As duas lhe desejaram sorte, a cacheada deu um beijo nas duas e saiu, com um nó na garganta, sabia que o bebê já se mexia, mas mesmo assim tinha medo do que a doutora diria.  Quando ia atravessar o portão escutou chamarem seu nome, era Josh. Respirou fundo, pronta para lhe dar o fora número mil. Any: O que você quer agora Joshua? – perguntou sem paciência. Josh: Você vai à obstetra? – perguntou sem graça pela forma como ela tinha falado com ele. Any: Sim, por quê? – cruzou os braços. Josh: Eu posso ir também? – disse coçando o olho, Any suspirou. Any: Não, não pode. – e se virou para sair, mas ele a pegou pelo braço, impedindo-a de sair. Josh: Any, deixa eu ir, eu quero ver como ela está. Você nunca me diz nada, não me deixa ir às suas consultas, eu sei que eu fiz merda contigo, mas a nossa filha não tem nada haver. Any: Eu já disse que não! – berrou e saiu quase correndo. e Ele apenas suspirou, observando-a sair. Ela saiu e viu que seu José já estava a esperando, cumprimentou o motorista, entrou no carro e suspirou, Joshua estava sempre em seu pé, tinha que admitir que lhe doía ter que se afastar e afastar o bebê, mas tinha certeza de que se desse espaço iria cair nos braços dele e isso ela não queria.  Também tinha que admitir que ele estava muito estranho durante esse último mês, ela não o tinha mais visto com mulheres, sempre via Joalin e outras garotas conversando com ele, mas ele sempre se saia não dando muito espaço pra elas, quando não estava no treino do time de futebol, estava estudando ou conversando com os amigos, desanimado.  Ela estava começando a se preocupar. Josh sempre fora muito sem vergonha, não apenas no sentido de ser um cachorro, mas era uma pessoa muito aberta e vivia gargalhando e soltando piadinhas com tudo, vê-lo quieto assim era novo. Saiu de seus pensamentos ao ouvir a voz de seu José, dizendo que já tinham chegado. Any: Obrigada seu José. – sorriu e agradeceu ao senhor. José: Imagine menina, vai querer que eu lhe espere? Any: Não senhor, pode ir pra casa, provavelmente mamãe vai me levar. O velho senhor assentiu e Any entrou no consultório, Priscila e Úrsula já estavam lhe esperando. Úrsula: Querida, que bom que chegou, você é a próxima. Any assentiu e cumprimentou as duas, sentou e ficaram conversando até a doutora mandar chamá-las. Selena: Olá querida! – sorriu dando um beijo no rosto de Any, já tinha um carinho especial pela menina. – Como tem passado? Any: Bem e a senhora? – disse sentando. Selena: Vou levando. – sentando em sua cadeira. – Fiquem à vontade. – Priscila e Úrsula sentaram. – Bem Any... – disse abrindo sua gaveta. – Você deve estar nervosa e curiosa não é? Any: Sim, a senhora já tem os resultados dos meus exames? – perguntou estalando os dedos, nervosamente. Selena: Oh sim, sim. – disse com o papel nas mãos, Any engoliu o seco. – Os exames com o liquido amniótico não apontaram nada, sua filha é totalmente saudável. Não tem nenhum tipo de paralisia, nem nenhuma síndrome e nenhum dano aparente e você mesmo me disse que ela já se mexe não é?  Any assentiu completamente aliviada. Any: Graças a Deus. – murmurou juntando as mãos.  A doutora sorriu e em seguida suspirou pesadamente. Selena: Mas...  Any a encarou, um tanto confusa. Será que tinha mais algum problema? Úrsula: Mas o que, doutora? Selena: O seu exame de urina apontou índices elevados de proteína. – disse pegando outro papel e entregando a ela. Any: Mas o que tem demais? – murmurou. – Isso é bom... Não é? – disse temerosa.  Selena as encarou e entregou-lhes um papel. Copias do exame. Selena: Infelizmente não. – fechou os olhos. – Você pode ter uma pré-eclâmpsia. Priscila: O QUE?! – se levantou perplexa. – Não, minha filha não pode ter isso. Any começou a chorar, não podia ser. Agora mais aquilo! Selena: Acalme-se Priscila. – suspirou. – Me deixe explicar a situação, não é motivo para alarde.  Priscila sentou-se completamente nervosa, sua filha não podia sofrer isso.  Selena: A pré-eclâmpsia é um problema, marcado pela hipertensão ou pela proteinúria, que é o seu caso, você tem presença de proteína na urina, que pode acontecer a qualquer momento da segunda metade da gravidez, ou seja, a partir de vinte semanas, mas é mais comum a partir de vinte e sete semanas. É causado por deficiências na placenta, o órgão que nutre o bebê dentro do útero. – ela explicava e Any ouvia tudo, porque essas coisas tinham que acontecer com ela? Justo com ela que nunca tinha feito m*l a ninguém? – Ela é bastante comum e afeta em sua forma leve até 10% das grávidas. Que é o seu caso, por sorte é uma leve, mas não deixa de ser grave. Any: Eu vou morrer, não é? – soluçando. Selena: Não pense assim querida. – disse com pena, ao observa-la sendo abraçada pela mãe. – Se você seguir o que eu disser, tudo correrá bem. – tocou a mão dela. – No caso de algum problema eu poderei fazer uma cesariana de emergência ou induzir o parto normal. Tudo correrá bem, sim? Any: Eu estou com muito medo. – colando a cabeça no ombro de Priscila. Priscila: Mas doutora, ela não tem risco de desenvolver uma eclâmpsia, não é? Selena: Se eu disser que não, eu estarei mentindo, mas eclâmpsia é outra coisa, digamos que as mulheres que tem pré-eclâmpsia e desenvolvem uma eclâmpsia são poucas, muito poucas. A situação de Any está sob controle, ela fazendo os exames de urina e a seguindo a dieta de fibras que vou receitar, tudo ficara bem. Any assentiu limpando as lágrimas, afinal de contas chorar não a curaria de sua doença, a única coisa que ela poderia fazer era obedecer à doutora e orar para que corresse tudo bem em seu parto.  A doutora receitou alguns remédios para controlar a proteína, depois fez um ultrassom, confirmando que estava tudo bem com a criança. Depois deu por encerrada a consulta. Priscila: Está melhor filha? – a abraçando de lado enquanto iam até o carro. Any: Estou mamãe. – disse colocando o cabelo atrás da orelha. – Eu só quero que minha filha fique bem, é só o que eu quero. – acariciando a barriga. Úrsula: As duas vão ficar. – sorriu. – Não vamos ficar pensando nisso, ok? Vai dar tudo certo meu bem. – disse entrando no carro.  Elas assentiram e entraram no carro.  Úrsula: O que acha de um sorvete hein? – olhando Any pelo retrovisor. Any: Claro tia. – sorriu, tentando esquecer. ¨¨¨¨ Na faculdade, Joshua tomava um cappuccino, enquanto observava o movimento. Ele não estava tendo ânimo para nada desde a conversa com Any. Estava se sentindo um lixo e tentava de todas as formas se aproximar dela, mas a garota não lhe dava nenhum espaço. Não lhe deixava se aproximar de forma alguma. Como ele cumpriria a promessa que tinha feito a Alex desse jeito? Sempre se pegava chorando por causa disso, estava muito arrependido de tudo o que tinha feito Any passar.  Noah e Bailey chegaram e sentaram ao lado dele. Josh: O que houve? – disse tomando um gole do seu cappuccino. Bailey: Nós é que perguntamos, o que está dando em você hein? Josh: Já falei que eu não tenho nada. – rolou os olhos. – É só uma dor de cabeça. Noah: Não sabia que dor de cabeça durava um mês e meio. – disse irônico e Joshua suspirou. – Na boa Josh, você está assim desde o beijo da Any com o Pedro. Qual é cara? Josh: Nada, eu só estou tirando um tempo pra mim, não posso? Bailey: Você não está bem Josh. – o olhava. – Definitivamente não! Cara você nunca mais pegou nenhuma mulher! Sabe o que é isso? Eu acho que sua língua e seu amiguinho entre as pernas já devem estar criando teias. – zombou. Josh: Não sei, eu não sinto vontade de ficar com ninguém. – deu de ombros. Noah: E por que isso? Josh: Eu quero ficar com a Any outra vez, só isso. Mas ela não quer nada comigo. – murmurou. – Eu não posso nem chegar perto que ela já vem com sete pedras na mão pra me apedrejar. Bailey: E com razão não é? – ele disse e Josh abaixou a cabeça. Josh: E o Krystian? – tentando mudar de assunto. Afinal não queria chorar na frente de ninguém, isso não. Noah: Está conversando com a Hina. Bailey: O que será que o Krystian tanto conversa com a Hina hein? – confuso. – Será que ele está pegando? – riu. Noah: Pergunta pra ele. – apontou Krystian, que vinha mexendo no celular. Bailey: E aí parceiro? – dando um pedala nele. – Está pegando a Hina é? Krystian: Que nada. – mentiu sorrindo sem sal. – Mas aquela lá não desgruda. – negando com a cabeça. Noah: Eee pegador! – riu dando um murinho de leve no ombro do amigo.  Joshua observava tudo quieto. Os amigos o encararam e se entreolharam, realmente ele não estava bem da cabeça. ¨¨¨¨ Priscila e Úrsula deixaram Any na porta da faculdade, se despediram dela e se foram. A moça ia atravessar o portão quando ouviu um barulho esquisito. Coçou o olho e olhou por ali, foi seguindo o barulho.  Aproximou-se de uma moita de muda de flor, sabendo que era de lá que vinha o barulho, e realmente tinha uma caixa de um rádio gravador. Com certeza o barulho vinha dali. Ficou com um pouco de medo de abrir a caixa, se abaixou com um pouco de dificuldade, por conta da barriga e abriu a caixa temerosa.  Arregalou os olhos ao ver que eram dois cachorrinhos, minúsculos. E estavam apertadinhos dentro da caixa. Any: Oh meu Deus. – pôs a mão na boca. – Que bonitinhos! – com os olhinhos brilhando.  Quem seria o monstro que abandonara aqueles filhotinhos ali? E agora, o que faria? Não poderia deixa-los a mercê da sorte. Olhou para os lados buscando a possível pessoa que tinha os abandonado, mas não tinha ninguém na calçada, muitos carros passando na rua e provavelmente já fazia muito tempo que eles estavam ali, pobrezinhos.  Any: Quem foi o sem coração que abandonou vocês hein lindinhos? – disse tirando um deles da caixa. – Onw, você é uma garotinha! – sorriu conferindo o sexo. – Me deixa ver seu irmãozinho ou irmãzinha. – devolvendo ela na caixa e pegando o outro cãozinho. – Vem aqui fofinho. – o cachorrinho começou a se tremer. – Não, eu não vou te machucar. – conferiu o sexo e viu que era um macho. – Que lindo, um casalzinho! – sorriu boba, encarando os dois filhotinhos.  A fêmea era branca com uma manchinha preta no olho esquerdo e o macho era castanho, com as patas brancas e a pontinha do rabinho também branca, pareciam que eram vira-latas. Mas ela não se importava, tinha se apaixonado por eles.  Any: Vocês são tão fofos! – sorriu. – O que eu faço com vocês? – disse pensativa enquanto abria sua bolsinha tiracolo e buscava seu celular, discou os números e logo ouviu a voz de Sina. – Sina? Sina: Oi Any. – a loira sorriu. – Você está onde? Any: Sina tem como você vir aqui embaixo, no portão da esquerda? – perguntou mordendo o lábio. Sina: Mas agora? – perguntou confusa. Any: Agorinha Sina! – disse apressada. Sina: Ok, estou chegando aí. – desligou.  Não demorou a que a loira aparecesse, observou Any com a caixa na mão e a encarou, confusa.  Sina: O que é isso Any? – apontou a caixa. Any: Eu acabei de achar aqui. – apontou à moita. – São dois cachorrinhos. – mostrando pra ela. Sina: Onw que lindos! – disse pegando o macho no colo. – Que coisinha mais linda! – toda melosa. Any sorriu. – Como os encontrou? Any: Eu ouvi os dois chorando. – disse acariciando a pequena fêmea. – Aí eu abri a caixa e os vi. – sorrindo ao ver a cadelinha se espreguiçar. – O que vamos fazer Sina? Não podemos deixá-los aqui. Sina: Não sei, lá dentro não podem ficar, sabe que se eles pegarem os dois, nós estaríamos ferradas. – a loira disse fazendo carinho no cãozinho. Any: Temos que escondê-los Sina, eles devem estar com muita fome. Sina: E o que você sugere? – arqueou a sobrancelha. Any: Podemos levá-los escondidos para dentro do quarto, ninguém vai saber. – disse abrindo um sorriso sapeca. – Por favor, Sina, me ajude! – disse penosa.  Sina rolou os olhos e depois começou a rir. Sina: Ok, mas se nos pegarem eu te mato! – deu um pedala na amiga. – Vamos levar eles dentro da caixa mesmo, para não levantar suspeitas. – ela disse e Any concordou. – Me dá aqui!   Any entregou a caixa e ela colocou o cãozinho dentro. Entraram tranquilamente com a caixa do radio gravador. Ninguém desconfiou. ¨¨¨¨ Melissa estava na cantina fazendo seu lanche da tarde, quando Noah se aproxima. Noah: Será que nós podemos conversar? – perguntou com a mão nos bolsos.  Melissa o encarou com desprezo e voltou a comer seu sanduíche sem nem sequer olhar para ele. Noah suspirou.  Noah: Ok, eu mereço isso. – ele disse. – Mas eu realmente preciso conversar com você. Melissa: E pra que quer conversar comigo? – disse com superioridade. – Pra ganhar mais trezentos? – ironizou. Noah: Por que eu lhe devo desculpas e como anda sempre me evitando e fugindo de mim como o d***o foge da cruz, eu achei que no momento que estivesse comendo seria o mais apropriado. Melissa: Se veio rir de mim é melhor sair fora e... – ele a interrompeu.
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