A transição do cinza industrial de Moscou para o azul cerúleo das Ilhas Cíclades foi um choque sensorial que Zion e Maya levaram semanas para processar. A ilha de Antiparos era um segredo guardado entre rochas calcárias e oliveiras centenárias, um lugar onde o tempo parecia ter sido suspenso por um decreto divino. Ali, sob o pseudônimo de Nicolas e Sophie, eles ocupavam uma villa caiada de branco, com janelas que se abriam para um Mediterrâneo tão calmo que parecia um espelho. Zion estava parado no terraço, vestindo apenas uma calça de linho claro, observando o horizonte. O corpo, outrora tenso como uma corda de piano prestes a estourar, ainda carregava a rigidez do comando. Seus olhos vasculhavam o porto distante, não em busca de beleza, mas de anomalias: um barco rápido demais, um vulto

