O que está acontecendo aqui?

1543 Palavras
Estava tão confortável que não queria acordar. O cobertor estava bem quentinho me deixando ainda mais sonolenta, só que uma voz insistia em me chamar. —Amor —repetiu novamente e senti lábios molhados em meu pescoço —Hora de acordar. —Não —resmunguei puxando o lençol sobre meu corpo —Só mais cinco minutinhos. Ele riu. —Falta pouco para Rosa acordar. Você quer que ela te pegue aqui comigo? Meu cérebro demorou a processar suas palavras, mas quando o fez, meus olhos se arregalaram. Eu estava nua na cama com Cristiano quando deveria estar no quarto com Rosa. Eu iria voltar antes de dormi, mas Cristiano me pediu para ficar mais um pouco e, aparentemente, tinha pegado no sono. —Ai meu Deus —exclamei e tentei me levantar, mas o braço em minha cintura me impediu —Eu não deveria ter dormido. —Calma, linda —sussurrou ele contra meus cabelos —Dar tempo de você voltar para lá e ela nem vai notar que você saiu —fez uma pausa —Quero meu bom dia. Relaxei em seus braços e me virei para ele, dando um beijo no cantinho de sua boca. —Bom dia, Cristiano. —Cristiano não —balançou a cabeça —Amor da sua vida. Motivo do seu viver. Razão da sua vida. —Está se achando demais não, querido? —falei sorrindo. —Claro que não —disse ele sério, mas podia ver que segurava o sorriso —Eu não sou o amor da sua vida? —colocou uma perna entre as minhas, as afastando e se acomodou entre elas —Motivo do seu viver? —beijou o meu queixo —Razão da sua vida? —Você amanhece todos os dias animado desse jeito? —questionei sorrindo. Tinha uma parte de seu corpo que estava muito animada. —Sim, mas você estando comigo só deixar tudo melhor, não acha? —Não, não —o empurrei para o lado e ele não me impediu —Eu tenho que levantar. —Chata —fez bico e eu revirei os olhos. —Somos —mostrei língua para ele e sentei na cama. Vestir minhas roupas que estavam ao lado de sua cama e me voltei para ele, que estava de olhos fechados. Me abaixei sobre ele e beijei seus lábios de leve, ignorando o fato que provavelmente estava com bafo —Amo você. —Eu amo mais —respondeu ele sem abri os olhos. Só fiz revirar os olhos, o deixando voltar a dormi e sair de seu quarto o mais silenciosa que conseguir. Quando cheguei ao quarto de Rosa, ela ainda dormia confortavelmente, então só peguei uma roupa nova e fui para o banheiro tomar um longo banho. Estava precisando de um depois da noite que tive. E que noite. Acabou que nem conversamos direito, mas também nunca conversamos direito mesmo. Sempre que estamos juntos acabamos na cama, principalmente depois da nossa primeira vez. Não sei bem o que sentir sobre sexo. Eu gosto dos seus toques, dos seus beijos e admito que sou a primeira a provoca-lo para irmos mais longe, entretanto sempre que terminamos sinto esse aperto no peito, uma sensação r**m que some apenas quando sinto seu toque novamente. Quando ele me toca eu não penso em nada além dele. Deve ser apenas insegurança minha. Terminei meu banho e voltei ao quarto de Rosa, a encontrando já acordada. Se notou que não dormi em seu quarto, não comentou nada, apenas me chamou para ir tomar o café da manhã. Depois fomos assistir a um filme que tinha acabado de lançar com o ator preferido dela e apesar do filme ser muito chato, era engraçado ver Rosa babando no cara. Um pouco depois, Cristiano se juntou à nós e insistiu em escolher o próximo, que não era tão r**m. Era estranho estar perto dele sem estar o tocando, fingindo que nada acontecia entre nós, mas ainda não tinha coragem de admitir em voz alta que estávamos juntos. Sei que sua família e a minha não seria contra, mas, mesmo assim, algo me impedia. Medo. Do quê? Eu não sabia ao certo. Julgamentos? Comentários? Não importa. O melhor é esperar, só por mais um tempo. E assim passamos o dia, entre um filme e outro. Mesmo que fosse um pouco estranho, ainda era muito bom estar na companhia dos dois. Só que o que é bom dura pouco, então, depois de receber uma ligação, Cristiano saiu e Rosa tinha um encontro com David, por isso voltei para casa. Quando cheguei me surpreendi ao encontrar André sentado no batente da minha casa. Sua cara não estava nada boa. —Oi —o cumprimentei sentando ao seu lado —Está aqui a muito tempo? —Não —não olhou em minha direção —Acabei de chegar. Como foi na casa da Rosa? —Legal —o olhei de lado —Como foi o encontro? —Um desastre —suspirou parecendo cansado —Fiz papel de i****a de novo. —Quer me contar o que aconteceu? —Não quero te encher com essas coisas —Pode encher minha paciência, eu deixo —ele parecia precisar conversar e escutar os problemas dos outros era uma das minhas qualidades. Além que estava um pouco curiosa para saber o que tinha acontecido. —Só quero sua companhia hoje —disse ele me olhando de lado —Você me faz bem, Anna. Sempre me sinto bem ao seu lado, sem ter que fingir ou tentar ser alguém que não sou. —Fico feliz que se sinta assim, André —bati em seu ombro com o meu —Mas estou curiosa. O que aconteceu? Me fale quem magoou seu coração para eu ir lá dar uma surra nela. —Você não bateria nem em uma mosca —disse ele dando um sorriso mínimo. —Nós dois sabemos disso, mas ela não —pisquei para ele, que balançou a cabeça —Posso dar um susto nela —Só você mesmo —negou com a cabeça —Mas não precisa se preocupar. Eu estou bem, mesmo que você não a ameace. —Foi a Helena, não foi? —questionei antes que pudesse me impedir. Ele suspirou e olhou para seus pés —Você gosta muito dela, não é? —Gosto. Demais —fez uma pausa —E o pior é que ela sabe disso. —Sabe que merece mais do que uma garota que brinca contigo, não sabe? —falei séria. Ninguém deveria ser feito de brinquedo. —Eu sei —virou em minha direção, seus olhos focaram nos meus e eu não consegui desviar o olhar —Tudo seria mais fácil se eu me apaixonasse por alguém como você —levou sua mão até minha bochecha —Uma garota tão doce e gentil. —André, eu... —comecei sem jeito, mas ele tocou meus lábios, impedindo que eu continuasse. Ele se aproximou mais, ao ponto de conseguia sentir sua respiração bater em meu rosto e eu sabia que deveria me afastar, deveria o empurrar, mas me sentia congelada. E minha falta de resposta lhe deu a ideia errada, pois ele continuou a se aproximar, mas antes que pudesse me beijar, uma voz muito irritada nos interrompeu. —Posso saber o que está acontecendo aqui? Não me surpreendi ao virar e encontrar Cristiano. E conseguia sentir sua raiva de longe, mas também não podia o culpar. Só podia imaginar a cena que ele estava vendo agora, de sua namorada quase sendo beijada por outro cara e não qualquer cara, mas André, o mesmo cara que foi mencionado ontem. —Cristiano —comecei sem saber o que dizer. “Isso não é o que está pensando” me parecia muito suspeito, mas o que mais poderia dizer? —O que está fazendo aqui, cara? —questionou André, a confusão estampada em seu rosto. Ele sabia da minha relação de ódio com o irmão gêmeo de Rosa. —Também estou me fazendo a mesma pergunta —respondeu ele, seus olhos em mim e a dor que vi neles quebrou meu coração. Eu não queria o magoar —Devo ter errado de casa. Ele se virou para ir embora, mas me adiantei e segurei seu braço. Parou de andar, mas não se virou para mim. —Me solta, Anna —mandou ele. E sua voz estava tão irritada, com tanta raiva que fiz o que me pediu. —Vamos conversar —pedi em voz baixa —Por favor. Ele não respondeu, apenas saiu andando. Iria atrás dele, mas sentir uma mão segurar meu braço. Olhei para André com raiva e empurrei sua mão, mas ele não soltou. —Por que está indo atrás dele, Anna? —Eu... —olhei para Cristiano que já estava quase na esquina da rua —Eu preciso falar com ele. —Não é o momento, Anna —disse ele sério —Ele está com raiva, o deixe se acalmar. —Mas... —minha voz falhou. —Me desculpa —foi sincero —Não queria te causar problemas. Também não imaginava que você e Cristiano... —Você pode ir embora, por favor? —pedi em voz baixa e ele assentiu. —Sério, me desculpa —deu um beijo na minha testa e foi embora.
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