A luz da manhã em Manhattan tinha uma qualidade cirúrgica, fria e reveladora, que não perdoava os segredos escondidos sob os lençóis de seda. Maya Solano observava o peito de Zion Black subir e descer em um ritmo lento, a imagem da força bruta em repouso. O braço dele, pesado e possessivo, ainda cruzava sua cintura, mantendo-a ancorada ao seu corpo. Por um breve momento, ela permitiu-se esquecer o contrato, a chantagem e a ameaça de Isabella que brilhara na tela do celular minutos antes. Mas a paz era uma mercadoria cara na cobertura da Black Industries, e o prazo de validade havia expirado.
Maya desvencilhou-se com cuidado, sentindo o ar frio do quarto atingir sua pele ainda aquecida pelo calor dele. Ela caminhou até a janela panorâmica, observando os carros que pareciam formigas lá embaixo. O mundo de Zion era feito de altura e isolamento, mas as sombras do passado estavam subindo pelas paredes de vidro.
A mensagem de Isabella martelava em sua mente. “O capital inicial da Black Industries.” O que um órfão sem um centavo no bolso teria feito para erguer um império de bilhões em apenas dez anos? A resposta, Maya temia, estava manchada de algo que nem mesmo o amor poderia lavar.
Ela voltou ao quarto de carvalho, o santuário de desenhos que Zion tentara esconder. O caderno ainda estava sobre a mesa. Maya folheou as páginas finais, onde os desenhos de sua infância davam lugar a esquemas técnicos, números de contas e nomes que ela não reconhecia. Entre as páginas, um recorte de jornal antigo, amarelado, mostrava o rosto de um homem que morrera em circunstâncias misteriosas: o pai de Isabella, o antigo magnata da energia.
— Investigando os destroços de novo, Maya?
A voz de Zion, agora desperto, veio da porta. Ele estava apenas com a calça do pijama de seda, os cabelos bagunçados e o olhar afiado como uma lâmina de barbear. Ele não parecia o homem que a beijara com desespero na noite anterior; ele era, novamente, o dono da jaula.
— O que você fez, Zion? — Maya perguntou, erguendo o recorte de jornal. — Isabella disse que sabe de onde veio o seu dinheiro. Ela disse que você vai para a prisão se a verdade aparecer.
Zion caminhou em direção a ela, sua presença preenchendo o quarto, tornando o oxigênio escasso. Ele tirou o papel das mãos dela e o amassou em um punho cerrado.
— O que eu fiz, eu fiz por nós — ele sibilou, a voz vibrando com uma fúria contida. — O mundo não dá impérios para garotos pobres de orfanatos, Maya. Você tem que roubá-los. Eu peguei o que os Lancaster e os Sinclair roubaram de pessoas como nós durante décadas. Se isso me torna um criminoso aos seus olhos, que assim seja. Mas lembre-se: é esse crime que está mantendo o coração da sua mãe batendo neste exato segundo.
— Eu não quero uma vida construída sobre cadáveres, Zion!
— Então você deveria ter morrido de fome no orfanato! — ele gritou, mas o arrependimento cruzou seu rosto no instante seguinte.
Ele a prensou contra a mesa de carvalho, as mãos prendendo-a pelos quadris. A raiva entre eles era inflamável, uma mistura de mágoa antiga e uma paixão que beirava a violência. O conflito moral de Maya desmoronava sempre que ele chegava perto; era como se o corpo dela falasse uma língua que sua ética não conseguia traduzir.
— Você me odeia tanto quanto me deseja — Zion murmurou, o hálito quente contra o pescoço dela. — E eu vou te dar motivos para os dois.
Ele a ergueu, sentando-a na borda da mesa rústica. Os desenhos de dez anos atrás caíram no chão, espalhando-se como folhas secas. Zion não foi gentil. Ele não buscou permissão. Seus lábios colidiram com os dela em um beijo que sabia a posse e punição. Ele abriu o roupão de seda que ela vestia, expondo-a à luz crua da manhã e aos seus olhos famintos.
— Você é minha dívida mais cara, Maya — ele sussurrou contra sua pele, a mão descendo pela curva de sua coxa, separando suas pernas com uma autoridade que a fez soltar um arquejo baixo.
Quando ele entrou nela, foi como se o mundo lá fora “Isabella, o hospital, as fraudes fiscais”, deixasse de existir. O impacto físico foi avassalador. Maya arqueou as costas, as mãos agarrando-se aos ombros largos de Zion, as unhas cravando-se na pele dele enquanto ele a preenchia com uma força que parecia querer alcançar sua própria alma. Cada estocada era um lembrete de que eles estavam ligados por algo muito mais profundo que um contrato; era uma fusão de traumas e necessidades que se manifestava naquele ato frenético.
Maya sentia cada polegada dele dentro dela, um calor abrasador que a fazia esquecer o próprio nome. Ela olhou nos olhos de Zion e viu o garoto que ela amara, mas também o monstro que ele se tornara, e percebeu que amava os dois de forma irremediável. O som da respiração pesada dele, o estalo da carne contra a carne e o gemido que escapou dos lábios de Maya preencheram o santuário de segredos. Naquele momento, no centro do quarto ao lado, não havia CEO ou assistente. Havia apenas dois órfãos tentando se encontrar através da única linguagem que lhes restara: o desejo cru e absoluto.
Quando o ápice os atingiu, Zion enterrou o rosto no pescoço dela, seu corpo tremendo com uma vulnerabilidade que ele jamais admitiria em público. Ele permaneceu ali, unido a ela, enquanto o suor esfriava em suas peles.
— Eu nunca vou deixar você ir — ele sussurrou, a voz rouca, quase um aviso. — Nem para a Isabella, nem para a justiça, nem para a sua própria consciência.
Zion se afastou, recuperando a compostura com uma rapidez assustadora. Ele vestiu o roupão e caminhou até a porta, sem olhar para os desenhos no chão.
— Vista-se. Temos que ir ao hospital. O Dr. Aris quer falar conosco, e Isabella estará lá. Ela sabe que a única forma de me atingir é através de você ou da sua mãe. E eu não pretendo dar a ela essa satisfação.
Maya ficou sentada na mesa, o corpo trêmulo, sentindo a ausência dele como uma ferida aberta. Ela olhou para os desenhos espalhados. Entre eles, um papel pequeno que ela não vira antes. Era um recibo de transferência bancária de dez anos atrás, para uma conta em nome de "Elena Solano".
Zion vinha cuidando delas em segredo muito antes do reencontro.
A revelação a atingiu como um soco. Ele não era apenas o carrasco dela; ele era o anjo caído que a protegera das sombras enquanto se tornava o dono delas. Mas a proteção de Zion Black tinha um preço de sangue, e Isabella estava pronta para cobrar a fatura.
Ao sair do quarto, Maya viu Zion ao telefone, sua voz fria dando ordens para reforçar a segurança na ala da UTI. A guerra não era mais apenas corporativa. Era uma luta pela sobrevivência de tudo o que restava de humano em Zion, e Maya percebeu que ela era a única arma que poderia salvá-lo ou destruí-lo de vez.