Mandei diversas mensagens explicando o que tinha acontecido, liguei várias vezes, mas ele não me respondeu. Visualizava e não respondia, até que parou de visualizar.
Não sabia mais o que fazer. Sabia que o erro tinha sido meu, não deveria ter deixado chegar onde chegou, mas será que Cristiano não vai mais querer nada comigo? Será que terminamos? Todas as dúvidas e a culpa apertavam o meu peito e tudo que podia fazer era chorar. E chorar mais um pouco.
Quando o dia amanheceu, não tinha conseguido dormi nem um pouco, se fosse qualquer outro dia não iria a aula, mas a esperança de o encontrar lá era maior, então tomei um banho e vestir o uniforme. Quase tinha outra ataque de choro quando sair de casa e Cristiano não estava me esperando com seu largo sorriso e sua cobrança de um beijo de bom dia. A ficha de que ele estava realmente irritado comigo ainda não tinha caído, mas tentei me manter firme. Não iria desisti ainda, iria conversar com ele e tudo ficaria bem. Não podíamos acabar assim.
Quando cheguei na escola, nem Rosa nem Cristiano tinha chegado ainda, apenas André. E assim que me viu, se aproximou de mim.
—Podemos conversar? —perguntou ele e assenti, o seguindo para um lugar mais reservado —Você está namorando com Cristiano?
—Sim —respondi seca, apesar de não saber mais se namoramos.
—E a Rosa sabe disso? —odiei seu tom de voz. Parecia debochado.
—Não, ninguém sabe —falei olhando para o lado. Por que estava tão interessado? —Por que tantas perguntas?
—Por que está com ele, Anna? —perguntou ele ignorando minha pergunta.
—Isso não é da sua conta —fui grossa. Seu interrogatório estava me irritando.
—Claro que é da minha conta —falou ele sério —Você é minha amiga. E ele só está brincando com você.
Levantei o rosto para ele, o olhando séria.
—Como pode afirma isso?
—Porque é ele, Anna. O Cristiano —sua voz estava ficando mais alta e isso estava me irritando mais. Quem ele pensava que era para falar alguma coisa? —O cara que te magoou várias vezes, que te fez chorar e te xingou. O cara que sempre te tratou m*l e agora, do nada, ele namora escondido contigo? E aliás se ele não está apenas brincando com você, por que é namoro escondido?
—Porque eu pedi que fosse assim —por que estava me explicando para ele?
—Está vendo? —ele levantou os braços, se exaltando —Até você sabe que ele só está brincando contigo. Até você sabe, Anna, que isso não vai dar certo, do contrário, a primeira pessoa que você teria contado seria a sua melhor amiga.
Eu congelei. O que ele falou podia ter um pouco de verdade, mas, mesmo assim, ele não tinha o direito de falar isso. Não ele. Não depois do que ele fez.
—Você não liga se ele está brincando comigo —o acusei com raiva e ele abriu a boca, pronto para retrucar, mas não permitir —Sua preocupação não sou eu, André. Sabe o que te incomoda? Eu não estar te esperando, feito uma i****a.
—Anna...
—Me responde uma coisa com sinceridade —o encarei séria —Você sabia que eu gostava de você, não sabia?
—Anna ... —repetiu ele.
—Sabia ou não, André?
—Sabia —admitiu em voz baixa —Você nunca foi muito boa em esconder isso.
Sua confissão foi como um tapa na cara. Eu desconfiava que ele soubesse ou ao menos suspeitasse, mas a confirmação não era nada agradável.
—E você pensou que eu sempre iria te esperar —o acusei sentido as lágrimas virem ao meus olhos. André era, acima de tudo, um grande amigo e sabia que depois daquele dia, eu iria o perder.
—Não, Anna, eu não...
—Você sim —o interrompi sentido as lágrimas que segurava desde cedo descer por minhas bochechas —E ontem foi a prova disso. Você só me viu depois de uma garota quebrar seu coração, só iria me usar. E se eu não tivesse o Cristiano, André? E se a gente tivesse se beijado? O que você faria depois?
Ele não disse nada, apenas abaixou a cabeça, o que me enfureceu mais.
—Você iria embora de novo, para outra garota bonita quebrar seu coração, com a certeza que eu iria ficar esperando. De novo.
—Eu fui um i****a, ok? Já entendi isso —ele gritou, sua voz trêmula como a minha —Mas eu me importo com você, Anna. De verdade.
—Só me deixa em paz —lhe dei as costas, esperando que ele fosse embora.
—Sabe a Helena, Anna? Eu não sou o único brinquedo dela —Não respondi, não entendia onde ele queria chegar, mas mesmo sem meu interesse ele completou: —O Cristiano é o brinquedo favorito dela —não respondi. Estava irritada demais para me importar com o que ele dizia. —Só toma cuidado, ok?
Escutei seus passos se afastando e me sentei em um banco, começando a chorar. Era uma i****a por chorar na escola, onde todos podiam ver, mas não conseguia controlar. Não sabia mais nem o porquê chorava, se era por André ou por Cristiano ou pelos dois, só que meu coração estava doendo.
Pouco tempo depois de André se afastar, escutei passos se aproximando. Não levantei o rosto, envergonhada demais para saber quem era, mas assim que a pessoa sentou ao meu lado e me abraçou, sabia quem era.
—Vai ficar tudo bem —Rosa sussurrou contra meus cabelos e a abracei apertado, escondendo meu rosto em seu pescoço.
—Eu fiz tudo errado, Rosa.
—Tudo bem —deu tapinhas calmantes em minhas costas —A gente conserta, não se preocupe.
Ela me deixou chorar pelo que pareceram horas, mas foram apenas alguns minutos, então me ajudou a limpar o rosto com lenços que tinha em sua bolsa e passou uma maquiagem para disfarçar a cara de choro.
—Depois você vai me contar todo esse babado, ok? —só fiz assenti com a cabeça, então ela sorriu e levantou —Vem, vamos para aula.