Alguns meses se passaram desde meu rerorno à Itália.
Tento todos os dias esquecer Gael, eu gostava muito dele, mas o i****a tinha que ser um mafioso.
Fecho os olhos, estou em meu quarto, desde o dia em que Lucca e Alícia foram para o Brasil, o clima nessa casa está estranho.
Hoje, parece que haverá um jantar, no qual Lucca participará, mas nem quero descer, porque as energias não estão boas.
No fone, algumas músicas tocam enquanto vejo minhas fotos com Gael.
Acho que no fundo, eu gostaria que ele descobrisse quem sou eu, e viesse atrás de mim...
Toc toc...
Ouço uma batida na porta.
Fecho meu celular, e coloco embaixo do travesseiro.
—Entre.
Minha mãe é quem aparece.
—Filha, Lucca e Alícia chegaram.
Sorrio com a notícia, eu adoro minha cunhada.
—Ja vou descer mamãe.
Ela apenas balança a cabeça e sai.
Não tô falando? Está todo mundo esquisito nessa casa.
Ajeito meu cabelo, passo um brilho nos meus lábio e desco as escadas.
—Oi cunhada, como você está?
Digo abraçando Alícia, que está com o olhar triste, mas retribuí meu abraço
—Oi Moh, estou bem e você?
—Não sei, estão todos com cara de enterro, então estou com um pouco de medo.
Digo olhando ao redor, todos abaixam a cabeça, ao longe, vejo John, ele sibila as palavras "sinto muito" e abaixa a cabeça também.
—Bom Mohana, temos uma notícia para te dar.
Lucca começa...
—Que... Que notícia?
Pergunto com a voz falhando
—Hoje nós iremos fazer seu noivado.
—O QUÊ? Lucca...
Olho pra todos sem acreditar.
—Mohana, você sabe que isso iria acontecer, mais cedo ou mais tarde.
Meu irmão tenta justificar, eu tenho vontade de socar a cara dele.
—Lucca, não... Por favor...
—Ja dei minha palavra. Seu noivo ja está chegando, e selaremos o acordo.
—EU NÃO SOU UMA MERCADORIA LUCCA!
Digo alterada, gritando a traição que estou sentindo.
—Se acalme, Mohana. Seu irmão adiou isso pelo maior tempo possível.
Meu pai diz, tentando fazer isso parecer certo.
—Eu não quero...
—Isso não será possível.
—Eu nunca perdoarei você Lucca.
Digo com tristeza.
—Terei que viver com isso.
Ele fala, parecendo chateado... Mas sua fisionomia mostra que não voltará atrás.
—Você não pode fazer isso comigo, VOCÊ NÃO PODE!
Enquanto enfrento Lucca, ouço alguém falar enquanto entra na sala.
—Boa noite. Acho que cheguei na hora certa.
O homem diz olhando diretamente pra mim, um sorriso debochado brinca em seus lábios enquanto ele fala.
Idiota!
—Boa noite senhor Costello. Bem vindo a Itália.
Meu pai o cumprimenta.
—Senhor Baroni, como vai? Lucca. Nicholas.
O infeliz cumprimenta os homens da minha família, ignorando por completo as mulheres.
—Vicent. Esta é minha irmã, Mohana.
Meu irmão fala, me indicando. O homem me avalia com um sorriso.
—Mohana, esse é seu noivo, Vicent.
Nenhum de nós fala nada, apenas ficamos nos encarando.
—Bom, acho que os membros ja estão chegando. Vamos recebê-los e acabar logo com isso.
O i****a diz se dirigindo ao Lucca, quando começa a virar as costas pra mim, crio coragem e pergunto.
—Por que?
Ele me olha, uma sobrancelha arqueada, mostrando que não entendeu a pergunta.
—Por que o que?
Bufo... Odeio ter que explicar meus pensamentos.
—Por que você quer se casar comigo?
Ele da um sorriso de lado.
—Por que você foi a sortuda...
Solto uma risada sarcástica.
—Eu farei da sua vida um inferno.
Digo me aproximando dele, não sei de onde criei tanta coragem.
—Mohana...
Lucca fala.
Vicent se vira de frente pra mim, e se aproxima... A cada passo, seu sorriso fica mais visível no rosto. Cretíno.
—Faça o seu melhor querida... Eu farei o meu pior. E que vença o mais persistente.
—EU...ODEIO... VOCÊ...
Guspo as palavras em sua cara.
—Um bom elogio querida.
Ele se afasta, Lucca segura meu braço.
—Mohana, se controle... Você não o conhece.
Lucca fala o óbvio.
—Não me casarei com ele.
—Isso não é brincadeira. Ele não é sua família.
—Vai lá, faz sala para seu convidado de honra.
Digo puxando meu braço e subo as escadas.
Assim que chego em meu quarto, eu desabo.
Mas não tenho muito tempo livre, logo ouço Alícia me chamar, depois de chorarmos e ficarmos um tempo abraçadas.
—Eu ja estive em seu lugar, sei o quão difícil é... Mas o melhor a fazer agora, é descer e não deixar Vicent e todos os outros irritados.
Ela está certa..
—Vamos acabar logo com isso, vou deixar pensarem que ganharam.
Digo e ela me encara sem entender, mas não falo nada, é melhor que ninguém saiba o que penso em fazer.
Descemos as escadas, e sem cumprimentar ninguém, me sento na mesa no lugar ao lado de Vicent, o único lugar vázio.
Ele me olha de lado mas não diz nada.
O noivado acontece, Lucca informa que apartir de agora, a aliança das máfias Italiana e Americana estão firmadas atravéz de nossos sangues.
Vicent pega um estilete, faz um corte em seu dedo, e depois faz um corte em meu dedo, juntando nossos sangues.
Eu choro copiósamente, não por dor, mas por saber o que isso significa.
Depois de Vicent dizer algumas palavras, o jantar continua, eu só reviro minha comida, sem me dar ao trabalho de comer absolutamente nada.
Não estou com apetite.
Assim que o jantar termina, subo ao meu quarto e choro...