Capitulo 56

2761 Palavras
Josh: Eu estou fazendo o melhor que eu posso! – ele sussurrou, fazendo-a encará-lo. – Eu estou tentando Any. Eu estou tentando ser uma pessoa melhor, por você, pela nossa filha. Mas parece que você só quer ver os meus defeitos... Eu te traí? Trai, mas eu me arrependo disso amargamente! Eu abri o jogo com você e decidi que não ia mais mentir, sabe onde eu estava hoje o dia inteiro? – ela negou com a cabeça. – Estava trabalhando! Ela deixou o queixo cair levemente, Joshua? Trabalhando? Era uma coisa absurda até de se imaginar.  Josh: Deve estar pensando o mesmo que o meu pai, ontem quando eu fui pedir o emprego pra ele, mas se é isso que você acha de mim, o que eu posso fazer? – suspirou. – É uma pena saber que você não sabe reconhecer que se eu estou tentando mudar, é por você! Porque eu te amo Any, sem você minha vida não tem o menor sentido. Any: Fico feliz por você. – ela limpou as lágrimas. – Você sabe que eu também te amo muito Josh. Tudo isso do bebê está mexendo muito comigo, com você também. É uma reviravolta e tanto e eu tenho certeza que um dia vamos rir de tudo isso. Eu acho melhor a gente dar um tempo de nós dois. Josh: É isso que você quer? – ele murmurou engolindo o choro, não podia ficar sem ela outra vez.  Ela assentiu. Any: É o melhor no momento. – mordeu o lábio. Josh: Tudo bem. – sentindo uma dor aguda no coração. – Se é isso que você quer eu respeito, mas por favor, Any. Não fica com o Pedro nem com ninguém, pelo menos até a gente pensar bem o que vai ser, depois você pode fazer o que quiser. Me promete? Any: Só se você também me prometer. – ele assentiu. – Certo, promessa feita, é melhor eu ir. Josh: Espera. – ela voltou, prendendo o choro. – Me dá um beijo, só mais esse, por favor... – pegando ela pelo braço.  Ela suspirou e assentiu sem forças, ele a pegou pela cintura e roçou os lábios sentindo que não podia mais segurar o choro, o beijo foi lento, doce e apaixonado como todos os outros. Apenas com um ingrediente a mais, o gosto salgado das lágrimas de ambos. Não queriam se separar, mas era necessário pra entender o que eles realmente queriam um do outro. Depois que a respiração começou a faltar os dois se separam.  Josh: Obrigado por isso. – murmurou colando as testas. – Eu te amo, viu? – enxugando as lágrimas dela. Any: Eu também. – disse o empurrando de leve. – Eu preciso ir, até mais. – saiu apressada. Ele apenas a observou sair com lágrimas. Porque tinha que ser tudo tão complicado? Ele passou a mão nos cabelos com força e foi até o estacionamento. Precisava ir para casa, pôr as ideias no lugar, tudo aquilo era demais pra sua cabeça. Any entrou no quarto chorando muito, e logo Sina veio acudi-la. Sina: Any, o que foi? – disse baixinho pelo fato de Sabina estar dormindo.  Any não respondeu e foi pra sua cama, deitou-se e abraçou o travesseiro com força.  Sina: Any, você está bem? – sentando ao lado dela e lhe afagando os cabelos. – Fala comigo amiga. Any: Eu e o Josh terminamos o nosso rolo, não estamos mais ficando. – disse encarando Sina com lágrimas. – Eu quero morrer Sina. Sina: Não amiga, não fala isso. – enxugando as lagrimas dela. – Se acalma, respira fundo. – pediu enquanto se levantava e pegava um pouco de água, Any respirou fundo, fazendo o que a amiga pedia. – Toma isso, vai te ajudar a se acamar. – entregando a água, Any tomou. – Você não pode ficar desse jeito Any, senão a Luninha pode ficar nervosa outra vez e dessa vez pode ser pior. – advertiu.  Any suspirou, Sina tinha razão, não podia ficar nervosa demais, a vida da sua filha dependia dela.  Sina: Está melhor? – a cacheada assentiu. – Quer contar pra mim o que aconteceu? Any: Foi um m*l entendido, ele ouviu o ensaio com o Bruno, mas isso não teve importância, o que me matou foi ele achar que eu tinha outro cara, quase me chamou de v***a. – Sina arregalou os olhos. – Mas ele não teve coragem de chamar, depois eu expliquei tudo e joguei umas verdades na cara dele, daí ele disse pra mim que estava tentando mudar, não acreditaria se eu dissesse que ele está trabalhando, acreditaria? – sorriu de leve enxugando as lágrimas. Sina: Não! – com o queixo caído. – Sério Any? – ela assentiu. – Achava que veria tudo na vida menos isso! – riu. – Mas isso significa que ele está mudando, é um bom sinal. Any: Eu sei, não tem noção de como fiquei feliz, mas é o melhor a se fazer. Talvez separados enxergamos o que realmente queremos. Sina: Você tem razão, mas não chora mais sim? – a abraçou. – Minha chorona! – brincou apertando o nariz dela que sorriu. Any: Sina? Não vamos contar sobre isso pra Sabina, ok? – Sina a encarou, confusa. – É que ela é super protetora e com certeza vai querer armar confusão com o Josh, ela já se meteu em muitas por minha causa. – olhando Sabina dormindo. – Tenho medo que se prejudique. Sina: Sem problema amiga. – sorriu. – Agora já para o banho, que está na hora de você dormir! Any: Ainda são nove da noite! – disse sorrindo. Sina: Que seja, anda! Any deu um risinho e foi para o banheiro, precisava dormir e tentar esquecer um pouco de Josh, coisa que ela achava difícil de acontecer. ¨¨¨¨ Josh chegou em casa com os olhos inchados, já tinha parado de chorar durante o trajeto. Entrou e foi até a sala de estar onde encontrou seus pais e os pais de Any, tomando um vinho e conversando animadamente. Úrsula: Querido! – se levantou e foi até o filho. – Que surpresa boa! Josh: Oi mãe. – forçou um sorriso sem sucesso, enquanto cumprimentava os tios e o pai. – Onde estão os meus irmãos? Ron: Liliane já está dormindo e Jaden saiu com os amigos, você se sente bem filho? Josh: Sinto papai. – suspirou, tentando parecer convincente. – Por quê? Úrsula: Você está com os olhos inchados, andou chorando? – acariciando os cabelos dele.  Ele negou. Priscila: Tem certeza querido? – se levantando e indo até ele. – Parece abatido. Josh: É que eu discuti com a Any. Silvio: Oh, não, outra vez? – disse sentido. Joshua assentiu. – Minha filha é um tanto complicada. – negou com a cabeça enquanto bebericava mais um pouco do seu vinho. Ron: Jovens, sempre levando os relacionamentos ao extremo da loucura... Não se preocupe querido, logo reatam. Priscila: Ah, eu tenho certeza que sim, Any ama você. Josh: Eu não sei, acho que isso não vai se resolver tão fácil. – disse sem fé. Úrsula: Claro que sim filho, pensamento positivo! – sorriu. Silvio: Any é cheia de frescuras. – ele disse dando de ombros. – Só vai parar com esses ataques de histerismo quando Joshua partir pra outra. – disse temeroso. – Imagina brigar com o namorado por motivos tão irreais, tem uma briguinha e já é motivo para terminar? Minha filha está merecendo umas boas palmadas. – ele sorriu, dando um brinde. Joshua coçou a nuca e respirou fundo, essa era outra coisa que ele não estava mais aguentando guardar. Josh: Tem uma coisa que vocês não sabem. – ele sussurrou de cabeça baixa. Priscila: Que coisa? – ela sorriu, tomando outro gole de sua bebida. Úrsula: Algo grave querido? Josh: Mais ou menos, é uma situação bastante desagradável. – ele sentou-se no sofá e abaixou a cabeça, criando coragem pra falar. Silvio: Algo com o bebê? – engoliu o seco. Josh: Não, é o motivo da nossa separação, Any não queria que vocês soubessem, mas eu não quero mais mentir pra ninguém. Úrsula: Está me deixando assustada querido. – ela disse sentando ao lado dele. Josh: Não fique... – suspirou. – A verdade é que, eu traí a Any.  Choque, foi isso que todos sentiram, os quatro se entreolharam completamente incrédulos. Traição? Estavam muito assustados com isso, como Joshua fora capaz?  Josh: Eu a traí, com várias garotas, muitas vezes... – disse passando a mão no rosto. – Foi por isso que terminamos o nosso namoro. Silvio: Como é que é? – perplexo. Josh: Eu não era maduro o suficiente e... – é interrompido. Silvio: Você é um sem vergonha! – berrou com irritação. – Então era por isso que minha filha chorava tanto... – sussurrou. – Como eu não me toquei antes? Úrsula: Joshua, por que meu filho? – disse sentando ao lado dele. – A Any sempre foi uma namorada tão perfeita, não merecia isso. Josh: Eu sei que não merecia, mas eu não fazia por m*l, achava que sexo e amor eram coisas distintas. – com lágrimas. Ron: Há quanto tempo Joshua? – mordeu o lábio. – Há quanto tempo traía a Any? Josh: Desde muito novo. – franziu a sobrancelha. Silvio: E porque não nos contou isso antes? – ele disse, estupefato. – Eu acho que merecíamos saber, não é? – rolou os olhos. Josh: Achamos que seria melhor omitir, Any não quis contar. – mordeu o lábio. Os quatro apenas se entreolharam completamente sem reação, era uma situação bem desagradável pra eles. Priscila: Eu não sei o que dizer. – ela murmurou. – Só eu sei o quanto minha filha sofreu e chorou, eu achava que tinham tido uma briguinha e rompido. – coçou a nuca. – Nunca achei que fosse capaz de fazer isso com ela. – passou a mão no rosto. Ele apenas encarou os pais e os "tios" com tristeza, dava pra ver que estavam muito decepcionados com ele, e isso o matava de forma c***l. Josh: Por favor, me perdoem por isso. – enxugou as lágrimas. – Eu juro que eu me arrependi há muito tempo e estou tentando melhorar. Eu amo a Any demais, ela é tudo pra mim. Silvio: Como eu posso acreditar? – ironizou. – Humilhou minha filha sem dó nem piedade, ela não merecia isso. Josh: Eu sei que não merecia tio, mas eu tinha minhas necessidades, se é que me entendem. –  Silvio suspirou, antes pintasse e bordasse com outra, do que com sua filha.  Josh: Eu errei, mas todo mundo erra, não? Priscila e Silvio se olharam, conheciam Josh desde que estava na barriga de Úrsula e o amavam como um filho, assim como Úrsula e Ron amavam seus filhos como tal. Priscila: Eu perdoo querido. – disse por fim, sentando do outro lado dele, já que Úrsula estava sentada no outro. – Eu posso ver que está arrependido.  Josh sorriu e abraçou a tia com força, ele a considerava como sua segunda mãe. Silvio: Olhe eu não sei o que dizer, eu estou muito decepcionado e nervoso. – andando de um lado para outro. – E se eu falar alguma coisa aqui eu posso me arrepender depois. – sentando-se no sofá e afrouxando a gravata. – Eu prefiro não falar nada. Úrsula: É o melhor Silvio. – assentiu com a cabeça. Sabia que não era nada agradável aquela situação e entedia que Priscila tinha perdoado por ter um coração gigante, mas Silvio era diferente. Não que o amigo não tivesse um bom coração, ao contrário, mas Silvio não suportava ver Any sofrendo, assim como todo bom pai, prezava e protegia sua filha. E agora que descobriu o motivo dos choros desesperados de Any, não era nada fácil pra ele fingir simplesmente que nada aconteceu. Ron: Porque está nos contando agora? Porque achou que merecíamos saber? Josh: Bem, eu não quero mais mentir, não quero que a minha filha nasça no meio de mentiras e é isso. – deu de ombros, cansado. Silvio: Ao menos se preocupa com a sua filha. Josh: Tio, eu entendo que está muito chateado comigo, pode ter certeza. – suspirou. – Se algum dia alguém fizer com a minha filha o que eu fiz com a sua, eu quebro a cara do desgraçado. – murmurou sem entonação. – Se quiser me bater fique a vontade, eu não vou revidar. Silvio: Pode ter certeza que vontade não me falta. – murmurou duramente. – Mas eu não vou fazer isso, violência não leva a nada, nem a lugar nenhum e tampouco tenho mágoa de você, gosto de você como um filho e sempre será assim, tenho certeza que já está sendo castigado pelo que fez com Any. – viu as olheiras de Joshua, confirmando sua dedução. O loiro assentiu. – Mas escute bem o que eu vou dizer, se voltar a fazer minha filha sofrer eu esqueço tudo o que eu disse e você vai se dar m*l. Estou levando em conta que vocês eram muito imaturos e toda essa história do bebê deixa qualquer um com a cabeça virada pra baixo. Josh: Não se preocupe. – ele assentiu com a voz embargada. – Any não quer mais nada comigo, então dificilmente sofrerá por minha causa. Silvio: Minha filha o ama. – disse sem sobra de dúvidas. – E você também a ama, dá pra ver na sua cara, mas não sei se Any vai voltar a ter confiança em você tão cedo. Priscila: É claro que vai, Any o ama muito. Pode demorar, mas ela vai sim. – sorriu de leve o abraçando de lado. – Errar é humano. Úrsula: Porque brigou com a Any agora? Josh: Foi um m*l entendido, mas enfim, sempre vai existir resquícios do passado entre a gente, não sei se um dia nós voltaremos a ficar juntos.  Todos o encararam sem saber o que dizer.  Josh: Eu vou subir. – ele suspirou levantando. – Me perdoem mais uma vez. – apertou os lábios. – Boa noite. – saiu. Priscila: Ele está muito triste Úrsula. – murmurou para a amiga. Úrsula: Eu sei. – disse com o coração apertado. – Acha que eu devo conversar com ele? Priscila: Eu acho que sim. – assentiu. – Silvio. – se virou para o marido. – É melhor irmos embora querido. Silvio: Eu também acho. – se aproximou da esposa.  Os dois se despediram do casal Beauchamp e foram embora. Joshua entrou no quarto e foi direto para o banheiro, precisava de uma ducha morna urgentemente. Ficou cerca de quinze minutos embaixo do chuveiro pensando na vida, mais precisamente em Any Gabrielly.  Desligou o chuveiro e depois saiu enrolado na toalha, viu sua mãe sentada em sua cama. Úrsula: Olá. – sorriu e ele retribuiu o sorriso enquanto ia até o closet  e vestia uma samba canção. – Vim conversar com você. Josh: Não precisa se preocupar mamãe. – disse enquanto saia do closet  e sentava na cama. – Eu estou muito bem, de verdade. – tentou sorrir. Úrsula: Eu sempre soube que você e Any iam dar o que falar, desde quando deram aquela bitoquinha na beira do lago. – os dois sorriram. – Era uma fofura, você sempre foi o "super-herói"... – fez aspas com o dedo. – Dela, sempre cuidando e cercando, ela era tão pequeninha, você também, mas sempre se achou o bambambã. Viviam se metendo em confusões, meu Deus... – riu. Josh: Antes eu a salvava e agora eu sou o vilão. – deu um sorriso morto. – Olha como a vida é. Úrsula: Claro que não meu filho. – ela acariciou os cabelos dele. – Vocês têm gênios diferentes, você é baladeiro, gosta de gandaia, é bastante aberto a tudo e a Any não, ela faz o tipo caseira, tranquila... Vai ver é por isso que se amam tanto. Josh: Acha que um dia ela vai me dar outra chance de mostrar a ela o quanto eu a amo? – disse com uma lágrima solitária. Úrsula: É claro que sim, não tenho nem dúvidas querido. – abriu um sorriso maternal enquanto o abraçava. – Vocês ainda serão muito felizes.  Ele não disse nada, apenas sentiu o abraço carinhoso de Úrsula.  Úrsula: Tenho uma coisa pra você. – ele a encarou, deixando de abraçá-la. – Me deixa pegar aqui, eu deixei no corredor. – se levantou e abriu a porta, indo até o corredor e pegando uma caixa grande.  Voltou para o quarto e pousou na cama, ele olhava a caixa com curiosidade.
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