Festa parte 1

1270 Palavras
Olhei para roupa que a minha melhor amiga me entregava, um vestido curto e colado no corpo, daqueles que realça suas curvas, mas eu não tinha curvas, tinha banha, é diferente. Ficaria ridícula naquilo, isso se entrasse. —Nem pensar —neguei imediatamente e ela me encarou séria —Não vou usar isso, Rosa. —Só experimenta —pediu ela, imutável —Não vai doer, eu prometo. Ela não sabia, mas realmente doía. Doía olhar uma roupa bonita que fica horrível no seu corpo, que te deixa sentido uma lagarta, cheia de camadas, enquanto as pessoas te olham parecendo dizer: “não sabe que isso não é para o seu bico? Se quiser usar isso, emagreça!” Ou dizer que você estragou a roupa porque não aceita a realidade. Isso doía, de verdade. —Não dar para mim —mentir. Na verdade, até entrava, mas não ficaria bem, não mesmo e eu nunca que teria coragem de usar isso fora de casa. —Mentira —ela não caiu na minha desculpa —É do seu tamanho e se ficar um pouco apertado, é o intuito do modelo. —Não gosto de roupas apertadas —fui sincera. Eu amava roupas que escondesse o máximo de meu corpo, isso não era novidade. —Tente algo novo dessa vez —disse ela sorrindo —Por favor, Anna. Pelo meu aniversário. Golpe baixo. Golpe muito baixo, Rosa. Depois dessa não poderia negar, já que minha melhor amiga estava muito animada com seu aniversário de 17 anos, quando sua mãe finalmente lhe deu permissão de fazer uma grande festa e chamar todos da nossa escola, uma festa que estávamos esperando desde os 13 anos de idade. —Te odeio —falei pegando o vestido de suas mãos e entrei no provador. —Você me ama —a escutei gritar sorrindo e não respondi. Com um pouco de dificuldade, consegui vestir e sair. Assim que me viu, Rosa gritou animada, dizendo o quanto estava linda, mas só pode pensar no quanto ela mentia bem quando olhei no espelho. Meus s***s grandes demais ficavam quase pulando naquele decote e eu ficava realmente parecendo uma minhoca, por causa das ondulações da minha barriga. Só podia olhar para aquela gordura acima do meu quadril, que ficava muito evidente. —Horrível —disse em voz baixa —Não gostei. Prefiro ir com as minhas roupas normais. —Nada disso —discordou ela e se virou para vendedora —Vamos levar esse —e me empurrou de volta para o provador —Se troque que ainda termos que ir atrás de sapatos que combinem. —O que? —perguntei surpresa —Não precisa, eu... —Você não vai usar aqueles sapatos de homens na minha festa —disse ela muito séria e revirei os olhos —Nem por cima do meu cadáver. Agora se apresse em se trocar. Achei melhor não discutir, já que minha amiga, quando queria alguma coisa, só desistia quando conseguia o que queria. Quando saímos da loja com o vestido, ela me arrastou o resto do dia atrás dos “sapatos perfeitos” e eu já estava agradecendo a Deus e todo tipo de divindade quando ela, finalmente, escolheu uma bota preta de salto alto, muito linda, por sinal, mas que era desconfortável, na minha opinião. Como aguentaria uma noite inteira daquilo? Não sabia. O que não fazemos para deixar nossos amigos felizes, em? Então podemos voltar para casa, sua casa, já que a festa seria no dia seguinte e eu iria ajudar nos preparativos, na verdade deveríamos ter começado desde hoje, mas quando descobriu que não tinha comprado nenhuma roupa especial para amanhã, Rosa só sossegou quando me convenceu a ir comprar. Agora tínhamos que passar a noite recuperando a manhã inteira que perdemos. —Nossa —exclamei quando chegamos a sua casa e a primeira coisa que fiz foi me sentar em seu sofá —Nunca mais quero ir ao shopping contigo. Ela mostrou língua para mim, antes de subir para seu quarto para guarda as coisas e eu aproveitei para me acomodar melhor no sofá. Rosa e eu somos melhores amigas desde os 7 anos e vivíamos na casa uma da outra, então me sentia em casa e o fato de todos me tratarem assim, ajudava bastante para isso. —Levanta, folgada —uma voz irritada atrapalhou meu sossego. “Quer dizer, quase todos” —pensei levantando a vista para o irmão gêmeo chato, Cristiano, a versão feminina de Rosa, só precisava de um pouco mais de cabelo, p****s, um pouco menos de músculos e alguns centímetros mais baixos, seria uma cópia dela. Pena que são parecidos só na aparência, pois enquanto Rosa é legal, ele é um pé no saco e ama tirar a minha paz, desde sempre. Sua vida é infernizar a minha sempre que pode. —Tem lugar bem ali —disse apontando para o sofá ao lado. Estava cansada demais para levantar. —Eu quero sentar nesse aí —insistiu ele, como uma criança birrenta e se não fosse tão irritante, teria rindo de sua infantilidade. —Problema seu —disse sorrindo convincente e ele me olhou de cara feia, o que só fez meu sorriso aumentar mais ainda. Admitia que eu também não era uma das mais adultas —Cara feia para mim é fome. Antes dele responder, sua mãe entrou na sala e sorriu ao me ver. Edna era uma mulher incrível, minha amiga tinha a quem puxar, sempre doce, carinhosa e bondosa, minha segunda mãe ou até mais mãe que a minha própria. —Vocês voltaram —disse animada. Me sentei e dei espaço para Edna sentar, o que ela fez na mesma hora —E aí? Conseguiram comprar alguma coisa? Cristiano me lançou um olhar raivoso, antes de se sentar no outro sofá, mas o ignorei. O garoto parecia estar sempre irritado, então não era novidade. —Sua filha me obrigou a comprar um vestido —reclamei para única pessoa que me entenderia naquele lugar. Edna também era acima do peso quando tinha minha idade e sabia perfeitamente como era ser gorda na adolescência. —Tenho certeza que ficou perfeito em você —sua resposta não foi a que eu esperava, mas ela também não diria nada de diferente para mim. —Já eu tenho certeza que ficou ridículo —Cristiano disse sem tirar os olhos da televisão, um sorriso debochado em seus lábios. Claro que ele achava isso. Não poderia ser mais óbvio —Só um corpo novo para essa daí ficar bonita em um vestido. —Cris!! —sua mãe o repreendeu com um olhar fulminante. —O que? —disse ele, fingindo inocência —Só estava dando minha opinião. Edna deu um tapa na cabeça dele e o expulsou da sala, o mandado assistir no quarto, o que ele fez reclamando que também não podia falar nada. —Não liga para ele, querida —disse ela me olhando carinhosamente —Garotos não sabem falar a verdade. —Não dou atenção ao que seu filho falar, tia —dou de ombros —Sem querer ofender, mas ele só fala merda —ela teve que concordar comigo —Vou chamar a Rosa, do contrário ela não vai sair daquele quarto. Aposto que ela está falando com o namorado dela, de novo. Coloquei um sorriso no rosto para a tranquilizar e me retirei da sala, meu sorriso sumindo assim que cheguei na escada. É claro que eu ligava para o que ele dizia, não por que a opinião dele me importava, mas porque o que ele disse era verdade e por isso que doía tanto.
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