O Salvador e a Ex

2480 Palavras
Dante sai apressado, o coração martelando no peito. A cada segundo que passava, a sensação de que algo terrível havia acontecido só aumentava. A cidade parecia mais escura naquela noite, o vento cortava o rosto dele enquanto dirigia. Tudo que ele conseguia pensar era: "Selena..." Chegando no bairro dela, Dante estaciona o carro e salta sem nem trancar. Encontra Vittoria parada na calçada, aflita, segurando o celular de Selena com as mãos trêmulas. — Dante, ela sumiu... — diz Vittoria, os olhos marejados. — O telefone tava ali, no chão. Ela nunca faria isso, nunca. Dante respira fundo, tentando raciocinar, mas o desespero já dominava. Ele olha em volta, observa as câmeras de segurança da rua e, de repente, algo acende na memória — Lorenzo. Aquele nome volta como uma lâmina na mente dele. — Dante, eu acho que foi o Lorenzo, ele é muito perigoso e já está atrás da Selena faz um tempo — Lorenzo? Aquele italiano estranho que ela saiu uma vez? — Sim. Ele é perigoso. Muito perigoso. Ela me contou umas coisas estranhas que ele fez, tenho certeza que foi ele - disse vittoria trêmula e com os olhos cheios Dante sente o estômago virar. Ele sabia do envolvimento de Lorenzo com a máfia local. Sabia também que o cara era obcecado por Selena — e que nunca tinha aceitado o “não” como resposta. Selena no Cativeiro Selena acorda em um quarto escuro, com os pulsos amarrados. A cabeça lateja. Um cheiro forte de gasolina e madeira velha preenche o ar. Ela tenta se mover, mas a corda corta a pele. De repente, uma porta se abre. A luz invade o espaço, e Lorenzo aparece. — Finalmente acordou, bella mia. — diz ele, com um sorriso frio. — O que você quer de mim, Lorenzo? — ela grita, lutando pra se soltar. — Eu só quero o que é meu. Você devia ter me escolhido. Selena sente o coração acelerar. A voz dele é calma, mas os olhos estão completamente insanos. Dante e Vittoria vão até a delegacia, mas os policiais dizem que precisam esperar 24 horas pra registrar o desaparecimento. Dante perde o controle: — Vinte e quatro horas?! Ela pode estar morta em duas! Sem paciência pra burocracia, Dante sai batendo a porta e liga para um velho contato da empresa — um segurança particular que já trabalhou pra família. — Paulino, preciso de ajuda. Uma amiga está desaparecida e eu suspeito do Lorenzo aquele cara problemático que o Salvatore já teve problemas — Aquele lunático? Eu sei onde ele costuma se esconder. Dante pega o endereço e parte. O local ficava fora da cidade, numa antiga oficina abandonada do pai dele Dante chega com os faróis apagados, respiração pesada, mãos trêmulas. Ele vê dois capangas armados do lado de fora. Ele não era um assassino, mas o amor o transformava. Sem pensar muito, pega uma pedra grande no chão e com precisão, atinge o primeiro. O segundo tenta reagir, mas Dante o derruba com um soco, os dois entram em luta corporal, mas Dante consegue apagar o cara. Ao entrar, ouve a voz de Selena. — Me solta! — Você é minha! — Lorenzo grita, transtornado. — Ninguém mais vai te ter! Dante aparece atrás dele, a raiva e o medo explodindo juntos. — Solta ela, agora! Lorenzo se vira, rindo. — Ah, o cavaleiro salvador... Você de novo? Não entendeu que ela é minha? Dante parte pra cima, os dois se engalfinham. É uma luta brutal, suja, cheia de raiva contida. Selena grita, implorando pra que parem. Lorenzo tenta sacar a arma, mas Dante o derruba, o punho dele batendo com força no rosto do mafioso. Silêncio. Lorenzo cai desacordado. Dante, ofegante, corta as cordas de Selena. Ela cai nos braços dele, tremendo. Ele a segura firme, o rosto encostado no dela. — Eu tô aqui. Tá tudo bem, eu tô aqui. Selena desaba, chorando. — Você sempre aparece quando eu mais preciso... — diz ela, com a voz fraca. — Porque eu nunca consegui te deixar. Os olhos deles se encontram. Por um instante, o mundo some — só existe o toque, o respiro, o amor que eles sempre negaram Dante a beija, com força, como se aquele fosse o último momento de suas vidas. A polícia chega minutos depois. Lorenzo foge, mas lança um olhar frio para Dante antes de sumir. — Isso ainda não acabou... — murmura enquanto sai correndo Selena se encolhe, assustada. Dante a protege, segurando firme sua mão. — Agora acabou sim. — responde, firme. — Ninguém mais vai te tocar. E naquela noite, com as sirenes ecoando ao fundo, Selena percebe que o amor que tentou esconder era o mesmo que agora a mantinha viva. Logo em seguida os dois vão para o carro. Após algumas horas dirigindo, Dante estacionou o carro em frente ao prédio de Selena. A rua estava silenciosa, só o som distante de um cachorro e o vento cortando o ar noturno. Ele olhou pra ela — o rosto ainda marcado pelo susto, os olhos marejados, mas com aquela força que sempre o deixava sem chão. — Tá tudo bem agora — disse ele, a voz rouca, tentando disfarçar a tensão que ainda pulsava no peito. Selena respirou fundo, ainda trêmula. — Se você não tivesse chegado... eu nem sei o que teria acontecido. Dante desviou o olhar, apertando o volante. — Não fala isso. Eu sempre vou chegar quando você precisar. Ela tentou sorrir, mas o medo ainda morava nos olhos. Soltou um suspiro e murmurou apenas: — Vai descansar. Você está segura agora. Selena abriu a porta devagar, hesitou por um segundo e olhou pra ele mais uma vez. — Obrigada... por tudo. Ele assentiu. — Boa noite, Sel. Ela entrou no prédio e ele ficou ali, vendo a porta se fechar, sentindo o vazio tomando conta outra vez. Quando Dante chegou em casa, o relógio já marcava quase meia-noite. Assim que abriu a porta, a voz da mãe ecoou da sala. — Dante? Onde você estava? Ele pousou a chave na mesa, tentando parecer tranquilo. — Fui ajudar uma amiga, mamma. Caterina ergueu uma sobrancelha desconfiada. Dante sorriu de canto, cansado. — Boa noite, mamma E subiu as escadas antes que ela pudesse arrancar mais alguma confissão. No quarto, jogou o casaco na cadeira e se apoiou na janela, olhando o céu escuro. Pensar em Selena era inevitável. A imagem dela tremendo, os olhos cheios de medo, e o jeito como seu corpo se acalmava só quando ele chegava... tudo aquilo o dilacerava. “Por que tem que ser tão errado querer você?”, pensou, com um nó na garganta. Do outro lado da cidade, Selena, deitada na cama, encarava o teto. A lembrança do toque dele, a forma como a protegeu... cada segundo revivia na mente dela como um filme. Mas junto vinha o peso da realidade. Dante estava com Giulia. Por interesse, por obrigação, não importava — era uma barreira intransponível entre eles. Os dois adormeceram com o mesmo pensamento: o amor que os unia era o mesmo que os destruía. Dante passou a madrugada acordado. A cabeça latejava, o corpo cansado, mas o sono não vinha. Cada vez que fechava os olhos, via o rosto de Selena — o medo, o tremor das mãos dela, e o beijo que ele não devia ter dado. O relógio marcava pouco mais de oito da manhã quando ele se levantou. Tomou um banho rápido, vestiu a primeira camisa que encontrou e logo saiu do seu quarto com o coração ainda pesado. No corredor ouviu a voz de Vicente: — Senhor Dante, a senhorita Giulia está aqui. Ele parou no meio do caminho, respirando fundo. — Agora? — perguntou, surpreso. — Sim. Disse que queria te ver. Dante ajeitou a gola da camisa, tentando disfarçar o incômodo. A última pessoa que queria ver naquele momento era Giulia. Mas lá estava ela, parada no meio da sala, linda, arrumada demais pra uma visita casual — e com aquele sorriso ensaiado que ele já conhecia bem. — Bom dia, meu amor — disse ela, indo na direção dele, pronta pra beijá-lo. Dante desviou sutilmente, encostando os lábios na bochecha dela. — Giulia… que surpresa. — Achei que já tava na hora de conhecer melhor o seu lar — disse, olhando ao redor com um ar curioso. — Conhecer onde você vive é… conhecer quem você é, não acha? Antes que ele respondesse, Caterina surgiu. Elegante, mas com o olhar afiado. — Giulia, que visita inesperada. — O tom era doce, mas o olhar, nada simpático. — Pensei que vocês não se falavam mais. Giulia manteve o sorriso. — Jamais, nos vemos de vez em quando. Mas nunca vim aqui. Achei que uma visita pessoal não faria m*l. Caterina se aproximou, cruzando os braços. — Hm… Interessante Logo agora, com tanta coisa em jogo. — Mãe, por favor… — disse Dante, já sentindo o clima azedar. — Só estou dizendo — respondeu ela, sem tirar os olhos de Giulia — que sentimentos m*l colocados podem custar caro em tempos de guerra. Giulia riu de leve, desconfortável. — Eu só vim fazer companhia. Não vou incomodar Caterina se afastou, mas continuou observando, desconfiada. — Claro, querida. Mas lembre-se: o Dante costuma se distrair facilmente quando o assunto é “companhia”. Dante respirou fundo, pegou a pasta em cima da mesa e disse: — Mãe, eu preciso ir. Tenho reunião. — Voltou-se pra Giulia. — A gente se fala depois, tudo bem? Giulia arregalou os olhos. — Tão cedo? m*l cheguei. — O trabalho não espera — disse ele, abrindo a porta. Ela ficou parada, olhando ele se afastar — sentindo que havia algo errado, mesmo sem saber o quê. Caterina permaneceu imóvel, tomando seu café como se estivesse assistindo a um jogo que só ela entendia as regras. Quando Giulia se virou pra ela, ouviu calmamente: — Ele tá estranho, não acha? Giulia tentou sorrir. — Só cansado. — Cansado… — repetiu Caterina, com um leve sorriso de canto. — Ou distraído. Giulia desviou o olhar, desconfortável. Enquanto isso, dentro do carro, Dante acelerava pela avenida. O som do motor abafava o turbilhão dentro dele. ecoava na mente como um sussurro impossível de calar. Selena E ele sabia — uma hora ou outra, Giulia descobriria tudo. Giulia decidiu ficar um pouco mais na casa de Dante depois que ele saiu. Caterina, percebendo a insistência, apenas lançou um olhar desconfiado e saiu para resolver assuntos pessoais, deixando-a sozinha. A mansão estava silenciosa, e Giulia, tomada pela curiosidade, começou a andar pelos corredores observando cada detalhe. No meio do caminho, encontrou Vicente. — Deseja algo, senhorita Giulia? — perguntou ele educadamente. — Não, obrigada. Estou bem — respondeu com um sorriso contido. Assim que ele se afastou, Giulia subiu as escadas. Queria apenas conhecer mais sobre Dante — ou era o que dizia a si mesma. Entrou em um dos quartos achando ser o dele, mas percebeu que era antigo, talvez de hóspedes. Ainda assim, algo chamou sua atenção: uma gaveta meio aberta. Dentro dela, uma pasta com fotos antigas de família. Havia registros de Natal, festas, Dante e Salvatore ainda crianças… mas uma foto a fez parar. Nela, os pais de Dante estavam abraçados a um homem que ela reconheceu na hora — Raffaele, seu tio. Giulia franziu o cenho. O que o tio Raffaele fazia ali? Em outra imagem, Caterina aparecia abraçando Raffaele de forma próxima, quase íntima. A expressão no rosto dos dois carregava algo além de amizade. Giulia sentiu o coração acelerar. Guardou tudo como estava e saiu do quarto, com a cabeça fervendo de suspeitas. Ao entrar no quarto certo — o de Dante — viu o celular dele em cima da mesa. Ele havia esquecido. Curiosa, pegou o aparelho e olhou as mensagens. Nada de relevante, apenas um contato que lhe chamou atenção: Selena. Guardou o celular no mesmo lugar e desceu as escadas. Na cozinha, encontrou uma das funcionárias e puxou conversa, elogiando o cuidado da casa, o ambiente, e com um sorriso gentil começou a fazer perguntas sutis. — O Dante costuma trazer alguém aqui? — perguntou num tom leve. A funcionária hesitou, mas, vendo que Giulia parecia simpática, respondeu: — Só uma moça… a senhorita Selena. Ela é estilista, tem uma loja de moda vintage no centro. O sorriso de Giulia se manteve, mas os olhos denunciaram o interesse. — Entendo… moda vintage. Que interessante — murmurou. Agradeceu pela conversa, se despediu com um ar tranquilo e elegante. Saiu da casa, entrou no carro e dirigiu rumo ao centro. A loja de Selena seria seu próximo destino. O som suave do sino da porta anunciou a entrada de alguém. Vittoria, que organizava algumas peças no balcão, ergueu o olhar — e quase engasgou. Giulia entrou com passos firmes, usando um vestido bege justo, óculos escuros e um perfume caro que tomou conta do ambiente. Sorria com educação, mas havia algo nos olhos — uma mistura de charme e intenção. — Boa tarde — disse ela num tom leve. — Me falaram muito bem desta loja… estou precisando de um vestido preto. Lindo, elegante, sensual, sabe? Tenho um encontro esta noite. Vittoria manteve a compostura, mesmo sentindo o estômago revirar. Reconheceu Giulia imediatamente — a “nova namorada” de Dante. Mas se forçou a servir o profissionalismo. — Claro.. Temos várias opções. Quer algo mais clássico ou algo que chame atenção? Giulia apoiou o cotovelo no balcão, fingindo pensar. — Clássico, mas com personalidade. Algo que diga “eu não preciso de ninguém, mas todos me querem”. — Entendi perfeitamente — respondeu Vittoria, forçando um sorriso. Ela caminhou até o manequim e puxou um vestido preto impecável — tecido fluido, corte elegante, f***a lateral discreta e decote sofisticado. Inspirado no icônico modelo usado por Lady Di. Os olhos de Giulia brilharam. — Esse. É esse. Parece feito pra mim. Vittoria assentiu, tensa. — O provador é logo ali, à direita. Giulia entrou devagar, levando o vestido nos braços. Assim que a cortina se fechou, o ar da loja pareceu aliviar um pouco. Vittoria respirou fundo, tentando processar a coincidência absurda de Giulia aparecer ali — justo naquele dia. Nesse momento, a porta do depósito se abriu. Selena surgiu ajeitando o cabelo preso, com o rosto corado e um leve brilho de suor. — Nossa, Vi, tá um forno lá atrás! Liga pro Pietro e pede pra ele vir consertar o ar-condicionado, pelo amor de Deus! Vittoria congelou. O sangue sumiu do rosto. Selena, distraída, ainda não tinha percebido quem estava no provador. A cortina se moveu levemente. E do outro lado, Giulia. Ela parou as mãos Imóveis no tecido do vestido. Um sorriso lento apareceu no canto da boca. O jogo estava prestes a começar.
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