Jogos de Poder
Antes que ela pudesse responder, Fernando a levou pelo corredor. "Vamos, vou te mostrar um quarto onde você pode tomar um banho de verdade e vestir algo mais confortável," disse ele, guiando-a até um quarto de hóspedes espaçoso, decorado de forma elegante.
Valentina ficou parada por um momento, ainda sentindo o toque quente da mão dele. Seus pensamentos estavam uma bagunça. Como esse homem conseguia ser tão diferente a cada instante? Ele ia de c***l a sedutor, de perigoso a gentil, e isso mexia com ela de um jeito que a deixava desconfortável. Mas, ao mesmo tempo, havia algo que a prendia nessa mudança constante de atitude. Ela sabia que não podia confiar nele, mas também não conseguia ignorar a curiosidade – e, pra ser sincera, a atração – que crescia dentro dela.
Quando chegaram à porta do quarto, Fernando se inclinou para perto dela, com a voz baixa e provocadora. "Mas, se preferir, pode tomar o banho comigo. Acho que seria bem mais divertido," ele sussurrou, antes de se afastar, deixando-a sozinha com seus pensamentos.
Os Pensamentos de Valentina:
"Como ele consegue mexer tanto comigo?" — Valentina se perguntava, tentando entender o turbilhão de emoções que a dominava. Fernando era uma contradição em forma de homem. Ele a desafiava e ao mesmo tempo a protegia; era um enigma, uma mistura de perigo e atração. E o pior de tudo era que, apesar da racionalidade lhe gritar para manter distância, uma parte dela se sentia cada vez mais tentada a cruzar a linha.
Ele não era apenas mais um homem perigoso em sua vida. Ele era diferente, mais complexo, como se cada gesto dele carregasse uma promessa — de caos, de desejo, talvez até de redenção. E Valentina, tão acostumada a controlar tudo e a todos ao seu redor, começava a sentir o controle escapar por entre os dedos. Era enlouquecedor e, ao mesmo tempo, viciante.
Ela sabia que aquele jantar e todas as interações que haviam compartilhado até ali eram apenas o início de um jogo maior, um jogo que poderia consumir ambos. A atração era inegável, mas Valentina também entendia que o desejo podia ser uma armadilha perigosa — especialmente quando se está presa em uma ilha, sozinha com alguém como Fernando.
"Preciso ser forte," pensava, mas no fundo, temia já ter sido capturada, não pelas mãos de Fernando, mas pelo misto de fascínio e curiosidade que ele despertava nela.
Antes que pudesse pensar muito, Helena, a governanta, apareceu na porta com um sorriso gentil no rosto. "Com licença, querida," disse ela com doçura. "Tem algo que você gostaria para o jantar?"
Valentina, ainda meio surpresa com o jeito caloroso da senhora, respondeu quase sem pensar. "Não, querida, o que você fizer eu vou gostar."
Enquanto Valentina olhava o quarto, pensando no que Fernando tinha acabado de dizer, ela parou de repente e se virou para Helena, a curiosidade a cutucando. "Você mora aqui?"
Helena sorriu e balançou a cabeça. "Não, meu bem. Só venho quando me chamam pra ajudar. Depois do jantar, o piloto me leva de volta."
"Piloto?" Valentina perguntou, surpresa, com os olhos arregalados.
"Sim, você está em uma ilha. A única forma de sair daqui é de jatinho ou helicóptero."
Valentina deu um sorriso sem graça, absorvendo a informação. "Ah, claro, faz sentido. Muito prazer conhecê-la e obrigada por me contar."
Helena sorriu de volta, simpática. "O prazer foi meu, querida," disse ela, antes de se virar e sair.
Valentina entrou no quarto, fechando a porta atrás de si. Ela se aproximou da janela, olhando para o horizonte distante. Uma ilha, completamente isolada, com Fernando como sua única companhia... A ideia a deixava desconfortável, mas também havia algo estranho que ela não conseguia ignorar. Uma parte dela estava curiosa, outra parte intimidada. Ela sabia que não podia se deixar levar pelas provocações de Fernando, mas algo dentro dela já começava a mudar.
Valentina demorou bastante no banho, deixando a água quente relaxar seus músculos e acalmar as cicatrizes, tanto do corpo quanto da mente. Os últimos dias tinham sido intensos demais, e a situação com Fernando sobre a ilha, sobre como a situação havia mudado de uma simples missão para algo muito mais complicado.
Quando saiu do banho, enrolada numa toalha macia, Valentina percebeu algo novo no quarto. Sobre a cama, havia um vestido leve, bonito e elegante. O tecido era suave ao toque e a cor parecia destacar sua pele. Ao lado do vestido, uma sandália delicada, com tiras macias, feitas para o conforto, mas sem perder a elegância.
Valentina se vestiu com cuidado, sentindo o tecido deslizar suavemente sobre a pele. O vestido caía perfeitamente no seu corpo, e as sandálias eram tão confortáveis quanto bonitas. Prendeu o cabelo em um coque meio bagunçado, o que deixava seu visual despretensioso, mas encantador. Quando se olhou no espelho, notou algo diferente, quase como se estivesse se preparando para um encontro. Isso a fez sentir um desconforto que não conseguia explicar.
Ela desceu as escadas devagar, com passos quase silenciosos. Quando chegou à sala de jantar, esperava ver Helena arrumando a mesa ou já pronta para servi-los. Mas, para sua surpresa, Fernando estava sozinho, esperando ao lado de uma mesa elegantemente posta.
Valentina hesitou por um instante. A ausência de Helena a deixou desconcertada. Não imaginava que seria um jantar íntimo, só os dois, e isso a fez ficar mais alerta. Quando Fernando levantou o olhar e viu Valentina, o brilho de admiração em seus olhos foi algo que ela não pôde ignorar.
"Você está linda, gatinha selvagem," disse ele, com a voz suave, mas cheia de intenções.
Ela tentou manter a calma, mas a intensidade do olhar dele fez seu coração bater mais rápido. "Obrigada," respondeu, mantendo o controle na voz. "Achei que Helena jantaria conosco."
Fernando sorriu, um daqueles sorrisos que pareciam esconder segredos. "Helena já terminou o trabalho por hoje. Achei que seria mais... interessante só nós dois."
Valentina sentiu o ambiente ficar mais pesado, como se cada palavra tivesse um significado oculto. Sentou-se à mesa, mantendo o olhar fixo em Fernando, tentando entender o que ele realmente queria.
O Jantar
O jantar foi impecável, com pratos elaborados e saborosos, à altura do luxo da mansão. Durante a refeição, conversaram de maneira descontraída, mas a tensão entre eles nunca desapareceu. Cada sorriso, cada palavra parecia fazer parte de um jogo, um jogo de poder e sedução.
Valentina fazia o possível para manter sua postura firme, tentando não ceder ao charme de Fernando. Mas, de vez em quando, ele conseguia quebrar sua barreira, fazendo-a sorrir ou responder de maneira mais espontânea. Ela sabia que ele estava tentando entrar em sua mente, e isso a deixava dividida entre resistir e a crescente curiosidade que sentia por ele.
Fernando também estava intrigado. Valentina era diferente das outras mulheres que ele havia conhecido. Ela tinha uma força e uma vulnerabilidade que o atraíam, uma combinação perigosa que o fazia querer descobrir mais.
Depois do jantar, Fernando se levantou e a convidou para ir até a praia. "Preciso respirar um pouco de ar fresco. Vou surfar. Quer vir comigo?"
Ela recusou com um leve movimento de cabeça, preferindo observar de longe. Ele não insistiu, apenas sorriu de forma misteriosa antes de sair em direção à praia.