Berlim era uma cidade que entendia de cicatrizes. Suas ruas eram camadas sobre camadas de história, muros caídos e segredos enterrados sob o asfalto frio. Para Zion e Maya, a capital alemã não era um destino, mas uma arena. Eles chegaram em um ônibus noturno, misturados a estudantes e viajantes, com nada além de duas mochilas e a determinação gélida de quem já não tinha mais pontes para queimar. O ar da noite estava impregnado com o cheiro de diesel e chuva recente. Zion caminhava com a gola do casaco levantada, os olhos movendo-se com a precisão de um scanner. Ele sentia Berlim vibrar sob seus pés, mas não era a energia cultural da metrópole; era o pulso do submundo se reorganizando. A queda do Sindicato Invisível deixara Berlim no escuro, e "Os Filhos de Marte" estavam usando esse breu

