Josh: Que caixa é essa? – confuso.
Úrsula: São fotos e vídeos de quando você era pequeno, seu pai e eu fizemos questão de filmar todos os momentos importantes da sua vida, eu queria dar quando estivesse completo, com a sua formatura e tudo, mas eu não aguentei esperar. – mordeu o lábio.
Josh: Isso é que dá ser primeiro filho... – riu e ela concordou com a cabeça. – Valeu mãe.
Úrsula: Quero que saiba que eu estou aqui para o que der e vier querido. – deu um beijo nos cabelos dele. – A Any está machucada, mas isso é normal até, olha as suas fotos com ela. Os olhinhos de vocês brilham como se tivessem vaga-lumes no lugar.
Josh: Essa é a minha esperança. – assentiu.
Úrsula: Boa noite querido. – sorriu e se retirou deixando-o sozinho.
Ele observou a caixa branca minunciosamente, trouxe-a mais para perto de si e a abriu.
Leia Ouvindo: Like That – Now United ♫
Viu vários álbuns e um porta-cds, provavelmente com os DVDs que sua mãe disse, ele não era muito de olhar fotografias e nem curtia, mas naquele momento queria relembrar, queria voltar no tempo onde ele e Any eram apenas duas criancinhas, sem nenhum tipo de problema ou dificuldade.
Pegou um álbum e o abriu, a primeira foto era uma em que ele tentava montar em um cavalo, a segunda era com Any segurando Jaden no colo e ele estava brincando com as mãozinhas do irmão, outra em que eles estavam no sofá e Any tinha uma flor nos cabelos, lembrava-se daquele dia muito bem...
FLASH-BACK/ON
Josh: Olha o que eu trouxe. – mostrando a flor.
Any: Que linda. – disse levantando do sofá e indo até ele. – Mas por que trouxe?
Josh: Mamãe falou que hoje é o dia internacional das mulheres. – ele disse todo cheio de si.
Any: UAU! – com os olhinhos brilhando. – Mas eu não sou mulher, sou uma menina. – com um sorrisinho, mostrando sua janelinha.
Josh: Por enquanto, mas quando você crescer vai ser uma mulher, vai ser minha mulher! – enfatizou, ficando em cima do sofá e olhando pra ela.
Any: Deixa meu papai ouvir, que você vai levar uma voadora. – disse vermelha.
Josh: Eu não tenho medo. – sentando no sofá. – Não tem ninguém aqui, por que a gente não se beija? – com uma carinha safada, fazendo Any corar.
Any: Não Josh. – disse sentando ao lado dele. – E se alguém vir? – olhando a flor.
Josh: Ninguém vai ver. – ficando na frente dela.
Ela assentiu e os dois foram se aproximando, fizeram um biquinho e deram um selinho que durou dois segundos.
Josh: Pronto, ninguém viu. – pegou a flor da mão dela e colocando em seu cabelo. – Ficou linda no seu cabelo. – com os olhinhos brilhando.
Ron chega com a máquina fotográfica.
Ron: Olha o passarinho anjinhos! – bateu a foto. – Vão comer, mamãe está chamando. – saiu.
Any: Foi por pouco. – sussurrou.
FLASH-BACK/OFF
Respirou fundo enquanto passava as fotos, eram várias fotos e ela estava em quase todas, eram inseparáveis, como se fossem unha e carne, aprontavam com babás, aprontavam com as namoradas do tio de Josh, aprontavam com professoras rabugentas, eram muito ligados até o começo do ano quando Any descobriu tudo.
Maldita hora que decidiu cair na lábia de Diarra, a primeira garota que tivera, que lhe ensinou os prazeres do sexo, se não fosse ela, talvez não ficasse tão viciado no ato e traído Any tantas vezes e quem sabe ainda estariam juntos até hoje.
Continuou observando as coisas e partiu para os vídeos, pegou seu notebook que estava no bidê e abriu, ficou passeando pelos DVDs, tinha muitos, todos com títulos... Formatura no ensino médio, formatura do ensino fundamental, comerciais que ele fizera quando era criança, peças de colégio, primeira eucaristia, primeiro beijo... Claro o primeiro beijo. Talvez o beijo mais doce que ele já dera na vida, sem segundas intenções, sem nada demais, apenas a inocência infantil.
Pôs o CD no notebook e logo começou a rodar, viu Any e ele sentadinhos na passarela de madeira, conversando algo que não dava de escutar no vídeo, provavelmente na hora que ele a convencia. Logo os dois deram um selinho e ele sentiu seu estômago dar saltos, o primeiro beijo dos dois. Ficou voltando a cena diversas vezes, queria marcar na memoria.
Sorriu sozinho enquanto sentia as lágrimas arderem, tinha muito medo que Any encontrasse uma pessoa que realmente a merecesse e esquecesse de todo o amor que sentia por ele, era uma coisa que o assustava. Talvez a única que realmente o assustava, tirado o fato de perdê-la.
Guardou tudo de volta na caixa e decidiu tentar dormir, estava exausto.
¨¨¨¨
Na faculdade, ela pensava em tudo o que acontecera, com um nó na garganta. Estava sentindo um vazio tremendo, tirando a insônia, pensava em Joshua e em sua conturbada história de amor, estava sofrendo, sim estava sofrendo muito, mas sua esperança era que um dia tudo passaria e ela seria feliz, com ou sem ele.
¨¨¨¨
Três semanas depois, estava uma algazarra tremenda no campus, os jogos do campeonato estavam começando naquele dia e a confusão era demasiada. Sina pisava de um lado para outro com as animadoras, precisavam ir para o campo e estavam atrasadas.
Sina: Agilidade meninas, já era para estarmos no campo há muito tempo! – batendo palmas. – Onde está a Sofya, Carla?
Carla: Não sei Sina. – deu de ombros se maquiando. – Eu a vi quando estava vindo pra cá, mas daí eu não sei onde ela foi.
Não demorou em que Sofya chegasse aos pinotes.
Sofya: Ah meninas! – disse quase tendo uma síncope. – Nem acreditam!
Sina: Onde estava Sofya? – disse ignorando a loucura da loira. – Estamos muito atrasadas, vamos para o campo.
Sofya: O que importa?! – disse passando a mão nos cabelos incrédula. – Eu estava com Noah e ele me pediu em namoro! – mentiu.
É claro que ele não pediu, pediu apenas para que ficassem depois do jogo, mas não custava nada aumentar, Sina morreria de inveja.
Sina sentiu um solavanco repentino ao ouvir o disparate. Noah? Namorando Sofya? Não, não podia ser verdade! Engoliu o seco ao ver como Sofya a olhava.
Sofya: Não é o máximo Sina? – ergueu a sobrancelha.
As outras meninas olharam para ver a resposta da loira, o que Sofya achava? Que ela iria lhe dar o gostinho de ficar triste e sentida? Não mesmo.
Sina: É uma ótima notícia Sofya. – disse fingindo indiferença. – Enfim desencalhou não é? – sorriu irônico. As outras riram e Sofya cerrou os punhos. – Agora vamos meninas, na ordem do ensaio. Vamos lá! – prestou atenção em seu trabalho tentando ignorar o nó sufocante na garganta e uma vontade de chorar dos diabos.
Por que Noah? Justo a Sofya? Sem pensar em mais nada, deu de ombros e conduziu as animadoras até o campo, suas pendências com Noah resolveria depois, agora era hora de arrasar!
¨¨¨¨
No quarto, Any estava deitada em sua cama pensando na vida, esse era o primeiro jogo do qual ela não participaria da torcida e estava se sentindo triste e chateada por isso, não queria sair de dentro do quarto, estava se sentindo vazia e sozinha naquele dia.
Depois de sua discussão com Josh não tinha falado com ele outra vez, não queria vê-lo e sempre procurava fugir para não ter que esbarrar ou olhar pra ele.
Any: Calminha filha. – sorriu ao ver que sua filha se mexia, formando depressões sinistras na sua barriga, quem olhasse percebia de cara pelos movimentos que a barriga fazia. – Não está vendo que eu quero sair daqui logo mamãe? – ela afinou a voz, enquanto estendia o braço para abrir a gaveta do criado mudo, pegou sua câmera digital, pois precisava filmar aquilo. – Nossa, que coisa. – ela sorriu enquanto ligava a câmera. – Eu estou irritada mamãe, eu estou irritada, quero nascer logo. – ela sorriu sozinha enquanto sentia aquela maravilhosa sensação.
Não era a toa que muitas mulheres sonhavam engravidar, apesar de ser difícil carregar um bebê dentro de si, era extremamente incrível e gratificante quando o sentia mexer. Luna já estava pesada demais e segundo a doutora já estava perfeita e preparada para nascer, apesar de estar com oito meses e faltar apenas um tempo pra que sua filhinha nascesse ela não podia evitar sentir medo, sim sentia muito medo.
Sabina adorava lhe provocar mostrando vídeos de parto e ela simplesmente achava assustador, mas ao mesmo tempo queria segurá-la no colo e ouvir o chorinho dela. Não via a hora que isso acontecesse.
Levantou-se e foi até a sacada do quarto, ainda mirando a câmera pra sua barriga, enquanto sentava na cadeira de balanço.
Any: Eu não vejo a hora de te conhecer sabia? – ela sorriu enquanto desligava a câmera e espalmava a sua barriga tentando fazer o bebê se acalmar. – Imagino o seu rostinho todos os dias, será que vai se parecer mais comigo ou com seu pai? – murmurou. – Não importa com quem se pareça, o que importa é que eu vou ser uma boa mãe, eu prometo. – riu enquanto subia o olhar para o pôr do sol, que já estava começando àquela hora da tarde. – Se acalma filhinha... – riu. – Quer que a mamãe cante? Ok. – suspirou. – Beautiful life... I look at you and I see million stars... I am so glad you came and stole my heart... All for the better, all for good... All for the better, all for you, ooh. – sorriu ao notar que ela estava se acalmando.
Ela adorava ouvir Any cantar, parecia que quando a cacheada cantava ela ficava quietinha escutando a música e essa era uma de suas favoritas. Tinha escrito aquela música especialmente pra ela.
Any: You light up the sky... Like a billion lights... When I'm by your side... I'm in paradise... You're the breath in my bones... You're the fire in my soul... Oh, what a beautiful life... With you what a beautiful. – riu ao ver que ela tinha se aquietado. – Dormiu bebê?
Ouviu a porta se abrir e por ela viu Sabina passar.
Sabina: Any, o que você ainda faz desse jeito? – a morena perguntou enquanto ia até ela. – Não vai assistir ao jogo não?
Any: Ai Sabina, eu não quero descer. – suspirou.
Sabina: E porque não quer descer? Hello, hoje é sábado, nada de ficar enfurnada aqui!
Any: Eu não vou me sentir bem vendo todas as meninas na torcida e só eu de fora. – fez um bico de choro.
Sabina: Ah não Any! – disse rolando os olhos. – Não vai chorar outra vez, ou vai?
Any negou com a cabeça engolindo o choro.
Sabina: Anda, vamos. – disse pegando a mão dela e ajudando-a a levantar. – Está todo mundo lá!
Any: Eu não quero ir. – reclamou.
Sabina: Eu não estou perguntando se você quer ir, eu estou afirmando que você vai.
Any não pôde responder, pois viu uma ferinha atravessando a porta às carreiras e correndo até ela.
João: MANINHA! – ele disse todo alegre, sendo seguido por Liliane.
Any: Meu amor! – disse sentando-se novamente e o abraçando. – Que surpresa boa! – enchendo a bochechinha dele de beijos. – Oi Lili! – abraçando a garotinha.
Liliane: Olha o que eu trouxe pra você. – disse estendendo a mãozinha e entregando um chocolate.
Any: Hm que delicia! – sorriu. – Vocês vieram sozinhos? – arregalou os olhos, surpresa.
João: Não, a mamãe está vindo, mas ela e a tia Úrsula andam muito devagar. – fez um biquinho.
Any sorriu e negou com a cabeça abrindo o chocolate com o dente.
Sabina: Ninguém fala comigo, está certo... – se fingindo de ofendida.
Liliane: Eu falo, não é Sabina? – disse indo até a morena.
João: Eu também falo com a Sabina, mas é que eu estava com vergonha. – deu um sorrisinho.
Sabina se abaixou dando um beijo em cada um.
Liliane: A Luninha gosta de chocolate? – disse passando a mão na barriga de Any.
Any: Não sei meu amor. – mastigando. – Eu acho que sim não é?
Liliane assentiu.
João: Quando a bebê nascer eu vou ser o pai dela e você vai ser a mãe. – apontando Liliane. – Nós dois vamos poder brincar com ela, não é maninha? – se virando pra poder olhar para a irmã.
Any: Claro que sim. – piscou. – Mas só quando ela estiver mais durinha, quando ela nascer vai ser muito frágil.
Sabina: Sua mãe está vindo. – disse ouvindo passos se aproximando.
Não demorou que Priscila e Úrsula aparecessem.
Priscila: Meninas. – chamou.
Sabina: Aqui tia! – disse botando a cabeça pra fora.
As duas sorriram e foram até lá.
Priscila: Querida! – disse se aproximando da filha e lhe dando um beijinho.
Any: Oi mamãe. – disse lambendo o dedo. – Oi tia! – sorriu.
Úrsula: Oi meu bem, ué não vai ao jogo? – perguntou confusa.
Sabina: Vai sim! – disse rapidamente.
Any: Eu não queria ir tia...
Úrsula: Ué, e por que não querida? – acariciou os cabelos dela.
Sabina: Está em depressão por que não está no grupo das animadoras de torcida. – disse fazendo uma careta.
Priscila: Ora querida, mas isso não tem nada demais, no próximo jogo você estará de volta, ande meu amor, vamos... Vá se trocar!
Any: Mas... – foi interrompida.
Priscila: Mas nada, ande, faça o que eu digo. – Any suspirou e assentiu enquanto levantava. – Não demore muito, o jogo já vai começar!
Any: Está bem. – sorriu de leve e entrou em seu closet, vestiu uma batinha rosa bebê e uma legue preta, prendeu os cabelos em um r**o de cavalo alto. – Pronto, vamos?
Sabina: Amém! – sorriu. – Vamos logo.
Todos riram de Sabina e saíram do quarto.
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O campo de futebol estava lotado, Priscila e Úrsula arrumaram um lugar nas arquibancadas e todos se sentaram. Any via suas amigas rodando no ar e sentia uma nostalgia. Que vontade que ela tinha de ir até lá e fazer o mesmo, a coreografia estava linda, com certeza Sina estava fazendo muito bem o papel de capitã.
Priscila: Quer algodão doce, filha? – apontando para o vendedor.
Any apenas negou com uma careta. Priscila comprou algodão doce para as crianças e ficaram observando os jogadores entrando em campo, Josh estava tão lindo com aquele uniforme, que Any sentiu um arrepio na espinha, desviou o olhar dele e sentiu um outro olhar lhe queimando.
Joalin a olhava de longe, estava com o rosto completamente perfeito, os hematomas já tinham sarado e estava novamente linda. Era a primeira vez que Any a via depois do acontecido com Sabina. A loira a encarava com tanta raiva que se pudesse a matava apenas com o olhar, engoliu o seco e desviou o olhar, voltando a avistar o campo.
A partida começara e todos estavam confiantes na vitória, nunca tinham jogado contra aquele time, mas aquilo não era motivo para alarde. Josh não sabia se dava mais atenção à bola ou se procurava Any no meio de toda aquela gente.