Batismo

799 Palavras
Maya O ar na kitnet estava saturado de um eletricismo que eu nunca tinha sentido. Quando a verdade sobre a minha virgindade pairou entre nós, o tempo pareceu parar. Vi o choque nos olhos de Gabriel, vi a culpa quase fazê-lo recuar, e por um segundo, achei que ele fosse me expulsar dali. Mas eu não o deixaria ir. Eu o queria — cada cicatriz, cada segredo, cada grama daquela força que ele tentava conter. Sei que ele revelou só algumas partes de quem realmente é. Mas eu o queria, o mostro e o professor. E então, o monstro recuou. O que sobrou foi algo que me assustou muito mais: uma ternura devastadora. Gabriel mudou o ritmo. Onde antes havia urgência e dentes, agora havia uma paciência torturante. Ele subiu novamente sobre mim, mas desta vez, o peso do seu corpo era um cobertor quente, não uma armadilha. Se não fosse pelas marcas que eu sei que ele deixou, nem diria que são as mesmas pessoas. — Olha para mim, Maya — ele sussurrou, a voz vibrando contra a minha pele. Eu olhei. Vi o capitão, o historiador e o homem, tudo misturado naquela imensidão escura das suas pupilas. Suas mãos calejadas, que eu sabia serem capazes de quebrar ossos, agora emolduravam o meu rosto como se eu fosse feita de cristal. Ele me beijou, mas não foi um beijo de posse como das outras vezes; foi uma conversa silenciosa, um pedido de desculpas e uma promessa. — Eu vou devagar. Eu juro — ele murmurou contra os meus lábios. Quando ele se livrou da própria calça e se posicionou entre minhas pernas, meu coração disparou. Senti o calor dele contra o meu centro, uma pressão que me fez prender o fôlego. Gabriel não me invadiu de uma vez. Ele começou a se mover centímetro por centímetro, testando minha resistência, esperando que meus quadris subissem para encontrá-lo. — Gabriel... — soltei um suspiro quebrado quando senti a ponta dele me pressionar. — Respira, Maya. Olha pra mim — ele comandou, a voz firme mas carregada de uma doçura que me fazia querer chorar. Senti a dor inicial, uma picada aguda que me fez cravar as unhas nos ombros largos dele, mas foi apenas um flash. Logo em seguida, veio a sensação de ser preenchida, de ser consumida por algo muito maior que eu. Gabriel parou por um segundo, esperando que eu me acostumasse com a presença dele dentro de mim, sua testa encostada na minha, nossas respirações se tornando uma só. — Tá tudo bem? — ele perguntou, o suor brilhando em sua têmpora. — Sim... não para — implorei, puxando-o para mais perto. E ele não parou. Ele começou a se mover com uma cadência rítmica, profunda e constante. A cada investida, eu sentia que ele estava reivindicando não apenas o meu corpo, mas cada segredo que eu guardava. A sensação era avassaladora; era como se ele estivesse me reescrevendo por dentro. Suas mãos desceram e se entrelaçaram nas minhas, prendendo-as contra o travesseiro, mantendo nossos corpos colados. Eu o sentia em cada fibra. Sentia a tensão nos seus músculos, o calor da sua pele, o som da sua voz dizendo meu nome como se fosse um mantra sagrado. O prazer começou a subir, uma onda de calor que vinha do fundo do meu ventre e se espalhava pelas minhas extremidades, transformando a dor em uma euforia cega. — Você é minha, Maya — ele rosnou baixo, a máscara de gelo derretendo completamente enquanto ele aumentava a velocidade, os olhos fixos nos meus, garantindo que eu estivesse lá com ele, no olho do furacão. — Só minha. Eu me desmanchei. O mundo lá fora, o DG, o morro, as fichas policiais... tudo desapareceu. Só existia aquele quarto pequeno, o cheiro de nós dois e a forma como Gabriel me preenchia até não sobrar espaço para mais nada. Quando o ápice veio, foi como uma explosão de cores atrás das minhas pálpebras, um espasmo que me fez gritar o nome dele enquanto ele se enterrava em mim uma última vez, tremendo com a própria entrega. Ele foi rapido ao sair e seu g**o escorreu por minha barriga. Ele desabou sobre mim, escondendo o rosto no meu pescoço, a respiração pesada e errática. Ficamos ali, entrelaçados, enquanto o suor esfriava em nossas peles. O silêncio que se seguiu não era mais tenso; era cúmplice. Eu sabia que, a partir daquele momento, eu tinha cruzado uma linha sem volta. Eu não era mais apenas a irmã do dono do morro brincando com o perigo. Eu era quem estava do lado de um fantasma. E, enquanto sentia o coração de Gabriel batendo contra o meu, eu soube que enfrentaria qualquer exército para manter aquele monstro exatamente onde ele estava: nos meus braços.
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