O sol filtrava-se pelas frestas das cortinas da floricultura, tingindo o ambiente com tons dourados que escondiam as sombras das escolhas. Rosa terminava de regar as orquídeas quando ouviu o som familiar da porta. O tilintar do sino não provocou o mesmo frio na espinha de antes, mas um calor denso que se alojava no peito. Ela não precisava olhar. Sabia que era ele. Caio. Vestia preto dos pés à cabeça, como sempre. Olhos que diziam pouco, mas observavam tudo. Havia algo diferente nele naquela manhã: o silêncio estava mais pesado, como se ele carregasse o presságio de um mundo que ela não conhecia. — Bom dia, Rosa — disse ele, com a voz baixa, quase arranhada. Ela forçou um sorriso e secou as mãos no avental. — Bom dia. Dormiu bem? Caio soltou um som que não era bem um riso. Era mais u

