POV Aurora – 17 anos Quando meus pais disseram que iríamos a uma festa, usaram palavras bonitas. Disseram que era uma “reunião importante”, algo para aproximar a família. O tipo de desculpa que vem carregada de sorrisos falsos e meias verdades. Mas eles não disseram que era uma festa da máfia. --- Eu e Helena nos arrumamos em silêncio. Ela vestia um vermelho que grudava no corpo como pecado. Eu, o preto simples que minha mãe deixou em cima da cama — justo, mas discreto. Enquanto passava batom, vi o reflexo dela no espelho, parada atrás de mim, com os olhos estreitos e o queixo erguido. Ela me olhava como quem analisa um inimigo. — Tá nervosa? — perguntei, só pra quebrar o ar pesado. — Não. — Ela amarrou o cabelo num coque firme. — Só curiosa pra ver quem vai perder a compostura

