Os dias passaram e com ele Christian havia ficado estranho. Me evitava, não se aproximava de ninguém, apenas de Ted. Pelo nosso pequeno ele parava o mundo e dava a atenção que ele queria .
- Senhora Grey, posso servir o jantar?
- Pode sim Gail, já chamou o Sr Grey?
- Ainda não.
- Vou chamar então.
Ela sorriu e subi para o nosso quarto. Encontrei com Christian terminando de se arrumar e bati na porta.
- O jantar esta pronto. - ela virou terminando de se pentear e assentiu. - Esta tudo bem?
- Sim . - falou seco. - Porque?
- Só te achei estranho esses dias.
- Estou me recuperando Anastasia, vai ter dias em que não vou querer ver ninguém.
- Lembrou de alguma coisa?
- Só o necessário .
- Tipo, que necessário?
- Coisas que preciso juntar pra saber o que é, por isso me afastei de você. Preciso lembrar do que tínhamos, o que você é pra mim.
- O seu coração diz o quê?
- Não sei . - ele passou por mim , mais parou no meio do caminho. - Me perdoa, eu só quero ficar sozinho.
- Tudo bem.
O jantar foi um tormento, Christian estava longe, Ted conversava com sua babá e eu tentava decifrar a expressão de Christian.
" O que você tem Christian? " . Perguntei a mim mesma e respirei frustrada.
Naquela noite eu estava tão angustiada que fui bombardear Christian de perguntas, eu preciso saber o que se passa com ele, o que ele tinha , só não imaginava a reação.
- Podemos conversar?
- Sobre? - seus olhos me fitaram e sentei ao seu lado.
- Como vamos ficar depois disso? Bom, como estamos Christian.
- Ana, no momento você pra mim é uma estranha. Por mais que eu sinto que temos uma ligação, que vivemos grandes momentos e que as lembranças vem em flashes, eu não me lembro de nós. Não do jeito que eramos.
- O que vai ser de nós dois?
- Não sei, eu preciso de um tempo, preciso ficar sozinho.
- Quer que eu te deixe uns dias sozinho?
- Não, isso é a ultima coisa que eu quero.
- Então, porque não me deixa ficar perto de você?
- Não sei Ana, não sei.
Christian estava apavorado, seus olhos transmitiam medo.
- Agora tá tudo confuso , eu tenho sonhos que me apavoram.
- Que sonhos?
- Um acidente horrível, vejo você indo embora, o nascimento do nosso filho. Um tiro, um homem e um galpão e coisas, coisas Ana. - ele dizia em pânico, batendo as mãos na cabeça e eu as segurei.
- Christian para ... olha pra mim. - ele olhou para mim, seus lindos olhos cinzas, estavam transmitindo dor, medo, pavor, tristeza. - Eu te amo e mesmo que nunca lembre de mim, eu vou amar você e a cada dia, vou fazer você reviver nossos momentos.
- Você não pode ficar presa a mim, tem que viver a sua vida Ana.
- Não, Christian, minha vida é a sua e sem você ela deixa de existir.
- Eu não quero fazer você sofrer, ver você chorar, não quero.
- Você não vai, sofrer faz parte da vida, chorar também. Mas vamos estar juntos, fortes e nos amando a cada dia.
- Ana ... - ele balançava a cabeça confuso.
- Eu te amo.
- Eu queria muito dizer eu também, mais não consigo.
- Vou esperar, um dia você vai dizer.
Ele não disse nada, me puxou para seus braços e o abracei forte. Meu cinquenta tons, esta frágil, triste, confuso, apavorado e tudo que eu queria era tirar aquilo tudo dele.
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Pensei que seria fácil, esses dias depois da conversa que tivemos, só que ele se fechou mais.
Então pelo meu bem, o bem dele, do nosso filho e o nosso bem, decidi uma coisa.
- Que malas são essas?
- Vou passar um tempo com Kate.
- Vai sair de casa ?
- Vou te dar umas férias de mim e do Ted.
- Não pode.
- Posso sim.
- Não Ana. - ele pegou na minha mão e ficamos nos fitando. - Não pode.
- Eu já decidi e eu vou.
- Se você tivesse no meu lugar, eu acho que a ultima coisa que eu faria, seria te deixar sozinha.
Aquelas palavras me bofetearam e sentei na cama.
- Christian olha ...
- Não Ana, olha você. As vezes eu penso em desistir, de mim, de lembrar quem é Christian Grey de verdade, mais depois eu olho pra você e pro Ted e lembro o porque estou aqui, vocês dois são os motivos de eu ter lutado pra viver, naquele hospital.
Eu não conseguia dizer nada.
- Eu quando fiquei em coma, eu sonhei com você. Parece que a minha alma saiu do meu corpo e tudo que eu via, era você chorando, perguntando a você mesma o que seria de vocês, se eu morresse. Ouvir você no hospital, me pedindo pra voltar, me deu mais ânimo, mais vontade de voltar e lutar pela minha vida. Eu sei que te amo, só não sei como demonstrar.
- Christian eu não sei se eu...
- Se consegui ficar perto de mim? - ele abaixou a cabeça e quando levantou seu rosto estava molhado- eu só estou te pedindo pra ter um pouco mais de fé em mim, não vai, não me deixa.
- Eu não vou.
- Agora tá tudo borrado aqui - ele colocou a mão sobre a cabeça - mais aqui dentro as coisas estão intactas e eu Ana, amo você, mesmo ainda não sabendo de muita coisa. - ele colocou a mão sobre o coração. -Me dá uma chance, por favor.
- Me perdoa Christian, não sei o que me deu.
- Ana ...
Me joguei em cima dele e o beijei. Christian se assustou no começo mais depois retribuiu ao beijo e tudo que eu pedia a Deus , era paciência e sabedoria para saber lidar com essa recuperação de Christian.
Meninas do meu coração aí esta mais uma atualização,comentem. E quero agradecer a vocês que comentam, que votam, que leiam, aos mais tímidos que não comentam, obrigado, essa história é sua.
Beijos da Flor