Gabriel.
O silêncio que se seguiu ao pedido dela foi mais ensurdecedor do que qualquer rajada de fuzil. Eu congelei com a mão no metal frio do meu cinto, sentindo o sangue latejar nas minhas têmporas. Olhei para baixo e, pela primeira vez desde que entramos naquele quarto, eu realmente a vi.
Vi o tremor quase imperceptível nos lábios dela, a forma como suas mãos se apertavam contra o lençol e, principalmente, o brilho de algo que eu não esperava encontrar ali: medo misturado a uma entrega absoluta.
A p***a da realidade me atingiu como um soco no estômago, expulsando todo o ar dos meus pulmões.
— Devagar? — Minha voz saiu um pouco mais do que um rosnado falho, carregada de uma dúvida que eu tentava desesperadamente processar. Não era possível.
— Por favor... — ela sussurrou, a voz tão pequena que parecia que ia se quebrar a qualquer momento.
Eu senti um frio na espinha que não tinha nada a ver com o clima. A possibilidade me atingiu, límpida e brutal, fazendo cada cicatriz do meu corpo arder de culpa.
— Você é virgem, Maya? — A pergunta saiu crua. Eu precisava saber. Precisava que ela negasse para que eu pudesse continuar sendo o monstro que ela tanto provocou.
Ela não respondeu de imediato. Maya engoliu em seco, um movimento lento que segui com os olhos, e fechou as pálpebras com força, o rosto corando em um tom de vermelho que eu nunca tinha visto. Aquele silêncio era a minha resposta. O "não" nunca veio.
— Put@ que pariu... — Praguejei baixo, soltando o ar com força.
Tentei recuar. A culpa me inundou, gelando o t***o que até segundos atrás me incendiava. Eu era um homem de trinta anos, com as mãos sujas e a alma em frangalhos, e ela era... ela era intocada. Nova. Eu estava prestes a arruinar a única coisa pura que restava naquele morro. Comecei a me afastar, pronto para sair daquela cama, colocar a minha camisa e mandá-la embora antes que eu terminasse de destruir a vida dela.
Mas Maya não deixou.
Antes que eu pudesse saltar para o chão, ela avançou. Suas mãos pequenas e quentes agarraram meus pulsos com uma força que eu não sabia que ela tinha. Ela me puxou de volta para o seu espaço, forçando-me a encará-la.
— Não para — ela disse, agora com os olhos abertos, queimando de uma determinação que me deixou sem chão. — Eu não quero que você saia. Eu só... Perdi para ir devagar porque fiquei com medo da dor... Mas, mas... eu só quero que seja você.
— Maya, você não tem ideia do que está pedindo — tentei protestar, minha voz falhando enquanto sentia o calor do corpo dela me atraindo como um ímã. — Eu não sei ser delicado. Eu perdi essa parte de mim há muito tempo.
— Então aprende de novo. Comigo.
— Maya.
— Quero você — diz firme — Quero tudo o que estava fazendo. só preciso de um pouco de paciência.
Ela puxou minha mão e a levou até o seu rosto, forçando-me a acariciar sua bochecha. O contraste da minha mão calejada contra a pele de seda dela era um crime. Eu suspirei, sentindo a última barreira da minha resistência ser pulverizada.
— Tudo bem — murmurei, subindo novamente sobre ela, mas desta vez, deixei o peso do meu corpo cair com cuidado. — Você deveria me pedir para parar — faço mais um alerta enquanto me acomodo.
— Não. Quero. Que. Pare — diz determinada e dorma pausada cada palavra
— Porr@ — fecho os olhos — Você vai ser minha ruína garota. — digo, sabendo que não tenho mais forças para lutar contra isso. - Se doer, se você quiser parar... você me fala. Me fala na hora, porr@. Entendido?
Ela apenas assentiu, puxando meu pescoço para um beijo que começou lento, quase uma súplica. Meus dedos, que antes rasgavam tecidos, agora desenhavam o contorno do seu corpo com uma lentidão torturante. Eu ainda estava com a calça, sentindo a pressão insuportável entre as pernas, mas ignorei a urgência.
Minha boca desceu novamente pelo seu pescoço, mas desta vez não houve mordidas. Apenas beijos úmidos e profundos, subindo até a curva da sua orelha, onde mordisquei de leve, sentindo-a estremecer sob mim.
— Vou tirar a minha calça agora — avisei no seu ouvido, a voz vibrando com um desejo que agora estava sob um controle férreo, quase militar. — Olha para mim, Maya.
Eu queria que ela visse tudo. Queria que ela soubesse exatamente em quem estava confiando.
Me levantei e tirei minha calça com uma lentidão perigosa. Eu estava nu, exposto e completamente ereto para pegar o que agora seria meu. Não tinha camisinha aqui, então precisa lembrar de tomar cuidado.
Livre da roupa, eu me posicionei entre suas pernas, sentindo o calor do centro dela contra a minha pele. O t***o era uma dor física, uma queimação que exigia finalização, mas eu me forcei a manter o ritmo dela.
Pressionei meu corpo contra o dela, sentindo a umidade dela lubrificar o ponto de contato. Maya soltou um soluço baixo, as unhas cravando nas minhas costas, enquanto eu começava a me mover, centímetro por centímetro, testando os limites daquela nova realidade.
— Tá tudo bem? — perguntei, minha testa colada na dela, os olhos fixos nos seus para captar qualquer sinal de dor.
— Sim... — ela arquejou, as pernas se enroscando na minha cintura, puxando-me para o abismo que eu tanto temia e desejava. — Só não para, Gabriel. Por favor, não para.
Naquele momento, eu soube que não era mais apenas o monstro ou o professor. Eu era o homem que ela escolheu para ser o primeiro. E fod@-se o passado, fod@-se o DG. Se o mundo tivesse que acabar hoje, ele acabaria dentro daquela kitnet, comigo enterrado no único lugar onde eu ainda me sentia vivo.