Capítulo 18: A Sangria do Silêncio

459 Palavras
POV: Yasmin O "Sobrinho" achou que estava seguro. Ele estava em um bar de beira de estrada, rindo alto, pagando rodada de cerveja com o dinheiro que fedia à traição do meu primo. Ele não viu quando o Vítor bloqueou a saída dos fundos. Ele só sentiu quando eu sentei ao lado dele, tão silenciosa quanto uma sombra. — A festa está boa, Sobrinho? — sussurrei no ouvido dele. Ele travou. O copo tremeu na mão e a cor fugiu do rosto dele no mesmo instante. — Yasmin... eu... eu não sabia que você estava por aqui. — Você não sabe de muita coisa. Não sabe que cada centavo que você está gastando tem o DNA do Guel. E não sabe que eu perdi a minha paciência junto com o meu primo. Fiz um sinal para o Vítor. Em segundos, o garoto estava sendo arrastado para o escuro atrás do galpão. Ele tentou implorar, disse que não teve nada a ver com o "serviço", que só recebeu um cala-boca. Eu não mudei a expressão. Tirei o meu oitão da cintura e encostei o cano frio na nuca dele. A minha ansiedade desapareceu, dando lugar a uma frieza que me assustava, mas que eu abraçava com força. — Eu não vou perguntar duas vezes — disse, engatilhando a arma. O estalo seco ecoou no silêncio do matagal. — Para onde eles foram? Quem deu a ordem de retirada? — Eu não sei, eu juro! Eles falaram em subir para o norte... falaram de uma fazenda em Rio Verde! — ele soluçou, o desespero fazendo ele entregar tudo. — O carro foi trocado numa oficina de desmanche no KM 42. Por favor, Yasmin, o Guel me amava! — O Guel amava um traíra. Eu não cometo o mesmo erro — respondi. Eu não apertei o gatilho. Ainda não. Um rato vivo que sabe que deve a vida à minha misericórdia é mais útil do que um cadáver. — Você vai sumir desta cidade hoje — ordenei, guardando o ferro. — Mas antes, você vai me dar o número do rádio que eles usaram para falar com você. Se você mentir, eu não vou atrás deles primeiro. Eu venho atrás de você. Ele me entregou um papel amassado, as mãos suadas de pavor. Eu tinha a primeira localização: Rio Verde. Tinha o rádio. A teia estava começando a vibrar. Liguei para a Lorena assim que entrei no carro. — Lorena? O rastro esquentou. Eles estão subindo para o norte, em direção a Rio Verde. Fica de olho nos clubes e nas baladas daí, o Turco deve saber quem é o dono daquela fazenda. A caça não era mais um conceito. Tinha um destino. E cada quilômetro que nos separava deles estava diminuindo.
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